Especial: Bolsa de Cargas

Especial: Bolsa de Cargas

Apesar da crise económica, o conceito bolsas de cargas mantém-se em alta. A procura está relacionada com o facto de permitirem aumentar a produtividade dos seus utilizadores. As bolsas de cargas dão resposta à complexidade das trocas de mercadorias num ambiente internacional e são possíveis graças à sofisticação tecnológica, que permite disponibilizar em plataformas tecnológicas, na Internet, um conjunto alargado de ofertas de transporte de carga e de veículos.

A grande vantagem das bolsas de cargas para o setor dos transportes é ampliarem o leque de escolha de operações. Desta forma, os transportadores conseguem uma maior ocupação média dos seus veículos e evitam o transporte “em vazio” e os proprietários das cargas obtêm mais opções, a preços mais acessíveis, para a deslocação das suas mercadorias. É possível gerir melhor uma empresa em momentos de escassez de ordens de trabalho, graças ao acesso a outras oriundas de mercados alternativos”, explica Luis Griffo, Diretor Geral da Teleroute Portugal. “Esta oportunidade é vital, sobretudo no caso de Portugal. Graças à nossa cobertura europeia, alguns transportadores portugueses estão a fazer operações fora das fronteiras e a mudar o perfil de serviços das suas empresas, sem pôr de lado os clientes fiéis e rentáveis da sua carteira”.

As bolsas de cargas são utilizadas por empresas de transporte de qualquer dimensão, desde transportadores independentes, a empresas de transporte com frota própria, grandes operadores logísticos, transitários e agências de transporte nacionais e internacionais.

Estas plataformas tecnológicas devem ser de fácil utilização e são tanto mais valiosas quanto maior a rede de contactos de que dispõem e o seu caráter internacional. Motivo pelo qual as empresas que disponibilizam bolsas de cargas têm sempre presença internacional. A Teleroute, presente em mais de 27 países europeus, dispõe em Portugal de uma delegação operativa, e faculta uma bolsa de cargas com mais de 70 mil utilizadores e mais de 200 mil cargas e veículos diários. No nosso país, o seu sistema conta com cerca de dois mil utilizadores diários.

Outra empresa, a TimoCom conta com uma plataforma na qual participam 85 mil utilizadores, que disponibilizam mais de 300 mil ofertas de transporte e veículos, o que se traduz numa média de 3,5 ofertas por utilizador por dia. Criada em 1997, esta empresa assume-se como um fornecedor de serviços de comunicação para empresas envolvidas em operações de transporte e conta com uma equipa constituída por 300 pessoas em 44 países e com escritórios na Polónia, República Checa e Hungria. O sistema da Wtransnet conta com 9 mil empresas de 23 países europeus, as quais fazem parte da chamada Comunidade da Wtransnet. Nesta empresa com sede em Barcelona, trabalham 130 pessoas. Para além de uma divisão em França, em 2009 foi criada uma no Brasil.

Com o objetivo de fornecer o melhor serviço ao cliente em ambiente internacional, estas empresas contam com ferramentas de comunicação online, que disponibilizam o maior número possível de línguas, e call centres que empregam pessoas de diferentes nacionalidades, capazes de comunicar com os clientes nas suas línguas de origem. “A nossa força é a capacidade de prestar assistência nas línguas de origem”, refere Marcel Frings, Chief Representative e Director Sales & Business Development da TimoCom. O site desta empresa está disponível em 25 línguas, existem páginas de Facebook para dez países, com mais de 6 mil fans, e a sua equipa de apoio ao cliente, constituída por 50 pessoas, presta apoio aos clientes na sua língua de origem.

 

Garantir segurança

Se a grande vantagem das bolsas de cargas é reunirem numa só plataforma milhares de opções de transporte, o grande risco é a segurança. Porque quando se negoceia à distância todos os cuidados são poucos. Para que o sistema seja fiável, é preciso que seja seguro e este é um requisito fundamental para os promotores destas bolsas, que refinam a cada dia os critérios de segurança.

Alguns exemplos de medidas de segurança aplicados pela empresa TimoCom: por regra, o acesso ao sistema só é possível por empresas constituídas há mais de seis meses. Antes de assinarem contrato, são exigidos documentos como o certificado de registo. Os utilizadores recebem uma chave de login encriptada. Após a assinatura do contrato são efetuados controlos regulares e são acompanhados os casos onde se verificam desvios ou anormalidades ao padrão. Para além destas medidas standard, existe no site da TimoCom uma secção adicional sobre segurança com informação sobre as garantias de segurança prestadas pela TimoCom e conselhos úteis. Recentemente, a empresa criou um serviço informativo em que os clientes, antes de contratar o serviço, podem confrontar os documentos que receberam da parte dos seus potenciais parceiros de negócios com aqueles que a equipa da TimoCom dispõe.

“A segurança dos processos de transporte e a rastreabilidade são dois pilares fundamentais para a qualidade”, confirma Luis Griffo, da Teleroute. Também nesta empresa apenas operam empresas credenciadas de serviço público de mercadorias.

Mais do que contactos, estas empresas visam oferecer “um ambiente de segurança e confiança para as relações comerciais, que hoje em dia é um valor principal”, como refere Manuel Fontes, Area Manager da Wtransnet Portugal. Para tal, a empresa aposta em “aplicações online fáceis de usar, que facilitam o networking, entre os membros da comunidade”. A nível de fiscalidade, o seu sistema QAP garante que todas as empresas que formam parte da comunidade da Wtransnet têm a documentação atualizada e cumprem os requisitos legais. Através de uma parceria com a seguradora COFACE, esta encarrega-se de auditar e qualificar a solvência de cada uma delas, enquanto o Comité Auditor de Associados da Wtransnet se responsabiliza por controlar o profissionalismo e o correto comportamento das empresas dentro da Comunidade, advertindo aquelas que incumpram qualquer das normas estabelecidas.

 

Mercado otimista

Apesar da crise económica e das dificuldades dela decorrentes para as empresas de transportes e logística, as empresas que disponibilizam bolsas de cargas estão satisfeitas com a evolução do negócio. A procura está relacionada com o facto de as bolsas de cargas permitirem aumentar a produtividade dos seus utilizadores. “Os nossos clientes aumentam a sua rentabilidade e conseguem uma melhor gestão empresarial”, segundo a Teleroute Portugal. Esta empresa pretende “desenvolver serviços aplicando tecnologia ao serviço dos transportes e democratizando a sua utilização, tanto junto das grandes empresas como dos transportadores independentes”.

Para além dos serviços comuns, assiste-se a uma procura de ferramentas complementares às bolsas de cargas. “As empresas começam a reduzir o círculo de colaboradores, selecionando cuidadosamente os seus contactos, trabalhando com menos fornecedores, mas oferecendo mais volume de trabalho a cada um deles. Deste modo, conseguem fidelizar os seus fornecedores, melhorar o serviço que prestam e aumentar a satisfação dos seus clientes”, afirma Manuel Fontes. A Wtransnet conta com uma divisão exclusiva para grandes grupos, a Divisão Corporate, que oferece soluções para a contratação de transporte e sistemas de homologação de transportadores. Esta empresa quer distinguir-se pela orientação ao cliente. “80% dos nossos profissionais está dedicado à atenção e seguimento personalizado de cada empresa e atende mais de 180 mil chamadas anuais”. Para fomentar as relações interprofissionais, a Wtransnet organiza eventos como o Encontro Internacional de Profissionais do Transporte, que este ano celebrará a sua III Edição, e Jornadas Formativas para associados.

O futuro das bolsas de cargas está no contínuo aperfeiçoamento tecnológico, que permite disponibilizar plataformas mais inteligentes e que proporcionem alternativas, incluindo a sua integração no sistema de gestão de transporte das empresas. A par, será pela tecnologia que se obterá crescente segurança nas operações, bem como na negociação online dos acordos. “Estas funcionalidades, que parecem simples, são pontos fundamentais para o futuro das bolsas de carga, pois cada dia se fazem mais transações de maior complexidade”, refere Luis Griffo, da Teleroute Portugal.

Leia este artigo na íntegra na edição nº98 da Logística & Transportes Hoje.