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Conferências L&TH

A “nova” ‘last mile’ precisa de uma cidade inteligente

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Não há volta a dar. A pandemia trouxe novos desafios, nomeadamente na chamada última milha. A solução passa por investir em smart cities, na transparência de todo o processo e numa melhor interação entre os players, trabalhando numa logística colaborativa.

As vantagens das smart cities e a questão da micrologística. Dois temas abordados no segundo dia das Conferências L&TH da revista LOGÍSTICA&TRANSPORTES HOJE.

 

As pessoas concentram-se nas cidades porque é lá que há mais recursos e pela mobilidade. No entanto, como constata João Moutinho, diretor de Negócio e Internacionalização no Built CoLab, a mobilidade nas cidades tem vindo a piorar. A solução passa por gerir as cidades de forma inteligentes. Por adotar medidas que solucionem os problemas. Nomeadamente a questão da mobilidade. Porque “sem mobilidade as cidades têm um grave problema”. Principalmente no que concerne à logística e mais ainda na logística da última milha.

O executivo deu o exemplo da Burger King que, na Cidade do México, considerada a cidade com mais trânsito a nível mundial, ao detetar que as pessoas passavam mais tempo no trânsito passou a oferecer o serviço de entregar comida a essas mesmas pessoas (enquanto estavam presas no trânsito). Esta é uma solução de logística que nasce da dificuldade do próprio tráfego.

 

Estudos indicam tendências do que podemos esperar nos próximos anos. Desde smart roads, com redes de abastecimento inteligentes que permitam abastecer os veículos elétricos, a veículos automatizados, utilizados em entregas de proximidade, entregas por drones…, mas isto só será possível se as comunicações acompanharem, nomeadamente através do 5G. Esta automação tem de conseguir comunicar com a cidade por forma de redirecionar a sua trajetória em caso de congestionamento, obras ou acidente.

Miguel Gaspar, Vereador da Mobilidade, Segurança, Economia e Inovação na Câmara Municipal de Lisboa (CML), por seu lado, falou da importância da micrologística, onde vários operadores logísticos partilham o mesmo hub. E deu o exemplo dos novos parques de estacionamento que a CML irá construir. “Custa muito pouco preparar esses parques de estacionamento para ter, ao lado, um ponto de micrologística”. Mas, para isso, é preciso que o mercado/operadores mostrem interesse. Porque, afirma Miguel Gaspar, isso não tem acontecido, o que mostra que os operadores ainda estão “um pouco atrasados nesta conversa”.

 

O vereador acredita que estamos numa fase de mudança e que precisamos de ir mais longe. E defende uma mesa redonda onde se debata a micro mobilidade da cidade de Lisboa. Para tal defende a realização de reuniões quinzenais com os operadores para analisar o que “está a correr bem e o que é preciso melhorar”.