Logística

Conheça o centro logístico da Mendes Gonçalves

Centro logístico Mendes Gonçalves - Logística & Transportes Hoje (2)

O centro logístico, inaugurado há pouco mais de um ano, deu à Mendes Gonçalves mais capacidade para responder à procura, principalmente, externa dos seus produtos, bem como mais espaço e eficiência na fábrica. Mas já atingiu a capacidade máxima no pico da atividade, no verão, por isso a expansão ficou preparada logo na construção. A empresa da Golegã trabalha com cerca de 400 produtos diferenciados para 34 países.

O novo centro logístico da Mendes Gonçalves (MG), que representou um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros, fez um ano em fevereiro e “no verão passado já atingimos a nossa capacidade máxima”, assegura o diretor de Supply Chain da empresa detentora da marca Paladin. Por isso, Alexandre Felício destaca que na construção “ficou logo tudo preparado para duplicar a sua capacidade, de 4.000 para 8.000 paletes”.

Na altura da inauguração do centro logístico, em fevereiro de 2016, a empresa adiantava que o novo investimento permitiria “responder à crescente procura dos nossos produtos nos mercados estrangeiros”, sendo que o responsável adianta à LOGÍSTICA & TRANSPORTES HOJE que “a exportação deverá crescer cerca de 20% em 2017 e atingir cerca de 30% do volume total de negócios, chegando já a 34 países”.

Situado também na zona industrial da Golegã, a 500 metros da sede e fábrica da empresa, o centro logístico tem 3.500m², dispõe de cinco cais de carga e descarga (e está preparado para receber mais quatro quando necessário) e possui uma câmara de frio positivo com capacidade para 96 paletes. Esta câmara “tem estado a trabalhar quase exclusivamente para os molhos em cuvetes que fazemos para a McDonald’s, que já são oito”, conta o diretor de Supply Chain.

Alexandre Felício, diretor de Supply Chain da Mendes Gonçalves, empresa que detém a marca Paladin

Alexandre Felício, diretor de Supply Chain da Mendes Gonçalves, empresa que detém a marca Paladin

O novo armazém permitiu também que a logística da MG esteja toda informatizada, pelo que “o operador recebe a indicação no seu terminal exatamente onde vai colocar ou buscar determinada palete ou caixa, no caso do picking”, explica Alexandre Felício. No caso do armazém que está junto à produção, está dividido por áreas e os operadores também já sabem onde colocar cada produto e nas cargas recorrem aos PDTs para identificar exatamente a mercadoria a carregar. “Há um ano e três meses era tudo em papel e tinha de ser sempre por picking e com a guia na mão. Tivemos ganhos de eficiência enormes”, garante.

Cerca de 400 produtos e 1.400 SKUs

A empresa trabalha cerca de 400 produtos diferentes para os 34 mercados onde vende as suas marcas – com destaque para a Paladin – mas também marcas da distribuição. “Para todas, principalmente nos produtos de maior volume, ou seja ketchup, maionese e mostarda, temos fórmulas específicas para cada cliente, com alteração das quantidades dos ingredientes básicos ou até com adição ou eliminação de ingredientes específicos”, explica o responsável, adiantando que “o mesmo se passa para quase todos os mercados, principalmente no Médio Oriente, onde temos de adaptar as fórmulas ao gosto e cultura local”. Alexandre Felício destaca que “dois clientes não têm um produto igual”.

Estes produtos, mais embalagens, rótulos, caixas e outros ‘acessórios’ associados, geram os cerca de 1.400 SKU’s com que a Mendes Gonçalves trabalha.

O departamento de Supply Chain, que trata de todas as encomendas, também se mudou para o edifício do novo centro logístico, onde trabalham hoje 14 pessoas. A empresa comercializa os seus produtos principalmente à distribuição moderna, mas também a distribuidores que os levam depois ao restante retalho e ao canal HoReCA, que representa já cerca de 40% das vendas.

No centro logístico, “os trabalhadores do armazém fazem turnos das 7h às 20h no inverno e das 6h às 21h no verão”, afirma o diretor sublinhando que “o verão é quando temos o nosso pico, sendo que a procura cresce cerca de 20%”.

Alexandre Felício diz-nos que a empresa trata de praticamente todos os transportes, sendo residual o número de clientes que vem buscar a mercadoria. “Diariamente saem cerca de 12 carros completos dos nossos cais, sendo que a movimentação anual ronda as 65 mil paletes”. Na exportação para a Europa, o responsável refere que “os camiões são carregados aqui no centro logístico, mas nas remessas para fora da Europa, que vão de barco, carregamos diretamente na fábrica e entregamos num parceiro que temos perto do Porto de Lisboa, que depois faz a contentorização da mercadoria”.

Mais espaço e eficiência na fábrica

A construção do centro logístico deu à empresa mais espaço e eficiência no planeamento da produção. Alexandre Felício mostrou-nos que nas instalações da fábrica é agora possível ter uma zona de armazenagem de matérias-primas e embalagens, caixas, etc., que é gerida semanalmente ou quinzenalmente de acordo com as necessidades, e também uma outra de produto acabado. Produto que sai das 17 linhas da empresa: oito automáticas, com capacidade de produção de oito mil frascos por hora, mais três só para saquetas e uma especial para cuvetes, além de cinco linhas manuais, mais flexíveis.

A Paladin incorpora 90% de matérias-primas nacionais nos seus produtos – trabalhando com produtores e Organizações de Produtores da região – e a MG também fabrica 80% das suas embalagens, “o que nos permite uma maior versatilidade e autonomia”. A fabricação e armazenamento das embalagens situa-se num pavilhão a meio caminho entre a fábrica principal e o novo centro logístico, na zona industrial da Golegã, pelo que “temos sempre dois carros que fazem o circuito levando embalagens e trazendo produto acabado para o centro logístico”.

A decisão de criar uma fábrica de embalagens já vem do tempo em que a Mendes Gonçalves só produzia vinagre, mas com o crescimento da empresa mudou-se para a nova estrutura a cerca de 250m da sede/fábrica, onde produz anualmente mais de 50 milhões de embalagens, sendo quase todas para consumo próprio.

Tanto a matéria-prima (polímeros) como os moldes são comprados cá em Portugal. A Paladin tem frascos exclusivos para todos os seus produtos mas depois possui mais dois ou três modelos para cada segmento (mostarda, maionese, ketchup, etc.) que os clientes (outras marcas, marcas da distribuição ou da restauração) podem escolher.

Do vinagre aos molhos

A MG começou sua atividade em 1982, a produzir vinagre de figo, da marca Peninsular (que se mantém), para poder aproveitar a produção dos agricultores da região. A empresa faz hoje vinagre de ‘quase tudo’: vinho (tinto e branco) – também envelhecido, sidra, mel, álcool, cereais, tomate, entre muitos outros em estudo. O vinagre mantém-se o core business da empresa, ao nível do volume de produção, com cerca de 60%, mas em valor representa apenas 40%, tendo cedido terreno aos molhos e condimentos, cujo crescimento foi exponencial nos últimos anos, dentro e fora de Portugal.

O segmento dos molhos permitiu o grande crescimento da empresa, com a compra da marca Paladin, no início da década de 2000, mas que foi relançada há quatro anos, com imagem e produtos completamente novos, a pensar num consumidor mais jovem e urbano, aberto a novas experiências, num investimento de cerca de dois milhões de euros.

A linha Sacana, de condimentos picantes, é um dos melhores exemplos desta estratégia, mas também todos os novos produtos Paladin (molhos para saladas, mostarda com mel, vinagre em spray, etc.). Todavia, várias mudanças já vinham a ser postas em prática desde 2011, porque desde a MG já tinha investido também entre 1,5 e dois milhões em equipamento.

Exportar à medida

A aposta na exportação também permitiu um grande crescimento da empresa em termos de produtos e vendas. Esta exportação foi encarada pela Mendes Gonçalves “não como exportação pura e dura”, salienta o diretor de Supply Chain, mas “sempre através de parcerias, com distribuidores que conhecem os mercados e estão dispostos a, connosco, desenvolver os produtos adequados ao gosto do consumidor local e a promovê-los”.

Centro Logístico - Mendes Gonçalves - Logística e Transportes Hoje

Alexandre Felício lembra o caso de Angola, onde a empresa tinha um parceiro forte, tendo decidido abrir uma fábrica de vinagres no ano passado, que até funciona de uma forma inovadora, e que poderá vir a ser adotada na fábrica em Portugal, mesmo para os molhos, porque tem uma máquina que faz a embalagem PET que é de seguida esterilizada e logo cheia com o vinagre, poupando tempo e área de armazém com embalagens vazias.

As principais apostas na internacionalização são os mercados emergentes, cujas economias crescem 5 ou 6%, não têm ou têm pouca produção própria, e têm uma maioria de consumidores jovens abertos a novos produtos, diferentes dos que os pais consumiam. Assim, a empresa começou pelo Norte de África, com Marrocos e Argélia à cabeça, seguidos pela Líbia, onde os produtos da Paladin estão a ter grande aceitação.

A internacionalização obrigou também a fortes mudanças na logística da empresa, já que “fazemos rótulos e contrarrótulos específicos em oito línguas diferentes”, para além das marcas próprias e da distribuição. Daí a MG ter optado também recentemente pela compara de um armazém vertical automático de rótulos, que está junto ás linhas de produção e facilita em muito a tarefa de procurar o rótulo certo.

Na Europa, a estratégia de internacionalização é completamente diferente, porque existem no mercado fortes concorrentes já implantados dos principais produtos – ketchup, maionese e mostarda – pelo que a empresa decidiu avançar só pela diferenciação e com os produtos mais inovadores.

Leia o artigo na íntegra na edição de março/abril de 2017 da revista LOGÍSTICA & TRANSPORTES HOJE