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Transportes

Portos do Continente movimentam -7% de carga nos primeiros 10 meses

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Entre janeiro e outubro de 2020, os portos do Continente movimentaram um total de 67,79 milhões de toneladas, um valor inferior em 5,15 milhões de toneladas face a igual período de 2019, ou seja, um recuo de 7,1% na variação global apurada no período de 10 meses de 2020, revelam os dados mais recentes disponibilizados pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT).

Este desempenho é explicado pelo comportamento negativo da maioria dos portos, com exceção para a Figueira da Foz e Faro, que revelam um acréscimo no volume movimentado de2,6% e de +46,5%, respetivamente. Lisboa e Leixões são os portos que apresentam maiores quebras, na casa de 2 milhões de toneladas, seguindo-se Aveiro, Sines e Setúbal.

De salientar que este desempenho é também explicado pela suspensão da importação de Carvão mineral desembarcado em Sines, para alimentar as centrais termoelétricas de Sines e do Pego, cuja produção no período janeiro-outubro de 2020 regista uma quebra homóloga de 72,1%. A par do Carvão, também os Produtos Petrolíferos, Outros Granéis Sólidos, Carga Fracionada e Produtos Agrícolas registaram expressivas variações negativas de 1,8 milhões de toneladas, 565,4 mil toneladas (mt), 403,2 mt e 352,2 mt, respetivamente. A registar variações positivas estão os mercados de Carga Contentorizada e de Minérios, com movimentos respetivos de 667,5 mt e 110,8 mt.

De referir que o comportamento da Carga Contentorizada tem maior expressão no porto de Sines, fechando o período de janeiro a outubro com +1,9 milhões de toneladas (+13,2%), registando também os valores mais elevados de sempre registados nos períodos homólogos, em Setúbal e Leixões, ao crescer, respetivamente, 230,6 mt (+18,6%) e 118 mt (+2%).

O desempenho positivo destes portos logra anular as variações negativas observadas em Lisboa e, numa dimensão menos significativa, na Figueira da Foz, com valores respetivos de 1,56 milhões de toneladas (-39,3%) e de 33 mt (-23,6%), sendo que para a ocorrência da primeira não é alheia a instabilidade laboral por efeito de pré-avisos de greve dos trabalhadores portuários que têm ocorrido com frequência.

Sines aumenta quota
O porto de Sines aumentou ligeiramente a liderança em outubro, com quota maioritária absoluta de 50,9% do total do movimento de carga movimentada, um acréscimo de +3,5 pontos percentuais (pp) à do período homólogo de 2019, embora esteja ainda a 3,5 pp do seu máximo registado em 2016, avançam os números da AMT.

Leixões mantém o segundo lugar, com uma quota de 21,5%, seguido por Lisboa (11%), Setúbal (7,7%), Aveiro (5,9%), Figueira da Foz (2,4%), Viana do Castelo, diminui ligeiramente para 0,4%, e Faro, cresce para 0,2%. Portimão, sem a linha Ro-Ro para a Madeira, não registou qualquer movimento de carga no ano corrente.

Nos primeiros dez meses deste ano, o segmento dos Contentores registou um volume superior a 2,31 milhões de TEU, uma redução de 0,1% do valor apurado no mesmo período de 2019 e a 8,5% do valor máximo registado em 2017.

Sines foi o porto que mais contribui para este desempenho positivo do segmento de Contentores, registando um acréscimo de 120,4 mil TEU (+10%). Também Setúbal e Leixões registam acréscimos de 21,8 mil TEU e 5,5 mil TEU, respetivamente. No entanto, estes três portos não conseguiram anular as variações negativas de Lisboa e da Figueira da Foz, que atingiram respetivamente -145 mil TEU (-37,2%) e -4,2 mil TEU (‑23,2%).

Leixões e Setúbal registaram o volume de TEU mais elevado de sempre nos períodos de janeiro a outubro, com 586.967 e 138.837 TEU movimentados, respetivamente.

Sines regista, igualmente, o volume mais elevado de sempre no tráfego com o hinterland, registando, nos primeiros 10 meses de 2020, um acréscimo homólogo face a 2019 de 9,3% e tendo subjacente uma taxa média anual de crescimento de 14,4% apurada nos últimos cinco anos.

Ainda no segmento de Contentores, o porto de Sines eleva a liderança a uma quota maioritária absoluta de 57,3%, seguindo-se Leixões, com 25,4%, Lisboa, com 10,6%, Setúbal, com 6%, e Figueira da Foz, com 0,6%.

O que sai e entra
O comportamento do fluxo de embarque, que inclui a carga de exportação, é caracterizado pelo comportamento positivo da Carga Contentorizada e dos Produtos Petrolíferos, ambos de Sines, que refletem acréscimos respetivos de 946,5 mt (+11,9%) e de 722 mt (+16,8%), representando 76,1% do total das variações positivas observadas. Também a Carga Contentorizada de Leixões e de Setúbal registam acréscimos respetivos de 104 mt (+3,4%) e de 102,4 mt (+12,6%).

A Carga Contentorizada de Lisboa e de Produtos Petrolíferos de Leixões são os principais mercados a assinalar variações negativas neste segmento, ascendendo a, respetivamente, 1,05 milhões de toneladas e a 693,7 mt, representando 66,5% do total das variações negativas. O terceiro mercado com mais impacto negativo é o de Outros Granéis Sólidos de Aveiro, com uma redução da tonelagem movimentado de 172,3 mt.

No segmento das operações de desembarque, registaram comportamento positivo os mercados de Petróleo Bruto e de Carga Contentorizada de Sines, com acréscimos respetivos de 982,2 mt (+17,2%) e de 964,2 mt (+14,8%), representando no conjunto cerca de 76,8% do total das variações positivas registadas, e os Produtos Petrolíferos de Leixões, com um acréscimo de 169,1 mt.

A condicionar fortemente este segmento surge novamente o Carvão em Sines, responsável pela diminuição de 2,28 milhões de toneladas (-93,5% do que no período janeiro-outubro de 2019), representando 31,4% do volume total das variações negativas. A responsabilidade pelo comportamento negativo deste segmento, alarga-se também aos Produtos Petrolíferos de Sines e ao Petróleo Bruto de Leixões ao registarem, respetivamente, diminuições de 1,64 milhões de toneladas (-24%) e de 1,09 milhões de toneladas (-31,7%), assim como, embora com menor expressão, à Carga Contentorizada de Lisboa, com -508 mt (-37,6%) do que o verificado no período homólogo de 2019.

Os portos que apresentam um perfil de porto “exportador”, registando um volume de carga embarcada superior ao da carga desembarcada, entre janeiro e outubro de 2020, são Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro, que apresentam um quociente entre carga embarcada e total movimentado com valores respetivos de 72,9%, 66,2%, 55,3% e 100%. A estes portos confere-se uma quota de 15,2% do total de carga embarcada no sistema portuário do Continente, sendo que 10,1 pp desta quota pertencem a Setúbal.