Logística

Criar inovação na cadeia térmica

Criar inovação na cadeia térmica

Garantir que um produto saia de Portugal à temperatura ambiente de 25ºC e chegue à Rússia em perfeitas condições onde estão 14 graus negativos. Eis uma das possibilidades das soluções disponibilizadas pela empresa portuense APP Advanced Products. De forma personalizada a cada cliente.

Imagine que a sua empresa tem um evento noutro país e precisa de transportar alimentos com urgência, mantendo a qualidade e a frescura dos mesmos. Missão impossível? Talvez não. A APP Advanced Products, a operar há mais de 15 anos em Portugal, e com sede na Maia, lançou muito recentemente a solução «Just in Temperature», um sistema que permite às empresas economizar tempo e recursos, ajudando a flexibilizar o envio de produtos para todo o mundo.

«Já enviámos caixas de alimentos portugueses, para um evento da Assembleia da República que tinha de estar em 72 horas na Colômbia, e em que conseguimos assegurar que fossem cozinhados produtos gastronómicos portugueses e correu tudo muito bem. Esta flexibilidade é muito interessante nesta nova solução», contou-nos Manuel Pizarro, General Manager da empresa, em passagem por Lisboa para participar no 20º Congresso de Logística, promovido pela APLOG, no passado mês de outubro.

Diariamente são transportados produtos que necessitam de temperatura controlada como forma de manter as suas características originais. Os medicamentos e os alimentos são disso exemplo. Acresce que, não raras vezes, esses envios têm de ser feitos de forma célere ou até imediata. A pensar nisso, a APP Advanced Solutions criou uma solução de transporte que resolve a questão das diferenças de temperatura entre o local de partida e o destino.

O sistema, preparado de acordo com o perfil necessário para o envio, assegura entregas urgentes, de forma eficiente, permitindo assegurar e manter a qualidade. «Desde 1973, sobreviveram 10 milhões de pessoas devido às vacinas, e segundo alguns estudos, sabemos que 50% chegam deterioradas aos destinos. Onde queremos chegar? Com sistemas melhores, mais vidas iremos salvar.»

Este novo sistema faz parte do conjunto de 507 soluções e acrescenta a capacidade de responder a desafios just in time, permitindo que pequenas e médias empresas não necessitem de investir em equipamento de frio.

A empresa é responsável por criar soluções que garantam a cadeia térmica dos produtos durante as operações de transporte, manipulação e armazenamento. Por exemplo, é possível que um produto saia de Portugal a 25ºC e chegue à Rússia em perfeitas condições onde estão 14 graus negativos [temperaturas ambientes respetivas nos dois países]. Isto só é possível graças a um laboratório, equipado com câmaras de ensaio térmico, onde protótipos de embalagens são submetidos a condições extremas de temperatura e onde é feita uma simulação dos perfis em ambiente de verão e inverno de cada país/região.

Foco na inovação

A operar essencialmente nos setores da Saúde, Farma e Alimentar, a empresa conta com mais de 600 clientes em Portugal. «Temos desde pequenos clientes a multinacionais. Trabalhamos com as maiores empresas na área do Retalho e com vários laboratórios na área farmacêutica e de saúde, mas também respondemos a casos pontuais de clientes individuais. Por exemplo, já vendemos uma caixa térmica a pais que precisaram de viajar de avião e o filho diabético iria necessitar de insulina», conta Manuel Pizarro.

Criar inovação na cadeia térmica

A empresa não descura ainda a componente de responsabilidade social, tentando apoiar instituições particulares de solidariedade social, com quem partilha preocupações ao nível do desperdício alimentar. «Já fornecemos as nossas bolsas à Refood e a outras instituições para recolha de alimentos nos restaurantes», conta.

O crescimento da empresa tem sido sustentável e tem permitido investir em novas soluções. «Temos crescido cerca de 7 a 10% ao ano, de forma recorrente, mas acho que podemos crescer mais. Tivemos muitos investimentos na internacionalização que se começam agora a traduzir em exportação que, neste momento, representam 5% do total de faturação», sublinha. Manuel Pizarro é otimista e prevê um crescimento acima das expetativas para 2017. «Este ano, estamos acima do previsto que seria crescer 5 a 7%. Julgo que iremos surpreender-nos pela positiva. A curto prazo, e com os investimentos que estão a ser feitos, considero que poderemos crescer 15%», diz-nos.

Relativamente a outros setores, num mundo emergente de novas oportunidades, Manuel Pizarro responde: «Temos tido alguma abordagem por parte de industriais, para os quais já somos soluções, mas não representam um peso significativo na nossa faturação».

Com o foco na inovação, a empresa investiu na criação do Laboratório de Análises e de Ensaios na Cadeia Térmica (LAECT), dedicado à análise e ensaio de diferentes aspetos e componente das soluções tecnológicas da cadeia térmica. Todas as soluções são devidamente testadas com o objetivo de disponibilizar aos clientes, respostas eficazes aos desafios mais complexos da gestão da cadeia térmica. «Fomos buscar um mestre em nanotecnologia em cadeia térmica e estamos em constante investigação. Os clientes são cada vez mais exigentes», salienta Manuel Pizarro.

No ano 2013, foi criada a AP Network, com parcerias e escritórios associados em alguns países, como Marrocos, Polónia, Brasil, Argentina, entre outros. «Sou também partner de uma empresa no Brasil, com as mesmas características, onde estamos a replicar o sucesso da APP Advanced Products em Portugal, aproveitando o know how acumulado. Existe ainda uma empresa na Argentina, também ela autónoma. Através do laboratório que criámos, fazemos estudos para todas estas empresas autónomas e aproveitamos as sinergias de custos de todas elas», explica Manuel Pizarro.

Uma das mais valias que este negócio traz diz respeito à legislação. «Hoje em dia, a monitorização dos envios está a ser cada vez mais exigente. Quanto mais se monitorizar, mais as empresas têm de procurar soluções qualificadas, surgindo novas oportunidades. Os regulamentos são internacionais apesar de serem adotados ao nível das culturas locais.»

Decisão partilhada

Apesar de a consultoria ser individual e personalizada a cada cliente, de acordo com os desafios e as exigências, a empresa pretende decidir em conjunto com o mesmo. «Uma vez que o clima hoje é muito mais instável, temos agora uma nova funcionalidade no nosso site em que disponibilizamos as previsões de temperaturas para 15 dias, para Portugal Continental, ilhas e os principais pontos exportadores. O objetivo é partilhar a responsabilidade com os clientes. Eles podem consultar as previsões e decidir em conformidade. Há que envolver os clientes na decisão que tem de ser partilhada».

O que diferencia a APP Advanced Solutions de outras empresas existentes no mercado? «Temos concorrentes por produto mas distinguimo-nos pela abordagem que fazemos, enquanto consultores, em que vamos tentar responder a uma necessidade desenvolvida por nós ou que já exista mas que vamos testar. Ou seja, testamos internamente com os inputs dos clientes, respeitando e cumprindo todos os protocolos internacionais. Aprovamos a solução internamente e vamos propor ao cliente, confirmando a solução no terreno. Se ela funcionar, o mercado começa a comprar», salienta Manuel Pizarro.

Além disso, a empresa assume-se como pioneira em fornecimento local de Portugal em caixas qualificadas, ou seja, testadas em casos extremos, de acordo com os requisitos que os clientes indicam.

No que respeita às dificuldades atuais, o General Manager comenta que o facto de os clientes «quererem mais com menos». No entanto, o futuro parece ser promissor. «As novas cidades vão necessitar de micrologística. Todos os nossos sistemas caminham para a logística do last mile e isso vai trazer-nos cada vez mais necessidades, mais clientes e novas soluções. Desde o e-commerce dos players que já existem até aos fornecimentos locais, vamos ter de saber acompanhar», conclui.