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Portos

A saga do Ever Given continua: Egito apreende navio e exige indeminização

O Ever Given foi agora apreendido pela Autoridade do Canal do Suez, que exige uma indeminização de 916 milhões de dólares.

Mais de três semanas depois de ter encalhado no Canal do Suez, existe um novo capítulo na saga do navio Ever Given. A embarcação foi agora apreendida pela Autoridade do Canal do Suez, que exige uma indeminização de 916 milhões de dólares (767 milhões de euros) aos proprietários do porta-contentores, noticia o Jornal Económico.

Em declarações ao canal público de televisão do Egito, e replicadas pelo Jornal de Negócios,  foi confirmado por um tenente-general que o navio Ever Given foi “oficialmente apreendido”.

“Eles não querem pagar nada”, avançou o responsável, referindo-se à Shoei Kisen Kaisha, a empresa japonesa dona do navio. Até agora, a empresa ainda não teceu comentários sobre esta acusação.

O navio encontrava-se à guarda das autoridades egípcias desde o fim do bloqueio que causou. A ordem de retenção do navio, até ser paga uma indeminização, foi feita pelo Tribunal Económico de Ismaília, capital da província homónima na margem ocidental do Canal de Suez.

Reação da seguradora do navio

Num comunicado, a seguradora britânica UK P&I Club diz “lamentar” a decisão das autoridades egípcias de arrestar o navio até ao pagamento da indemnização.

A UK P&I Club indicou que a Autoridade do Canal do Suez “não avançou uma justificação pormenorizada” para o pagamento da indemnização. Este pagamento inclui uma rubrica de 300 milhões de dólares (251 milhões de euros) por “danos reputacionais” e outro montante idêntico pelo a título de “bónus de salvamento”, não avançando as razões para o valor em falta (316 milhões de dólares – 265 milhões de euros)

“Apesar da magnitude da reclamação, que em grande parte não tem suporte, os proprietários e as suas seguradoras têm negociado de boa-fé com a SCA”, disse a empresa.

Em 12 de abril, referiu, a seguradora fez uma “oferta generosa e cuidadosamente estudada”, razão pela qual a decisão da autoridade do canal de reter o navio constitui uma “deceção”.

“Também estamos dececionados com os comentários feitos pela SCA de que o navio ficará retido no Egito até que seja paga a indemnização e que a tripulação não poderá sair durante esse período”, acrescentou.

A seguradora destaca na nota que o bloqueio do canal não gerou “contaminação” nas águas nem causou feridos, realçando que, quando ocorreu o acidente, o navio estava “em pleno funcionamento, sem defeitos nas máquinas ou no equipamento”.

Inicialmente, estava previsto que o porta-contentores retomasse o caminho rumo a Roterdão (Países Baixos), mas acabou por ficar retido no Egito, para investigação.

Recorde-se que para além do arrasto deste processo, a situação do Ever Given provocou atrasos globais que podem demorar semanas ou meses a resolver-se e que colocaram várias empresas à procura de rotas alternativas, como a do Ártico. Esta última já foi recusada pela MSC como uma alternativa viável.