Mercados

Itália: muito por onde crescer

View of  Rome from Castel Sant'Angelo, Italy.

As exportações portuguesas para Itália têm vindo a aumentar nos últimos anos, mas as relações comerciais entre os dois países ainda têm muito por onde crescer, para dar resposta à extensa oferta e complementaridade das duas economias. Eduardo Souto de Moura, Diretor da AICEP Milão, considera que há várias oportunidades de crescimento para as empresas portuguesas, não apenas nos vários setores onde atualmente já exportam mas também noutros, como as TIC.

 

A economia italiana é a terceira maior economia da Zona-Euro. É caracterizada pela sua diversidade, compreendendo uma região Norte mais industrializada, dominada por empresas privadas, e uma região Sul, predominantemente agrícola. A economia italiana é impulsionada, em grande parte, pela produção de bens de consumo de elevada qualidade, produzidos por pequenas e médias empresas. Itália é um dos principais parceiros económicos de Portugal: em 2016 foi o nosso sétimo cliente e o quarto fornecedor. Estas posições mantiveram-se nos primeiros nove meses de 2017. No entanto, o peso de Portugal no comércio italiano é consideravelmente menos relevante, existindo uma boa margem de crescimento, dada a extensa oferta e a complementaridade das duas economias. A análise é de Eduardo Souto de Moura, Diretor da AICEP Milão.
Pela diversificação da economia italiana, as exportações portuguesas para este mercado são também muito variadas, abrangendo setores como o mobiliário, maquinaria e material elétrico, agroalimentar, químicos, vestuário e calçado, madeira e cortiça, entre outros. “O mercado italiano é sobejamente conhecido pelas empresas portuguesas”, garante Eduardo Souto de Moura.
Na sua opinião, o setor das TIC deverá também merecer grande atenção, particularmente no que se refere às oportunidades de investimento. “O mercado italiano é um mercado disponível para inovação, por exemplo, no setor das redes informáticas, em especial na ótica dos serviços de banda larga. No seguimento das prioridades do governo italiano em criar projetos relativos à gestão de dados à distância e à proteção dos meios de pagamento eletrónico, existem oportunidades de negócio para as empresas portuguesas encontrarem parcerias de sucesso com as empresas italianas, durante os próximos anos.
Existe também interesse por parte dos investidores italianos na criação de parcerias nos setores do ambiente, “em que se reconhece o forte know-how português”, da mecânica de precisão, dos químicos e dos produtos farmacêuticos, pelo que a experiência e qualidade das empresas portuguesas poderá ser essencial. Todavia, para as empresas portuguesas, “a principal área de investimento continua a ser a área comercial, com a aposta em redes comerciais para levar os seus próprios produtos ao mercado”.
As empresas italianas poderão também encontrar em Portugal um parceiro de investimento e de expansão das suas operações, neste caso dentro da UE, onde podem encontrar “talento e uma boa flexibilidade laboral, uma localização estratégica e, acima de tudo, manutenção da qualidade do produto”, considera Eduardo Souto de Moura.

 

28 empresas portuguesas em Itália

Nos primeiros cinco meses deste ano, as nossas vendas de bens e serviços para o mercado italiano aumentaram 12,4% face ao período homólogo do ano anterior, enquanto as compras cresceram 10,4%.  Os setores com maior troca comercial entre Portugal e Itália são o das viaturas e componentes para automóveis, papel e pasta de papel, metalomecânica, máquinas e aparelhos elétricos, cortiça, plástico, confeções em malha, entre outros. Itália representou 3,1% das exportações de bens e serviços de Portugal em 2016. Apesar de a balança comercial ser desfavorável ao nosso país, o volume de exportações portuguesas para aquele país tem vindo a aumentar. Entre 2012-2016, o crescimento médio anual foi de 1,7%, mas em 2016 registou-se um crescimento superior: 6,1%.

 

Os produtos portugueses mais exportados para Itália foram produtos agrícolas, máquinas e aparelhos, veículos e outro material de transporte, pastas celulósicas e papel e plásticos e borracha. Estes produtos representaram mais de metade do total de exportações de Portugal para Itália em 2016. Os produtos exportados que melhor desempenho tiveram foram os produtos agrícolas (+30% face a 2015), o vestuário (+20%), os plásticos e borracha (+11,1%), e os veículos e outro material de transporte (+10,4%).
Atualmente há 28 empresas portuguesas com uma filial em Itália, sobretudo nos setores da construção, farmacêutico, cortiça, metalomecânica e fertilizantes. “Trata-se principalmente de empresas de distribuição mas, nos últimos anos, é de realçar que tem aumentado o investimento produtivo, nomeadamente na metalomecânica, o que é uma boa notícia”, diz o Diretor da AICEP Milão.
Na sua opinião, a oferta de transporte entre Portugal e Itália é “ampla e completa”, tanto em termos de transporte aéreo, como de transporte marítimo e rodoviário. “O aumento das trocas comerciais entre os dois países, nos últimos anos, permitiu aos operadores logísticos reduzir os preços. Hoje as empresas portuguesas e italianas beneficiam de uma oferta variada, com um nível de preços inferior ao do passado”. Eduardo Souto de Moura dá o exemplo de um importante operador de transporte, que envia 20 camiões por semana entre Portugal e Itália, e que informou sobre a difusão das plataformas de logística Palletsway. “Permite a chegada dos produtos a todo o território italiano rapidamente e a um custo razoável, mesmo com pequenas quantidades de produtos. Este tipo de serviço é extremamente rentável para as empresas, que não são obrigadas a criar um armazém de produtos, tanto em Portugal como em distribuidores italianos”.

 

 

Os apoios com que pode contar

O escritório da AICEP em Milão presta os seguintes serviços às empresas interessadas em iniciar relações comerciais no país:

  • Disponibilização de listas de potenciais importadores;
  • Acompanhamento das empresas no contacto com os potenciais clientes, por exemplo ajudando na marcação de encontros, etc);
  • Apoio às empresas e associações empresariais na participação em feiras Internacionais, como é o caso da MICAM (calçado), Marmomacc (mármores) e Saloni del Mobile (mobiliário).
  • Apoio jurídico às empresas que o requisitem.

 

 

Prós

  • Itália tem 60 milhões de habitantes, que são potenciais turistas e investidores em Portugal e constituem um mercado apetecível.
  • Proximidade geográfica e afinidade cultural própria dos países do sul da Europa.
  • Os produtos portugueses são cada vez mais percecionados como produtos muito competitivos numa ótica preço/qualidade.

Contras

  • Portugal não é divulgado de forma consistente em Itália, o que leva a que se percam oportunidades de negócio em várias frentes.
  • É preciso continuar a trabalhar a visibilidade dos produtos portugueses junto do mercado italiano.
  • Portugal como destino turístico ainda é pouco conhecido pelos italianos.
  • É preciso reforçar o investimento em marketing para divulgar e promover a excelência de Portugal em Itália.

Conselhos

  • Dê a conhecer a sua empresa e os produtos que comercializa. Para isso, nada melhor do que visitar as feiras italianas do seu setor de atividade e visitar Itália para conhecer os seus potenciais clientes.
  • Para ter um bom relacionamento com as empresas italianas aposte no contacto direto. Os canais indiretos, como a Internet, são insuficientes.