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Supply Chain

Pandemia “recodifica” novas oportunidades

embalagens

Acompanhando as tendências logísticas de automação de processos e desenvolvimento de soluções à medida, a área de negócio de embalagens e codificação mantém a sua atividade a bom ritmo, apesar da crise pandémica, aproveitando a conjuntura favorável ao e-commerce e a crescente procura de equipamentos e serviços que incrementem a segurança das operações. A prazo, este segmento continua a investir nos objetivos da eficiência operacional e melhoria da experiência do cliente.

No atual contexto de COVID-19, quais são as soluções de embalagem e codificação mais procuradas pelas empresas de transportes e logística em 2020? Em que medida a segurança se tornou na característica mais procurada neste tipo de soluções?

Na opinião de João Rodrigues, cofundador da IDentPrint, “a pandemia trouxe novas oportunidades para a logística e produção. Uma vez que é interessante minimizar o contacto físico entre os humanos e os produtos, a solução de RFID tem sido muito procurada”. Isto porque “o fator segurança é hoje em dia muito importante”, e com esta solução existe um menor contacto entre as pessoas e os artigos, ao mesmo tempo que se minimiza o tempo de operação, como explica o responsável.

Face à situação atual, “as soluções que englobam o controlo, o diagnóstico e a monitorização remotos ganharam ainda maior premência”, defende Henrique Gonçalves, managing director da Marque TDI Domino Portugal. Como contextualiza, “temos assistido a uma aceleração do processo intrínseco à quarta revolução industrial, assente em processos de automatização, cloud e IoT”, e há já alguns anos que se assiste ao desenvolvimento de softwares e à instalação de equipamentos “que permitem às empresas criar redes inteligentes ao longo da sua cadeia de valor, reduzindo a intervenção humana e consequentemente o erro”. Ora, segundo Henrique Gonçalves, esta tendência acentuou-se durante a pandemia: “existem cada vez mais clientes a recorrer aos nossos packs de Assistência Safeguard, que integram a Domino Cloud”. Esta ferramenta permite um diagnóstico e monitorização remotos dos equipamentos de codificação, através de painéis de desempenho online, visíveis no smartphone, tablet ou PC do cliente, esclarece.

A Rotom tem tido “muita procura de europaletes madeira EPAL usadas, caixas plásticas ALC para a distribuição, rolls para picking e e-commerce, paletes plásticas (nomeadamente as H1 higiénicas), isocontentores para transporte de mercadorias no frio, e racks para armazenamento temporário”. Segundo Miguel Correia, managing director da empresa em Portugal, “o aluguer disparou em 2020. Crescemos 50% face ao período homólogo”. Admitindo que “o preço é sempre determinante”, este responsável explica que, não obstante, cada vez mais as empresas contatam a Rotom pela qualidade dos produtos, certificações como a EPAL nas europaletes de madeira, e até por ser “reconhecidamente uma empresa sustentável que apela à reutilização”, com serviços de recuperação de embalagens, e embalagens que permitem redução de transportes de retorno e, consequentemente, menos movimentos terrestres e redução do CO2.

Já de acordo com Flávio Guerreiro, diretor-geral da LPR, as paletes de aluguer “são e continuarão a ser, claramente, a modalidade mais utilizada no mercado nacional, não só pelos seus níveis de penetração atuais, como pelo valor acrescentado que geram em toda a supply chain”. A LPR tem crescido acima de 10% nos últimos anos, “evidenciando o forte crescimento deste sector, onde diariamente se assiste a uma inversão da palete de compra/branca para a palete de aluguer”. Segundo Flávio Guerreiro, esta inversão ocorre “não só em virtude da tendência seguida pela Distribuição Moderna, como pela perceção clara e direta das mais valias proporcionadas pelo sistema de aluguer de paletes, nomeadamente a qualidade, garantia de fornecimento, simplicidade dos processos e preços competitivos”.

Dentro do sistema de aluguer de paletes, “existe uma tendência para um crescimento dos pequenos formatos, nomeadamente dos quartos (400X600) e meias paletes (800X600), essencialmente para a Distribuição Moderna, nomeadamente ao nível dos hard-discounts e lojas de proximidade, devido à sua dimensão e crescentes níveis de penetração”, detalha ainda o responsável. No entanto, “as euro-paletes ainda representam a esmagadora maioria das paletes utilizadas, com cerca de 80% do volume total”, e “apesar da potencial redução de relevância no futuro, continuarão a manter-se como o principal formato utilizado em Portugal”, prognostica.

Na perspetiva de Flávio Guerreiro, uma vez que questões de segurança e funcionalidade estejam asseguradas a 100%, “a decisão da tipologia de palete a utilizar está acima de tudo relacionada com o tipo de produto a transportar (dimensão, peso e resistência), volume transacionado e pontos de destino/venda”.

Resiliência e adaptação ao mercado

Quanto ao impacto que a crise pandémica está a ter na logística e transportes, afetando o negócio das embalagens e codificação, “o setor da logística e transportes tem sido resiliente no contexto de pandemia”. Pelo menos assim opina Miguel Correia, para quem “a explosão do e-commerce ajudou bastante”. A Rotom “arrancou muito bem” em 2020, registando depois uma quebra no segundo trimestre, mas conseguindo recuperar. Tanto que o seu managing director espera “terminar com aproximadamente mais 10% em vendas que 2019, e mais 50% nos alugueres”.

Por sua vez, a LPR Portugal encerrou o exercício de 2019 com um crescimento de 8% no volume de paletes transacionadas no mercado nacional, adianta Flávio Guerreiro. Uma evolução que surge da consolidação da operação da empresa, na qual se destaca “o contínuo ajuste de portfólio pela qualidade”, e que permitiu, uma vez mais, ao operador de pooling “superar as expectativas e apresentar renovados indicadores de crescimento”.

Em 2020 a empresa continuou a apostar na captação de novos clientes e no reforço da excelência operacional, “fruto da implementação de novos centros logísticos em Santo Tirso e Coimbra”, assim como no reforço da automatização de processos ao longo de toda a cadeia de abastecimento. Estas apostas representam “fatores críticos de sucesso que, apesar de um clima económico e social pouco favorável este ano, assegurarão à LPR Portugal resultados positivos em 2020”, conclui.

Considerando que “é inevitável que a crise que estamos a viver afete todos os setores, passando também pela logística”, João Rodrigues defende que, “no entanto, a este setor trouxe também oportunidades”. Porque afinal, com o incremento da importância da logística, “esta acabou por ser uma das menos afetadas e, em muitos casos, até beneficiada”.

Sublinhe-se que a área do retalho tem continuado “em plena atividade”, bem como os serviços de encomendas online, que registam “um aumento significativo” durante este período. Sendo que estes últimos “têm uma componente de serviço forte, a qual tem que ser tecnologicamente avançada, para garantir que todo o processo é concluído de forma rápida e eficaz, evitando custos de logística inversa, que acabam por ser mais elevados”, detalha o cofundador da IDentPrint. No ano de 2020 “houve, naturalmente, uma quebra em alguns setores, mas outros, como o alimentar e o retalho, “acabaram por ter resultados mais positivos, ajudando a contrabalançar setores que sofreram mais com esta situação”, remata.

A IDentPrint continua “a otimizar processos, com um foco nas empresas de logística, de retalho e de saúde”, o que permite que tenha conseguido “assegurar uma faturação estável, com um crescimento previsível de 10 a 15%, face ao ano anterior”, avança João Rodrigues.

Também na opinião do managing director da Marque TDI, “observa-se, de facto, uma regressão de alguns setores da economia, mas, inversamente, outros estão a crescer exponencialmente”. Considerando que a atividade da empresa é transversal “à maioria dos setores industriais”, a atividade da Marque TDI “manteve-se estável”, assegura Henrique Gonçalves.

Com um volume de faturação em 2019 de cerca de 4,5 milhões de euros e perspetivas de crescimento “mesmo em ano de pandemia”, a empresa vem beneficiando de “negócios ligados à proteção individual e outros assentes na venda digital”, que lhe “proporcionaram diferentes oportunidades de negócio”, como sublinha o responsável.

Automação e serviço de proximidade

No que respeita a tendências, as inovações na área de embalagens e codificação “passam, não tanto pelos produtos – que apesar da sua constante evolução, ainda mantêm a mesma génese dos últimos anos – mas sim pelos equipamentos e tecnologias de informação que irão permitir alavancar os níveis de qualidade e serviço, assentes num serviço de proximidade e interação continua”, defende Flávio Guerreiro. Segundo o diretor geral da LPR, existe uma tendência de crescimento dos pequenos formatos, “o que já ocorreu em 2019”, assim como um aumento da penetração de paletes de plástico, “sobretudo para circuitos fechados (close loop)”.

Nesta área de negócio “as empresas procuram soluções à medida e serviços”, sublinha Miguel Correia. Com presença em dez países europeus, a Rotom assume-se como o parceiro ideal para empresas que também têm unidades espalhadas pela Europa. Como afirma o seu managing director, “com o know-how do grupo vamos às empresas, fazemos um estudo gratuito das melhorias que necessitam, e oferecemos as embalagens que melhor se adaptam ao circuito, mas também as mais sustentáveis”.

A empresa tem “acesso a produtos estrela nas logísticas mais desenvolvidas na Europa”, que tem estado “a aplicar com sucesso em várias empresas nacionais”, seja na venda, seja também no aluguer e serviços de pooling e logística inversa, com a empresa do grupo 2Return. Um exemplo destas embalagens inovadoras é a smartbox, um contentor plástico que permite “aforros incríveis” no transporte de retorno e pode ser utilizado, por exemplo, na preparação de encomendas dos centros de distribuição para as lojas físicas.

As tendências de mercado com inovação para a logística focam-se, na perspetiva de João Rodrigues, nas soluções de picking por voz, RFID e na realidade aumentada. “São de facto, soluções inovadoras para a área da logística que permitem a otimização dos trabalhos dos operadores, possibilitando a redução de erros no processo, bem como o aumento da produtividade”, diz.

Quanto à realidade aumentada, é uma solução que pode ser combinada com RFID e picking por voz (tornando a solução multimodal), “incrementando a segurança ao evitar erros dos trabalhadores”. Para o cofundador da IDentPrint, “estas são as mais recentes inovações que fazem a diferença nas organizações e na melhoria dos processos”. E estas melhorias “tornam-se ainda mais visíveis nas tarefas diárias dos colaboradores que, ao fim do dia, evitam perdas de tempo e erros nos processos”.

Para Henrique Gonçalves, as principais tendências estão relacionadas com a automação da produção. Segundo o responsável da Marque TDI, “assistimos a uma vontade real dos empresários em modernizarem as suas linhas para processos mais eficientes, com redução de custos acessórios e minimização de desperdício e da pegada ambiental”. Neste âmbito, “linhas versáteis e facilmente adaptáveis, para responder às rápidas alterações do mercado, passaram a ser uma das suas prioridades”, garante, adiantando que a Marque TDI tem todas as ferramentas necessárias para ajudar os empresários nesta missão.

Acompanhando estas tendências, a área de soluções de embalagem e codificação mantém a sua atividade a bom ritmo, aproveitando a conjuntura favorável ao e-commerce e à crescente procura de equipamentos e serviços que incrementem a segurança das operações. A prazo, este segmento continua a investir nos objetivos da eficiência operacional e automação dos serviços, com vista a proporcionar cada vez mais aos seus clientes experiências à medida.