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Coronavírus pode reduzir o IDE global de 5 a 15%

O surto de Coronavírus (COVID-19) pode fazer com que o Investimento Direto Estrangeiro (IDE) global encolha entre 5% e 15%, de acordo com um relatório da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).

O órgão comercial da ONU havia projetado anteriormente um nível estável de entradas globais de IDE em 2020-2021, com um aumento potencial de 5%. Agora, alerta que os fluxos podem atingir os níveis mais baixos desde a crise financeira de 2008-2009, caso a epidemia, entretanto passada a pandemia, continue ao longo do ano. [1]

O impacto negativo do COVID-19 nos investimentos será sentido mais forte nos setores automóvel, companhias aéreas e energia, diz o relatório.

Embora as economias mais severamente afetadas pela epidemia sejam as mais atingidas, choques na procura do consumidor e o impacto económico das interrupções nas cadeias de abastecimentos afetarão as perspetivas de investimento noutros países.

“O efeito cascata pode causar um grande revés aos esforços dos governos em todo o mundo para atrair o investimento privado necessário para alcançar objetivos de desenvolvimento sustentável”, disse o secretário-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi. “Esse revés poderá aprofundar a desigualdade e piorar a vulnerabilidade para muitos países”, conclui o responsável pela UNCTAD.

Das 100 empresas multinacionais que a UNCTAD acompanha como um barómetro das tendências gerais de investimento, mais de dois terços emitiram declarações sobre o impacto que o vírus teve nos negócios. Muitas estão a diminuir os investimentos nas áreas afetadas e até agora 41 emitiram alertas de lucro.

Lucros mais baixos traduzir-se-ão em lucros reinvestidos mais baixos, um componente importante do IDE.

“A maioria [das revisões] diz respeito às empresas dirigidas ao consumidor, indicando que o choque da procura, por enquanto, deve ter efeitos mais diretos nos lucros do que as interrupções na produção ou na cadeia de abastecimento”, diz o relatório.

Uma amostra mais ampla das 5.000 empresas listadas mostrou que as previsões de ganhos para o ano fiscal de 2020 foram revistos em média 9%. A indústria automotiva (-44%) e as companhias aéreas (-42%) foram as mais atingidas.

“As empresas destes setores e as respetivas indústrias são normalmente importantes investidores de capital”, salienta o relatório.