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Não há acordo no Porto de Setúbal

Não há acordo no Porto de Setúbal

A semana de negociações entre o Ministério do Mar, o sindicato dos estivadores e os operadores do Porto de Setúbal terminou sem acordo. Numa nota enviada às redações esta sexta-feira (30 de novembro), a Operestiva, empresa de trabalho portuário de setúbal, diz que “não foi possível chegar a acordo” e revela que esta semana o Porto de Setúbal “deverá ter uma quebra de 70% na carga movimentada”.

A empresa diz que “existe uma ‘fuga’ consistente de clientes para outros portos, nomeadamente espanhóis. Nestas circunstâncias, a Operestiva vai proceder a uma avaliação da viabilidade económica da empresa. Estão salvaguardados todos os direitos dos seus trabalhadores.”

A Operestiva refere ainda que “o único obstáculo à conclusão de um acordo foi a intransigência dos representantes sindicais quanto ao Porto de Leixões e de Sines. Estas são circunstâncias às quais a Operestiva e o Porto de Setúbal são totalmente alheios e que prejudicam gravemente todos os trabalhadores do Porto de Setúbal.”

Já o Ministério do Mar refere em comunicado que apesar da vontade de resolver o problema dos trabalhadores daquela infraestrutura portuária, não foi possível chegar a acordo “porque os seus representantes em vez de discutirem a situação dos seus trabalhadores de Setúbal preferiram discutir a situação nos portos de Leixões e Sines”. “Em vez de resolverem o conflito de Setúbal insistem em criar conflitos em portos onde não existem conflitos e onde não têm uma representação significativa”, diz o Ministério em comunicado.

“A precariedade no porto de Setúbal podia ter acabado hoje [30 de novembro]. Essa era a vontade explícita deste Governo e de todas as partes sentadas à mesa das negociações. Todas as partes concordaram em fixar quadros permanentes e aceitaram as principais condições contratuais. Como concordaram e aceitaram a intervenção da Administração Portuária e do IMT. Conseguimos mesmo garantir que os operadores, publicamente, revissem as suas condições aumentando as vagas inicialmente oferecidas. O Governo não pode, nem vai tomar parte numa guerra entre sindicatos”.

Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar, termina pedindo aos agentes económicos do Porto de Setúbal, “nomeadamente os seus clientes e as empresas exportadoras”, que “mantenham a sua aposta em Setúbal e na região até que o bom senso prevaleça. O Governo tudo fará para mitigar e minimizar os danos que esta situação está a provocar”.

Os trabalhadores do Porto de Setúbal estão parados desde 6 de novembro, o que já levou a Autoeuropa a recorrer ao Porto de Leixões para escoar parte da sua produção.