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Grupo PSA e FIAT Chrysler querem unir forças para criar líder mundial

O Groupe PSA e a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) acordaram, ambos e unanimemente, em trabalhar com vista à combinação completa das suas respetivas atividades, através de uma fusão 50/50. No comunicado conjunto dos dois fabricantes automóvel, pode ainda ler-se que “os dois Conselhos deram às respetivas equipas um mandato de finalização das negociações para se alcançar um Memorando de Entendimento nas próximas semanas”.

A proposta de combinação das atividades do Groupe PSA e da FCA surge após intensas discussões entre os líderes dos dois grupos [1], partilhando ambos a convicção de que “há uma lógica evidente por trás desta iniciativa tão audaz e decisiva, que levaria à criação de um líder industrial, com a escala, as capacidades e os recursos necessários para aproveitar, com sucesso, as oportunidades e gerir eficazmente os desafios da nova era da mobilidade”.

Esta combinação permitiria criar o 4.º maior construtor mundial em termos de vendas anuais (8,7 milhões de veículos), com um volume de negócios consolidado de aproximadamente 170.000 milhões de euros, um resultado operacional corrente superior a 11.000 milhões de euros, considerando os resultados agregados de 2018, excluindo-se a Magneti Marelli e a Faurecia.

A significativa criação de valor gerada por esta transação é estimada em cerca de 3.700 milhões de euros de sinergias anuais. Estas resultariam, principalmente, de uma alocação mais eficiente de investimentos de longa escala em plataformas de veículos, cadeias de tração e tecnologias, e uma maior capacidade de compra, inerente à nova dimensão do grupo. Essas estimativas de sinergias não são baseadas no encerramento de qualquer fábrica.

Prevê-se que 80% das sinergias sejam alcançadas até ao final do quarto ano, prevendo-se, ainda, que a estimativa de custo para alcançar as sinergias é de 2.800 milhões de euros.

Os acionistas de cada empresa deteriam, respetivamente, 50% do capital da nova entidade e, como tal, partilhariam, também em partes iguais, os benefícios dessa combinação. A transação ocorreria mediante uma fusão dos dois grupos, através de uma empresa-mãe holandesa.

No comunicado lê-se que “a governação da nova entidade seria equilibrada entre os acionistas e a maioria dos administradores seria independente”. Assim, o Conselho de Administração seria composto por 11 membros: 5 membros do Conselho seriam nomeados pela FCA (incluindo John Elkann como Presidente) e 5 membros pelo Groupe PSA (incluindo o Administrador de Referência e o Vice-Presidente). Carlos Tavares teria um mandato inicial de 5 anos como CEO, sendo, também, membro do Conselho de Administração.

Nas palavras de Carlos Tavares, “esta convergência traz uma criação de valor significativa para todas as partes envolvidas e abre um futuro promissor para a empresa resultante da fusão”, concluindo que “terei um enorme orgulho em construir uma empresa de referência.

Já do lado da FCA, o CEO Mike Manley, acrescenta: “estou convicto de que, em conjunto com as nossas excelentes equipas, podemos criar um protagonista na mobilidade de classe mundial.”

A empresa-mãe holandesa da nova entidade seria cotada no Euronext (Paris), Borsa Italiana (Milão) e no New York Stock Exchange, continuando a manter uma presença importante nas sedes operacionais dos dois grupos, em França, Itália e nos EUA.

Antes da conclusão da operação, a FCA distribuiria aos seus acionistas um dividendo excecional de 5.500 milhões de euros, bem como a sua participação na Comau. Para além disso, antes da conclusão da operação, a Peugeot S.A distribuiria aos seus acionistas a sua participação de 46% na Faurecia. Isso permitiria que os acionistas de ambos os grupos partilhassem, em partes iguais, as sinergias e benefícios que resultariam de uma fusão, reconhecendo o valor significativo da presença da FCA na América do Norte e a sua forte posição na América Latina, incluindo as suas margens, que são as melhores do mercado nestas regiões. Tal também refletiria o valor agregado associado ao potencial de desenvolvimento das marcas topo de gama da FCA, Alfa Romeo e Maserati.

Uma vez combinado, o portfólio alargado das duas empresas associadas cobriria todos os segmentos de mercado, através de marcas emblemáticas e de produtos fortes, assentes em plataformas racionalizadas e na otimização dos investimentos relativos aos diferentes modelos.

Num ambiente em rápida mutação, em que se enfrentam novos desafios em matéria de mobilidade conectada, eletrificada, partilhada e autónoma, “a nova entidade conjunta poderia tirar partido da sua forte pegada mundial de Pesquisa e Desenvolvimento e do seu ecossistema, para acelerar a inovação e enfrentar esses desafios com agilidade e eficiência económica”, termina o comunicado.

De referir que este possível acordo vem na sequência do falhanço da fusão entre a FCA e o grupo Renault, no passado mês de junho.