Quantcast
Portos

Portos do continente movimentam -12% de carga no primeiro semestre de 2020

Portos_carga_conentorizada

Os portos do continente movimentaram, no primeiro semestre de 2020, um total de 39,4 milhões de toneladas de carga, correspondendo a uma redução de -11,9% face ao registado no primeiro semestre de 2019, totalizando um recuo global de -5,3 milhões de toneladas. Os dados da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) revelam, no entanto, e relativamente ao mês de maio de 2020, que junho registou um ligeiro abrandamento da diminuição da atividade, recuperando 2,8 pontos percentuais. Este ligeiro abrandamento é determinado principalmente por Leixões e Sines, cuja evolução é, respetivamente, de -25,4% para -10,3% e de -41,3% para -28,3%.

Esta quebra é explicada pela conjugação de comportamentos negativos verificados na maioria dos portos, com exceção para Figueira da Foz e Faro, sendo mais expressiva em Sines e Lisboa, ao registarem, respetivamente, quebras de -2,8 milhões de toneladas e -1,4 milhões de toneladas.

O carvão é a carga que protagoniza a redução mais significativa, de -1,9 milhões de toneladas, que corresponde a uma quebra de -86,4%, explicada pelo facto de Sines ter desembarcado apenas cerca de 75 mil toneladas (-96,2%).

Os mercados do Petróleo Bruto e dos Produtos Petrolíferos registaram, por sua vez, quebras, de -426,26 mil toneladas (-7,4%) e de -1,34 milhões de toneladas (-14,6%), respetivamente.

No que diz respeito à carga contentorizada, esta registou ma redução de 852,3 mil toneladas (-5,4%), no primeiro semestre de 2020 face a igual período de 2019, “explicada quase exclusivamente pelo comportamento do porto de Lisboa, que vê o seu volume reduzido em 1,04 milhões de toneladas (-44,3%), comportamento esse que não pode ser dissociado do clima de perturbação laboral existente, decorrente dos persistentes pré-avisos de greve dos trabalhadores portuários”, refere a AMT. Este recuo resulta também da conjunção do comportamento do segmento de tráfego com o hinterland e do tráfego de transhipment, que em volume de contentores registam variações respetivas de +7,3% e de -6,1%, sendo que este último afeta principalmente o porto de Sines, por estar fortemente integrado nas cadeias logísticas globais, resultado inequívoco da contração da economia mundial por efeito da pandemia da covid-19.

Em contrapartida, Leixões regista o volume mais elevado de sempre, com um total de 3,58 milhões de toneladas de Carga Contentorizada, ou seja, +3,4%, Setúbal cresce +6,6% e Sines denota um aumento ligeiro de +0,4%.

A par das cargas referidas, também a carga Ro-Ro mantém em linha as variações mensais negativas que se têm vindo a registar desde março em Leixões e Setúbal, essencialmente pela suspensão ou redução da produção da indústria automóvel, induzindo uma diminuição substancial na atividade portuária, particularmente em Setúbal, neste segmento.

Contentores caem 8%
No primeiro semestre deste ano, o segmento dos Contentores registou um volume total de 1,31 milhões de TEU, uma redução de -7,7%, resultando de um agravamento verificado no mês de junho, que regista um decréscimo de -13,6%, sucedendo ao de -11,8% registado em maio. No entanto, existem algumas diferenças na expressão da variação a nível de cada porto. Leixões e Setúbal registam aumentos no volume de TEU movimentado de +1% e de +8,3%, respetivamente, sendo de referir que Leixões regista a melhor marca de sempre nos primeiros semestres, tendo atingido um volume de 349 425 TEU. Figueira da Foz, Lisboa e Sines apresentam variações negativas, de -28,2%, -42,9% e de -2,1%, respetivamente.

Importa realçar o facto de em junho apenas Setúbal ter registado uma variação homóloga positiva no volume de TEU movimentado (de +11,1%), o que se verifica pelo quarto mês consecutivo.

Tendo em conta o peso que representa no mercado de contentores do porto de Sines, importa sublinhar que o tráfego de transhipment registou uma diminuição de -6,1%, sendo que o tráfego com o hinterland aumentou +7,3%, confirmando a sua melhor marca de sempre, não obstante em maio e junho terem sido registadas variações homólogas negativas (-1% e -1,7%, respetivamente).

Ainda no mercado de Contentores, refere-se que o porto de Sines mantém a liderança com uma quota maioritária absoluta de 56,5%, seguindo-se Leixões, com 26,7%, Lisboa, com 10,1%, Setúbal, com 6,1%, e Figueira da Foz, com 0,6%.

Relativamente ao número de escalas de navios, nas diversas tipologias, o conjunto dos portos registou nos primeiros seis meses deste ano um total de 4663 escalas, um recuo de -12% (-633 escalas no total) face ao período homólogo de 2019, correspondente a uma arqueação bruta de cerca 84,3 milhões, menos -15,9% face a igual período do ano anterior.

Este comportamento é fortemente condicionado por Lisboa que viu reduzir o número de escalas em -31,5% (-392 escalas), justificado pela operação de menos navios a movimentar carga e ainda por efeito das medidas decretadas para combater o surto de Covid-19 que levaram ao cancelamento de mais de 143 escalas de navios de cruzeiro. Leixões e Portimão também registaram diminuições no número de escalas de -70 e -24, respetivamente, incluindo as originadas por este mesmo motivo,

A inverter o comportamento negativo no número de escalas face aos primeiros seis meses de 2019, surgem apenas Figueira da Foz e Faro que registaram acréscimos de, respetivamente, +6,8% e +26,7%, num total de +19 escalas.

A quota mais elevada do número de escalas no período total de seis meses é detida pelos portos de Douro e Leixões, com 26,4% do total, seguidos de Sines (com 21%), Lisboa (18,3%), Setúbal (16,5%), Aveiro (10,4%), Figueira da Foz (5%) e Viana do Castelo (2%).

A variação global negativa do volume de carga movimentada no período janeiro-junho de 2020 face ao mesmo período de 2019, resulta da conjugação de comportamentos negativos registados nas operações de embarque e nas operações de desembarque, incluindo transhipment, que observam quebras respetivas de -8,8% e de -14%.

O comportamento do fluxo de embarque, que inclui a carga de exportação, é caracterizado pelo comportamento positivo de 15 dos 44 mercados, movimentando um volume superior ao homólogo de 2019 em +411,7 mt, tendo os restantes 29 registado comportamento negativo, com um decréscimo total de quase -1,99 milhões de toneladas.

Com influência negativa regista-se o mercado da Carga Contentorizada de Lisboa, responsável pelo decréscimo de -729,8 mt, seguido pelo dos Produtos Petrolíferos de Leixões, que perde -373,3 mt, e ainda pelos Outros Granéis Sólidos de Setúbal e de Lisboa e dos Produtos Petrolíferos de Sines, com quebras que atingem, no seu conjunto, um total de -311,3 mt. Estes cinco representam 71,2% do total de perdas registadas pelos mercados com comportamento negativo.

De forma positiva a influência mais significativa é exercida pelos mercados de Carga Contentorizada de Leixões (+91,8 mt), Carga Fracionada da Figueira da Foz (+70,1 mt) e o Carvão, Carga Contentorizada e Petróleo Bruto de Sines, que totalizam um acréscimo de +143,8 mt.

No segmento das operações de desembarque, do total dos 43 mercados, 16 registaram comportamento positivo com acréscimo de +435,5 mt e 27 tiveram comportamento negativo com um decréscimo de -4,17 milhões de toneladas.

Neste segmento, assinala-se a forte influência do mercado de Carvão, que é responsável pela diminuição de -1,87 milhões de toneladas, no contexto da inatividade das centrais termoelétricas de Sines e do Pego, que corresponde a 44,9% do total das variações negativas registadas. Também com impacto negativo, surgem os Produtos Petrolíferos de Sines (-638,9 mt), a Carga Contentorizada de Lisboa (-308,4 mt) e o Petróleo Bruto de Sines e de Leixões, com perdas respetivas de -250,2 mt e -219 mt. Estes cinco mercados representam no seu conjunto 78,8% do total de perdas registadas nos mercados com comportamento negativos.

A influência positiva mais intensa verifica-se nos mercados dos Produtos Agrícolas de Lisboa com +63,8 mt (14,6% do total de variações positivas).

Os portos que apresentam um perfil de porto “exportador”, registando um volume de carga embarcada superior ao da carga desembarcada, entre janeiro e junho de 2020, são Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro, que apresentam um quociente entre carga embarcada e total movimentado com valores respetivos de 72%, 64,3%, 51,1% e 100%.

Mob Lab Congress 2020