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Supply Chain

O papel da China na disrupção das trocas comerciais

Os problemas na cadeia de abastecimento deverão continuar, com a China a ser responsável pelo atraso de trocas comerciais no valor de 120 mil milhões de dólares.

Os problemas na cadeia de abastecimento deverão continuar, com a China a ser responsável pelo atraso de trocas comerciais no valor de 120 mil milhões de dólares. O alerta é da empresa de modelos de riscos Russell Group. Os atrasos têm como principal fator os problemas de abastecimento energético que estão a afetar o país asiático, noticia o portal Reinsurancene.

De acordo com as Nações Unidas, a pandemia veio reforçar o papel da China das trocas comerciais. No início de 2020, quando a covid-19 estava a afetar intensamente o país, os processos de produção em todo o mundo estagnaram ou abrandaram devido às perturbações enfrentadas pelos fornecedores chineses.

 

Além disso, os elevados níveis de resiliência das exportações permitiram à China não só uma rápida recuperação das exportações resultantes da pandemia, mas também permitiu novos ganhos em diversos setores de exportação, mesmo quando esses setores registaram um declínio global. A quota da China no comércio global aumentou durante 2020, atingido quase 15%.

Só no primeiro trimestre deste ano, as exportações chinesas aumentaram quase 50% em relação ao ano anterior, para cerca de 710 mil milhões de dólares.

 

Tendo isto em conta, percebe-se o impacto da situação atual de falta de energia na China nas trocas comerciais mundiais. A escassez já fez com que as fábricas das províncias de Jiangsu, Guangdong e Zhejiang encerrassem ou alterassem o funcionamento para uma semana de três dias, muitas das quais produzem produtos siderúrgicos, plásticos, eletrodomésticos, produtos químicos e têxteis.

Alguns dos principais portos da China, incluindo Ningbo, Guangzhou, Yantian e Shekou estão localizados dentro das províncias afetadas, e Xangai e Ningbo também processam muitas das exportações de contentores da província de Jiangsu.

 

“Neste momento, parece que quase todas as semanas há uma grande perturbação comercial num dos maiores portos do mundo, seja a China ou os Estados Unidos”, disse o diretor-geral do Russell Group, Suki Basi.

De acordo com a análise, a perturbação no porto de Yantian de 28 de setembro a 28 de outubro, pode resultar numa perturbação total no valor de 20 mil milhões de dólares, com 9 mil milhões de dólares de perturbação nas importações e 11 mil milhões de dólares para exportações.

 

Já noutros portos:

  • Ningbo – 17 mil milhões de dólares
  • Xangai – 14 mil milhões
  • Guangzhou – 8 mil milhões
  • Shekou –  6 mil milhões
  • Jiangsu – 54 mil milhões