Portos

AGEPOR traça as prioridades para o setor marítimo-portuário

AGEPOR traça as prioridades para o setor marítimo-portuário

Durantes as celebrações dos 100 anos de associativismo dos Agentes de Navegação e o 20.º aniversário da AGEPOR, o presidente da Associação Dos Agentes De Navegação De Portugal, Rui D’Orey, apontou o aumento do investimento e da capacidade dos portos, a conclusão do projeto JUL (Janela Única Logística) e a paz social como as principais necessidades para o setor marítimo-portuário.

No que respeita à JUL – projeto iniciado em 2018 para estender a Janela Única Portuária a toda a cadeia logística nacional, numa lógica intermodal – “é prioritário avançar com a sua implementação, de forma a que a dimensão física seja complementada e suportada por uma dimensão digital”, notou Rui D’Orey, salientando que os agentes de navegação são peças-chave desta plataforma, uma vez que atuam como pivots na cadeia logística dos portos.

No evento foi, igualmente, destacado que o transporte marítimo, centro da atividade dos agentes de navegação, é responsável por cerca de 90% do comércio mundial, e que, em Portugal, em 2018, mais de 75% das importações e quase metade das exportações passaram pelos portos.

A contribuição da economia do Mar para o PIB nacional é de 5% e o setor marítimo-portuário representa uma parte significativa desse valor. Por isso, é necessário investir nos portos portugueses para garantir a execução da “Estratégia para o Aumento da Competitividade Portuária” (documento-chave apresentado em 2016 pelo Ministério do Mar), “cuja concretização tem vindo a ser feita a um ritmo mais lento do que os portos, o mercado e a economia necessitam”, acrescentou Rui D’Orey. Como exemplo de investimentos previstos, o responsável destacou: o alargamento da PSA Sines, o novo terminal Vasco da Gama, as dragagens do porto de Setúbal, a modernização da LISCONT em Lisboa ou o Terminal -14 de Leixões.

Como último – mas não menos importante – Rui d’Orey evidenciou a paz social como vetor essencial para o desenvolvimento portuário. “Os portos nacionais, em especial o de Lisboa, têm sido continuamente assolados por greves ou ameaças de greve, desde 2012. Este é um aspeto negativo, porque não existe crescimento de um porto sem uma saudável cumplicidade entre os trabalhadores portuários e os demais stakeholders. Basta ver os portos nacionais que crescem e os que marcam passo ou definham: a correlação com a paz social é direta e clara. O crescimento do porto traz prosperidade para todos”.

Digitalização e descarbonização entre os principais desafios do setor
A pensar no futuro, a AGEPOR identificou como maiores desafios do setor marítimo-portuário: a digitalização; a sustentabilidade ambiental (como são exemplo as novas regras de emissão de enxofre que entram em vigor a partir de 2020 e representarão um aumento de custos para a indústria na ordem dos 60 milhões de euros; ou a redução até 50% das emissões de gases com efeitos de estufa até 2050); a impressão 3D; a robotização e a automação, o big data, a IA e IoT.

Ainda que os agentes de navegação tenham hoje funções completamente diferentes das que desempenhavam há 100 anos, “a sua presença física nos portos e o seu papel enquanto interlocutores locais permanecem valiosos”, sublinhou Rui D’Orey, acrescentando: “uma pequena demora na estadia de um navio custa muito mais a um armador do que qualquer poupança, sempre irrisória, no custo de um agente”.