Logística

Uma estrutura integrada e mais ágil

Uma estrutura integrada e mais ágil

Ano e meio após a inauguração do novo centro logístico, em Vila Nova de Gaia, os diretores de Operações e de Logística do grupo asseguram que os ganhos de eficiência foram evidentes. “A área de operações da Sogevinus está integrada numa estrutura única desde a viticultura à expedição final com vantagens reais, como uma sincronização rigorosa do abastecimento e da procura e agilidade na resposta às rápidas e constantes mudanças”, garante Pedro Braga.

A “construção de um armazém logístico fisicamente ligado ao engarrafamento”, bem como o “alinhamento da cadeia logística ao perfil das nossas marcas e necessidades dos nossos clientes com os investimentos de redefinição/centralização/melhoria dos layouts, máquinas e instalações associadas ao engarrafamento” foram um dos investimentos mais importantes que a Sogevinus (Nº1 em vendas no mercado nacional) fez nos últimos três anos, adianta o diretor de Operações.

O centro logístico, inaugurado em maio de 2016, representou um investimento de 1,88 milhões de euros para o grupo que é líder mundial em vinhos do Porto Colheita e comercializa “cerca de 8,25 milhões de garrafas de Vinho do Porto e DOC Douro das marcas Kopke, Burmester, Calém e Barros”, diz-nos a diretora de Marketing, Patrícia Neves de Sousa.

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O diretor de Logística salienta que, apesar do aumento de capacidade, “nas alturas de pico, como nos meses antes do Natal, o armazém já vai estar no máximo da sua capacidade”. Nuno Martins adianta à LOGÍSTICA & TRANSPORTES HOJE que “nos artigos de maior rotação temos stock para cerca de quatro meses, para podermos dar resposta às encomendas em 48h. Movimentamos cerca de 7.000 paletes por ano, mais 280 mil caixas/ano em picking, ou seja o equivalente a cerca de 6.000 paletes”.

Visão integrada das operações e planeamento

O diretor de Operações, Pedro Braga – que não pôde estar presente no dia da nossa reportagem ao centro logístico, tendo respondido às questões por email – afirma que “na procura da visibilidade total da cadeia de abastecimento, a área de operações da Sogevinus está integrada numa estrutura única desde a viticultura à expedição final com vantagens reais como uma sincronização rigorosa do abastecimento e da procura e agilidade na resposta às rápidas e constantes mudanças”.

O planeamento tem uma base estratégica que evolui para níveis táticos e operacionais em todos os elos da cadeia de abastecimento.

O responsável adianta ainda que “o planeamento tem uma base estratégica que evolui para níveis táticos e operacionais em todos os elos da cadeia de abastecimento. É a partir dos mapas de negócio estratégico a cinco anos que se definem/implementam as infraestruturas e recursos que garantem a capacidade necessária ao cumprimento deste plano. Projetos como a reconversão da vinha, centralização da produção e internalização da logística fazem parte deste planeamento”. E acrescenta: “ao nível tático, o planeamento trabalha num horizonte mais reduzido de um a dois anos a partir da definição de um plano de negócios mais detalhadas ainda com algum agrupamento por tipos de SKU. Estes mapas de negócio táticos são elaborados a partir da monitorização do mercado e do negócio adaptando e detalhando os mapas estratégicos. O planeamento das quantidades por processo/tipo na vinificação, a gestão do processo de envelhecimento/armazenagem e a distribuição da categoria SKU final por tipo de planeamento Make to Order (MTO) ou Make to Stock (MTS) são exemplos deste planeamento”.

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Durante a visita ao centro logístico, Nuno Martins explicou que “para as cadeias nacionais, bem como os Cash&Carry trabalhamos em MTS, porque garantimos um prazo de entrega de 48h” e salientou: “O ponto de partida para cada ano é o histórico que conhecemos de cada marca”.

Estratégia das marcas

Pedro Braga conta que “o posicionamento das marcas é definido de acordo dois pontos: o planeamento estratégico da Sogevinus a cinco anos e estudos de mercado, como análises dos hábitos, comportamentos e preferências dos consumidores dos mercados estratégicos para nós”. Periodicamente são desenvolvidos estudos de monitorização da notoriedade das marcas estratégicas do grupo, assim como dos hábitos de consumo e das necessidades de consumo face ao Vinho do Porto e aos DOC Douro. “Fazemos ainda estudos setoriais sobre o consumo de cada uma das categorias em que estamos presentes, assim como analisamos categorias concorrentes da quota de garganta”.

O diretor de Operações refere que “esta análise permite-nos definir o alcance de cada marca e perfil do consumidor-alvo, o que nos aponta para os desenvolvimentos ao nível de produto e serviços”.

O Turismo é parte integrante da estratégia, tendo o grupo feito um investimento de cerca de três milhões de euros recentemente em obras de requalificação das caves da Calém em Vila Nova de Gaia, duplicando o espaço visitável para mais de três mil metros quadrados e criando um novo e tecnológico museu interativo multissensorial, uma loja e várias salas para provas e experiências para harmonizações. Tudo com o objetivo de aumentar em cerca de 30% as visitas, que em 2016 rondaram as 235 mil pessoas.

A Sogevinus tem ainda em Gaia as caves da Burmester, bem como a Casa Kopke onde podem ser feitas provas. “A maioria dos visitantes são europeus, nomeadamente de França e Espanha”, diz Pedro Braga.

Já em termos de exportação, representa cerca de 60%, incluindo as vendas a estes turistas, salienta, por se lado, Patrícia Neves de Sousa, adiantando que “vendemos para cerca de 60 países. França é o nosso primeiro mercado, seguida de Portugal, Reino Unido, Estados Unidos, Holanda e Dinamarca”.

Projetos de destaque mais recentes

Além do centro logístico e das caves Calém, Pedro Braga afirma que a Sogevinus lançou vários projetos de destaque nos últimos três anos. Mais diretamente ao nível da logística teve lugar a implementação de WMS Sage X3 com rádio frequência a toda a cadeia logística, desde a Vinificação à expedição de produto acabado, estando já implementado nas áreas de aprovisionamento materiais de embalagem, engarrafamento e logística de produto acabado. “Nestas áreas foram feitos desenvolvimentos específicos adaptados à realidade da Sogevinus que nos permite um maior planeamento e controlo da operação com base no indicador Nível de serviço”. E também o desenvolvimento de um sistema remoto de controlo através de um software designado por Acept “que permite monitorizar no chão de fábrica de uma forma automática e integrada a qualidade e eficiência do produto e processo com base nos indicadores Firts Pass Yield (FPY) e Overal Equipment Efficience (OEE)”.

O responsável de Operações refere que foi também criada a equipa de projetos Optimo “como suporte de melhoria contínua em todos os processos e decisão de investimentos operacionais iniciado em 2014 para redesenho da cadeia logística de engarrafamento e armazenagem/preparação de carga incluindo estudo de Tempos & Métodos, Definição de Standards e sua melhoria”. Desde esta altura, qualquer investimento operacional da Sogevinus passa por um projeto dentro desta equipa “estando em curso estudos para otimização dos processos nas áreas de Vinificação e Tratamento/Envelhecimento”.

“Fazemos ainda estudos setoriais sobre o consumo de cada uma das categorias em que estamos presentes, assim como analisamos categorias concorrentes da quota de garganta”.

Ao nível da produção o grupo fez também vários investimentos e melhorias, como a reestruturação de vinha em mais de 30ha e o reforço de parcerias com lavradores; a realização da vindima própria em caixas de pequenas dimensões (20 Kg) em detrimento de dornas de grande volume, “o que obrigou a uma redefinição e otimização do processo de recolha e carga nas quintas”; e o tansporte das caixas de uva das quintas para os centros de vinificação em camiões refrigerados de forma a minorar o impacto do transporte na qualidade das uvas.

Da vinha ao camião

Pedro Braga explicou também à LOGÍSTICA & TRANSPORTES HOJE todo o processo logístico e as várias supply chains da produção da uva na vinha, no Douro, ao engarrafamento e envio das caixas/paletes.

A Supply Chain Viticultura – produção e fornecimento de uva – começa nos 210ha de vinha distribuídos por três quintas e pela carteira de parceiros viticultores “que garantem um fornecimento de qualidade e ajustado às necessidades. Nesta fase da cadeia logística destacam-se a gestão das operações de acompanhamento da vinha e a vindima com o controlo de maturação, a apanha, carga e transporte”.

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Já a Supply Chain Vindima – vinificação da uva ao vinho – tem lugar nas duas Adegas de vinificação da Sogevinus, com localizações que permitem uma cobertura otimizada no tempo de transporte de uva e com capacidade de vinificação de Vinho do Porto e DOC. “Podemos considerar a Vinificação como uma segunda fase da cadeia logística do nosso negócio onde se destacam a receção, a vinificação e a movimentação/armazenagem” diz o diretor de Operações.

Na Supply Chain Envelhecimento e Acompanhamento – Vinho do Porto e DOC Douro, as operações ocorrem dentro das caves no Douro (associadas aos centros de vinificação) e em Vila Nova Gaia nos diversos armazéns distribuídos pelo entreposto de Gaia na zona ribeirinha. “Nesta terceira fase da cadeia logística destacam-se as operações de movimentação, lotação, finalização e atesto”.

Por seu lado, a Supply Chain Engarrafamento – Vinho do Porto/DOC Douro e materiais de embalagem é uma operação centralizada que decorre no Centro Operacional em Vila Nova de Gaia “onde temos a nossa maior capacidade de stockagem de granel e o novo armazém logístico. Neste Centro Operacional, como quarta fase da cadeia destacam-se, as operações de aprovisionamento/logística de materiais de embalagem (rolhas, garrafas, etiquetas, caixas), planeamento/execução de engarrafamento e monitorização controlo do processo”, adianta Pedro Braga.

Por último, temos a Supply Chain Logística – Vinho do Porto/DOC Douro engarrafado: “fisicamente ligado ao polo operacional de engarrafamento está o armazém logístico onde são executadas as operações de movimentação, armazenagem, picking e carga de produto acabado. Esta constitui a 5ª e última fase da cadeia logística inbound”, conclui Pedro Braga.