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Logística

Investimento global da Mercadona em logística supera 1.000 milhões até 2025

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A Mercadona prepara investimentos de mais de 1.000 milhões de euros até 2025 para aumentar sua capacidade logística e acelerar os projetos que havia planeado em novas plataformas. Rosa Aguado, diretora-geral de logística do maior retalhista alimentar espanhol, avançou esses planos durante o 10.º Congresso da AECOC (Associação de Fabricantes e Distribuidores espanhola). Mais de 200 milhões de euros estão a ser investidos este ano e o montante aumentará para 300 milhões de euros em 2021, valores que estão em linha com os valores anteriores (340 milhões de euros em 2019 e 257 milhões de euros em 2018). Além disso, a companhia vai aderir ao programa Lean & Green, promovido em Espanha pela AECOC, através do qual os seus associados se comprometem a reduzir as suas emissões de CO2 em 20% em quatro anos.

A Mercadona prevê, de resto, abrir ainda antes do final do ano, uma nova plataforma em Getafe, com áreas dedicadas a produtos secos, refrigerados e congelados, que irá suportar a crescente atividade da empresa na região centro do país, avançando a imprensa especializada em Espanha que se trata de um armazém arrendado à Merlin Properties com cerca de 20.000 m2.

Para os últimos dias do ano, entrará também em funcionamento, em Saragoça, um armazém mecanizado de produtos frescos e perecíveis, no parque logístico da PlaZa, a que se seguirá um armazém convencional de secos, já em 2021. Tudo isto em cerca de 30.000 m2 de superfície e com um investimento a rondar os 35 milhões.

Os objetivos para 2021 estão principalmente focados na ativação do grande centro nevrálgico de Parc Sagunt, perto de Valência, e que está a ser construído num terreno de 500.000 m2 e representará um investimento global de 400 milhões desde o início da construção em 2017-18. E a isso seguirá um novo centro de congelados em Guadix (Granada), instalações para perecíveis em San Isidro (Alicante) e similares em Huévar (Sevilha), entre outras propriedades, segundo avançou Rosa Aguado. Durante 2020, o projeto mais importante foi a inauguração do novo bloco logístico de Vitória-Gasteiz, que representou um investimento global de 187 milhões de euros para uma área construída de mais de 50.000 m2.

Aguado também reconheceu que a Mercadona será mais seletiva com os planos de automação de armazém. “Perdemos na super-automação. Vamos eliminar o que não tem valor”, admitiu durante o congresso da AECOC. E, neste sentido, será dada prioridade a projetos relacionados com produtos refrigerados, nos quais o trabalho é executado em fluxo tenso, e em produtos congelados, onde se pretende reduzir a exposição a trabalhos exigentes a temperaturas muito baixas.

“Estávamos a andar devagar”, destacou mais uma vez Aguado, ao analisar a adaptação da Mercadona à maior complexidade logística, que inclui novas gamas, como “Pronto para comer” ou e-commerce (agora servido através dos armazéns “colmeias”). A chegada da crise que a pandemia gerou também tem levado a uma antecipação dos planos logísticos, reconhecendo Aguado que, o crescimento da procura na primeira vaga: “Se normalmente fazemos cerca de 6.000 viagens diárias de camião, estas aumentaram 25-30% no momento do confinamento. Hoje a gestão da logística é mais complicada do que antes”.

Acelerada vai, também, ser a massificação da digitalização. “Precisamos de mais digitalização”, apontou Rosa Aguado, que indicou que serão implementados novos sistemas tecnológicos para conhecer verdadeiramente todos os dados possíveis sobre a movimentação dos produtos e o seu estado, para os poder interpretar e obter o melhor desempenho.

Além disso, o diretora-geral de logística da Mercadona destacou ainda o compromisso com a sustentabilidade, que incluirá a adesão da companhia ao programa Lean & Green, para reduzir as emissões em 20% em quatro anos. Neste particular, a Mercadona trabalhará nos aspetos de logística e transporte (veículos mais sustentáveis), eficiência energética nos armazéns e gestão de resíduos, lembrando Aguado a chamada “Estratégia do 8” que a Mercadona aplica ao seu transporte, que aproveita ao máximo as rotas que vão dos fornecedores às plataformas, e de volta, carregando as devoluções.