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STEF Portugal reforça serviços para a restauração

François Pinto - STEF portugal - Logística e Transportes Hoje

Na primeira entrevista que dá, após assumir a liderança da STEF Portugal, François Pinto fala à Logística & Transportes Hoje sobre os projetos e investimentos previstos para a empresa e os principais desafios do setor da logística de frio. Duas apostas da STEF em Portugal são os os investimentos no seu dispositivo imobiliário e o desenvolvimento de serviços específicos para os clientes da restauração, uma área que cresce no nosso país.

A STEF Portugal é especializada na logística sob temperatura controlada, com quatro tipos de serviços: o transporte, a logística integrada, os sistemas de informação e os serviços complementares. Quais destes serviços são mais relevantes para o volume de negócios da empresa e onde esperam crescer mais no curto e médio prazo?

O transporte e a logística integrada são o core business da STEF em Portugal. As atividades de transporte vão desde as recolhas no produtor à distribuição, desde o capilar às cargas completas. Já a logística integrada compreende os serviços desde o aprovisionamento, passando pela armazenagem, preparação e distribuição considerando todos os tipos de fluxos (tenso, stockado, etc) e em todas as temperaturas.

Em qualquer caso, o nosso objetivo é acompanhar as evoluções da cadeia de abastecimento acrescentando valor aos nossos clientes, através da oferta de um conjunto de serviços adaptado às suas necessidades.

Os clientes da STEF Portugal são empresas da indústria alimentar, retalho e restauração. Qual é o peso de cada uma das três tipologias no vosso portfolio de clientes e quais as expetativas de evolução?

A STEF em Portugal está presente de forma significativa e equiparada na indústria alimentar, no retalho e na restauração. O setor da restauração tem demonstrado grande dinamismo nos últimos anos, também justificado pelo incremento do turismo em Portugal. Desta forma, a nossa decisão de desenvolver serviços específicos para esta tipologia de clientes, tais como foram apresentados noutros países do grupo, tem tido um sucesso importante.

No caso dos clientes da restauração, o grupo STEF tomou decisões que passaram por uma redução voluntária das vendas realizadas por conta de terceiros, devido às arbitragens seletivas operadas no portefólio de clientes do segmento da restauração. Quais foram as implicações destas decisões no negócio da filial portuguesa?

Estas medidas não tiveram qualquer impacto na atividade da STEF em Portugal.

A STEF é especialista na logística do setor de frio para todos os produtos agroalimentares e termossensíveis. Quais são os setores em que trabalham dentro da categoria termossensíveis? É uma categoria relevante para o grupo em Portugal?

Na categoria dos termossensíveis incluem-se todos os produtos que requerem uma temperatura controlada específica. São exemplos desta tipologia produtos como o chocolate ou os vinhos. Esta é uma categoria que atualmente ainda não apresenta um peso relevante na nossa atividade.

Em 2016, a STEF Portugal criou uma nova linha de exportação para Espanha, que veio consolidar o investimento feito pela empresa nos últimos anos nos serviços de transporte de exportação, sobretudo para mercados de grande potencial para as marcas portuguesas, como o de grupagem, para a Bélgica, Holanda, Espanha, França, Itália, Reino-Unido e Suíça. Em que consiste a estratégia da STEF Portugal para dar resposta às necessidades de exportação das empresas portuguesas?

 A STEF continua a apostar na criação de linhas de exportação para a Europa muito competitivas, disponibilizando aos seus clientes a capacidade das suas redes nacionais para lhes possibilitar um desenvolvimento à altura do potencial do mercado europeu.

Estivemos presentes no último SISAB – Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas, onde apresentamos uma oferta com saídas diárias para as principais cidades europeias e que reúne toda a nossa experiência e conhecimento dos mercados europeus e das exigências dos destinatários, por forma a acelerar os seus fluxos internacionais e garantir-lhes sucesso nestas transacções.

No ano passado, as atividades internacionais, fora de França, impulsionaram o crescimento do Grupo STEF e, no final do ano, a filial portuguesa tinha conseguido um aumento de 4% do consumo alimentar e tinha conseguido um novo cliente europeu especializado em produtos lácteos. Qual tem sido o contributo da filial portuguesa para os resultados do Grupo?

Em 2016 a filial portuguesa contribuiu positivamente para os resultados do grupo.

A STEF tem previsto um forte plano de investimentos em Portugal. Pode detalhar em que consistem estes investimentos?

 Temos realizado importantes investimentos em Portugal, de que é exemplo a ampliação da nossa plataforma do Porto, e uma nova plataforma regional em Coimbra, para suportar o desenvolvimento da região centro e acelerar os fluxos logísticos, garantindo maior competitividade aos nossos clientes. Neste momento estamos a ampliar a nossa plataforma de Lisboa.

Estes investimentos encerram a primeira fase de um plano que contempla novos projetos para o próximo triénio.

Por fazer parte do Grupo STEF, a STEF Portugal tem interligação com mais de 200 plataformas e entrepostos frigoríficos distribuídos por sete países europeus. Quais são as vantagens que decorrem das sinergias existentes com a casa-mãe?

Estas sinergias assumem particular relevância para os fluxos internacionais, que permitem aos produtores nacionais colocarem os seus produtos ou realizarem os seus aprovisionamentos no mercado europeu, acedendo à capacidade das nossas redes nacionais com garantia de qualidade e rastreabilidade desde o momento da recolha até à entrega do seu produto.

Além disso, trabalhar com empresas da indústria agroalimentar e do retalho que são referências europeias permite-nos partilhar experiências de sucesso.

François Pinto - STEF

O setor da logística de frio em Portugal é fortemente competitivo. Como a STEF Portugal se posiciona no mercado e quais são os principais fatores de diferenciação face a empresas concorrentes?

 A STEF diferencia-se, por um lado, pela qualidade e localização dos seus dispositivos imobiliários, que abrangem todo o território, e pela moderna frota de transporte multi-temperatura.

Por outro lado, os importantes investimentos no desenvolvimento do sistema de informação permitem, quer ao cliente, quer às nossas equipas, a total rastreabilidade e controlo, a qualquer momento de todas as atividades tratadas na cadeia. Para terminar, mas não menos importante, o know how das nossas equipas e o constante investimento em formação são o garante de uma empresa com um serviço diferenciador.

No ano passado, o volume de negócios acumulado da STEF foi de 2.824,5 milhões de euros, equivalente ao do ano anterior, mas com uma progressão de 12% do resultado operacional e de 15,8% do resultado líquido imputável ao Grupo. Qual foi o volume de negócios da STEF Portugal em 2016 e quais são as expetativas de evolução para este ano, em termos do Grupo e da filial portuguesa?

Os dados mais recentes, do primeiro trimestre de 2017, mostram que o desenvolvimento comercial e a densificação da rede de transporte de grupagem na Península Ibérica contribuíram para o aumento de 6,3% do nosso volume de negócios.

As expectativas são de manter a tendência dos últimos anos.

Quais são, na sua opinião, os principais desafios do setor da logística de frio, atualmente em Portugal, e quais as estratégias que a STEF Portugal tem delineadas para dar-lhes resposta?

 Os factores críticos de decisão no setor da logística de frio mantêm-se no tempo: qualidade, fiabilidade, perenidade e rigor das soluções, bem como a capacidade de propor soluções que se adaptem às futuras necessidades dos nossos clientes. Estes terão de ser sempre o foco da nossa atenção e atuação quotidiana. Outro aspecto muito relevante, e ao qual damos resposta com a adequação do nosso dispositivo, é a redução do lead time de entrega, um fator cada vez mais valorizado pelos nossos, e pelos seus clientes, em benefício do consumidor final.