Logística

Pool é solução incontornável

Pool é solução incontornável

As paletes de aluguer são e continuarão a ser a modalidade mais utilizada no mercado nacional, não só pelos seus níveis de penetração atuais, como pelo valor acrescentado que geram em toda a cadeia de abastecimento. A palete europeia de madeira é de longe a mais utilizada no mercado nacional, mas os formatos mais pequenos estão a crescer, assim como os materiais como o plástico ou o cartão kraft, que apresentam vantagens a vários níveis.

As grandes vantagens do pool de paletes são o preço, garantia de fornecimentos, estandardização dos ativos, redução de custos, qualidade, simplicidade, apresentação de relatórios de gestão, redução das emissões de CO2 e respetivo impacto ambiental.

Dentro do sistema de aluguer de paletes, a palete europeia (800X1200) é a mais utilizada no mercado nacional, mas existe uma tendência para o crescimento dos pequenos formatos (800X600) e (400X600), especialmente vocacionados para produtos promocionais/campanhas e/ou lojas de pequena dimensão. Estas paletes apresentam “ganhos diretos no que concerne a níveis de rotação de produtos, aumento da diversidade de produtos no mesmo espaço físico, redução de quebras e diminuição do investimento em ativos”, nas palavras de Flávio Guerreiro, Country Manager da LPR.

“As vantagens dos sistemas pool são claras”, diz Christian Agasse, Managing Director da Pooling Partners e responsável pelo PAKi-Services. “Trata-se da possibilidade de obter paletes europeias e outros suportes de carga intercambiáveis padronizados em toda a Europa. Os clientes podem dar-nos as suas paletes europeias em qualquer lugar europeu onde elas não estão a ser usadas e desta forma não têm de suportar os custos inerentes ao transporte de retorno”.

O sistema PAKi-pooling está baseado em sistemas abertos que se regem por standards como os da Associação Europeia de Paletes. Esta pool de paletes europeias inclui mais de 500 milhões de unidades, podendo os clientes optar por paletes novas ou usadas, consoante as suas necessidades. O sistema é adequado sobretudo a empresas internacionais sedeadas na Europa e com fluxos de transporte em diversos países europeus.

LPR cresce 11%

A LPR, uma das empresas que em Portugal se dedica ao aluguer de paletes, tem crescido acima de 10% nos últimos anos. “Este crescimento evidencia o forte crescimento deste setor, onde diariamente se assiste a uma inversão da palete de compra (one way / branca), para a palete de aluguer, não só em virtude da tendência seguida pela Distribuição Moderna, como pela perceção clara e direta das mais valias proporcionadas pelo sistema de aluguer de paletes”, diz Flávio Guerreiro.

Em 2016 a empresa alcançou um crescimento de 11%, dos quais 90% dizem respeito ao mercado nacional, sendo os restantes 10% relativos a exportações, sobretudo dentro da UE. Para este crescimento contribuiu “uma carteira de clientes de que fazem parte as principais empresas produtoras nacionais e a contínua captação de novos clientes”. Este ano, a LPR prevê seguir a tendência dos anos anteriores, “reforçando de forma sustentada a sua posição no mercado nacional”.

Os principais clientes da LPR pertencem ao setor do FMCG, apesar do portfólio ser bastante diversificado, em termos de tipologia de clientes e da sua dimensão, com uma forte presença de pequenas/médias empresas, que traduz a composição do tecido industrial português. “Apesar das diferenças e particularidades dos nossos clientes, criamos soluções personalizadas, assegurando de uma forma transversal a mais valia do pool de paletes para o mercado”, diz Flávio Guerreiro.

O country manager da LPR acredita que existe um elevado potencial de crescimento nalguns setores de atividade que tendem a adotar o pool de paletes, “à medida que o mercado vai amadurecendo e percecionando as mais valias deste tipo de serviço”.

Pooling Partners adquire El Palet Verde

O grupo centenário holandês Faber Halbertsma, com o nome comercial de Pooling Partners, dispõe de serviços de pooling, para além de produzir paletes de madeira e eurocaixas. No início de janeiro, o grupo adquiriu a empresa espanhola El Palet Verde, que atua no mercado de pooling de paletes em Espanha e Portugal. As ações eram anteriormente detidas pela Zara & Logic. Com sede em Madrid, a El Palet Verde tem 32 centros de trabalho em Espanha e Portugal e conta com um volume anual de vendas superior a 5 milhões de euros. Integrada agora na Pooling Partners, a empresa mantém os clientes e o seu pool de paletes utilizará o pool de IPP Logipal da Pooling Partners.

Os principais clientes da Polling Partners pertencem ao setor do retalho, indústria automóvel e alimentar e ao setor dos transportes e da logística. Em Portugal, os clientes são sobretudo produtores alimentares, operadores de transporte e empresas ligadas ao setor automóvel. Alguns são empresas internacionais sedeadas em países europeus com fluxos para Portugal, por exemplo empresas de retalho e operadores logísticos que atuam na logística de frio e “que beneficiam da rede alargada de que dispomos na Europa”.

Christian Agasse, da Pooling Partners, afirma confiança crescente no potencial de negócio da empresa em Portugal, não apenas com as empresas portuguesas mas especialmente porque há muitas empresas europeias que estão a estender os seus negócios para Portugal”.

A empresa tem um volume de negócios anual de cerca de 300 milhões de euros e conta com cerca de 800 colaboradores. Não foram disponibilizados os valores para Portugal.

 Vantagens do cartão Kraft

A palete em cartão kraft apresenta vantagens a nível ambiental, para além de benefícios económicos e de eficiência. Os benefícios ambientais estão relacionados com o fato de serem mais baixas e leves, pelo que proporcionam mais mercadoria transportada por camião, reduzindo o número de camiões necessários. As paletes em cartão kraft requerem um transporte mínimo para a reciclagem, em comparação com as paletes em madeira, que têm de ser separadas, armazenadas e transportadas para o aterro ou centro de restauração.

No que respeita às vantagens económicas, a grande poupança acontece na carga aérea. “A diferença de peso da palete em cartão kraft para a de madeira e a diferença de preço para a palete de plástico é tão grande que permite uma diminuição do custo de transporte muito elevada, podendo esse ganho ser repartido por todos os intervenientes na cadeia de distribuição”, explica Paulo Joaquim, sócio gerente da Decisão Lógica e coordenador de atividade do departamento DLDEK, que é responsável pela comercialização da marca norte americana LIFDEK. Ainda neste primeiro semestre será criada a empresa DLDEK para autonomizar essa unidade de negócio.

As paletes LIFDEK foram originalmente desenvolvidas para dar resposta ao transporte de materiais de grande consumo. “Os custos de frete de envio e armazenamento de paletes são reduzidos em cerca de 90%, porque as paletes e skids “LIFDEK” são recebidos e armazenados de forma plana”.

As paletes e skids são recicladas pelo recetor final, com as outras caixas de papelão ondulado usadas, gerando uma receita de reciclagem e eliminando a preparação, armazenamento e os custos de carregamento necessários com a recuperação de paletes de madeira. Afirmam-se, portanto, como uma solução de transporte “one way”, com vantagens de segurança para o transporte de alimentos e produtos farmacêuticos, por não existir o perigo de contaminação em transportes posteriores.

Por serem construídas em cartão apresentam vantagens de segurança no ponto de venda e como são mais flexíveis do que a madeira, reduzem a trepidação da carga durante o transporte, o que pode ser uma vantagem no caso de mercadorias mais sensíveis, como por exemplo os equipamentos eletrónicos de grande consumo.

LIFDEK com balanço positivo

Os principais clientes das soluções LIFDEK são as empresas com necessidades de exportação cujas paletes já não têm retorno e as empresas com necessidade de fretes aéreos, devido à grande redução do custo de transporte. Aqui se incluem os setores de vestuário, calçado, equipamentos e componentes eletrónicos em geral e ligados à industria automóvel e alimentar de grande consumo. Apenas está disponível a modalidade de venda, por se tratar de uma palete geralmente usada apenas num sentido.

A solução LIFDEK foi lançada no mercado nacional há quatro anos. Paulo Joaquim faz um balanço positivo, “com destaque para o fato de termos atingido o break-even-point desta unidade de negócio do DLDEK em 2015”. No ano passado, os resultados mantiveram-se e ficaram “um pouco aquém” dos previstos inicialmente, devido ao atraso verificado no lançamento comercial da palete LIFDEK “Skid”: prevista para setembro, a comercialização iniciou-se em janeiro 2017.

A marca norte americana continua o seu programa de expansão global, com a angariação de novos distribuidores. Em 2016 iniciaram atividade novos distribuidores em Espanha, Canadá e Austrália e estão em fase de avaliação interessados na Bélgica, Holanda, Itália e Croácia. “A mudança está em curso e será cada vez mais visível a adoção desta alternativa às soluções tradicionais de madeira e plástico. Iremos com muita certeza ver replicada a estratégia IKEA por muitas mais empresas a uma escala mundial”, diz Paulo Joaquim.

 Rotom com panóplia de opções

A Rotom Portugal pertence ao grupo com o mesmo nome que, no ano passado, movimentou mais de 15 milhões de paletes na Europa, correspondente a 100 milhões de euros. Em Portugal, a empresa superou os 500 mil movimentos de paletes, o que se saldou num volume de negócios de 3 milhões de euros. A venda e aluguer de paletes cresceu 15% face a 2015 e este ano, a Rotom Portugal espera crescer 30% face a 2016. O outro grande objetivo é incrementar o aluguer no mercado nacional.

A Rotom Portugal tem serviços de venda, aluguer, reparação e manutenção dos parques de paletes, e disponibiliza serviços de pooling, através da empresa do grupo 2Return. Os principais clientes pertencem ao setor automóvel, alimentar, distribuição, componentes elétricos, vidro, papel e embalagens.

A Rotom Portugal distingue-se pela “panóplia de opções em múltiplos materiais, na venda, aluguer ou serviços”, de acordo com o gerente, Miguel Correia, para além de se assumir como uma consultora nesta área. “Vamos às empresas enquanto especialistas com mais de 35 anos de experiência nos mercados mais competitivos da Europa, identificamos muitas vezes ineficiências nas empresas e propomos modelos de paletização distintos, que proporcionam aforros económicos significativos”, explica.

Outro fator de distinção é o atual stock de paletes de madeira, nomeadamente paletes euroeias, que “dá garantia de entregas just-in-tims”. A Rotom Portugal é também uma empresa gestora de resíduos de madeira e plástico, compradores de ativos usados. “Colocamo-nos não só como vendedores, mas também como compradores e este posicionamento gera uma situação win-win”, diz Miguel Correia.

Nortpalet prossegue internacionalização

“Cada vez são mais as empresas que optam por paletes de plástico, beneficiando das suas vantagens face a outros materiais: maior higiene, estabilidade do produto, menor custo de manutenção das linhas de produção, melhor impacto visual, maior ciclo de vida, entre outras”, diz Antón Fernández, CEO da Nortpalet, fabricante de paletes de plástico produzidas com materiais reciclados de qualidade, que garantem uma “excelente relação qualidade-preço”.

Estas vantagens tornam as paletes de plástico apetecíveis por clientes de setores de atividade muito diversos, desde empresas de pool, operadores logísticos, empresas farmacêuticas, setor de carne e pescado, entre outros. Estes estão entre os clientes da Nortpalet que consomem maior volume de paletes de plástico. A empresa apenas disponibiliza a opção de venda, em dois sistemas: um canal de venda direta e uma rede de distribuição.

A Nortpalet tanto fornece paletes às empresas de pool espanholas e estrangeiras mais relevantes do mercado, que depois as alugam a terceiros, como fornece empresas de diferentes dimensões dos setores alimentar, retalho, têxtil, química e farmácia, automóvel, entre outros, que usam estas paletes para transportar e armazenar os seus próprios produtos.

O elemento de diferenciação da Nortpalet é o serviço ao cliente. “Cada cliente é informado e assessorado ao longo de todo o processo de compra”, garante Antón Fernández. Além disso, a empresa assegura entregas numa semana, no máximo, desde a encomenda até à entrega ao cliente, para os produtos de catálogo, graças ao sistema de venda e expedições existente.

Com um forte posicionamento em Espanha, a Nortpalet tem um “crescente reconhecimento” em Portugal e em países como França, Alemanha ou Reino Unido. A empresa também exporta para mais de uma dezena de países de diferentes continentes. Este ano, a estratégia passa por “consolidar este posicionamento e continuar a crescer em termos de internacionalização, para nos afirmarmos como uma referência no setor de embalagem a nível internacional”.