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Transportes

Portugal cai menos que Espanha no mercado ibérico do transporte rodoviário de mercadorias

O setor dos transportes é uma pedra angular da integração europeia, mas os investimentos registam atrasos

O valor de mercado do setor do transporte rodoviário de mercadorias deverá registar, em 2020, uma quebra de 8,2%face ao ano 2019, avançam os últimos dados disponibilizados pela Informa D&B no seu estudo “Transporte Rodoviário de Mercadorias-Mercado Ibérico”.

Esta quebra do mercado português contrasta com a quebra ainda maior do mercado espanhol que, segundo a consultora, tem uma descida de 11,4% face ao exercício anterior de 2019.

 

Certo é que a quebra da atividade industrial e do consumo, em consequência da pandemia de covid-19, afetou negativamente a faturação do setor de transporte rodoviário de mercadorias em Portugal e Espanha, que deverá registar uma queda de cerca de 11% na faturação em 2020, para os 16.800 milhões de euros.

Este registo surge após um crescimento anual de mais de 4% no período 2017-2019

 

O valor do mercado ibérico de transporte rodoviário de mercadorias manteve uma tendência ascendente entre 2013 e 2019, com a faturação setorial a atingir os 18 850 milhões de euros em 2019, o que traduz uma subida de 4,4% face ao ano anterior. Em Portugal o crescimento foi de 4,3%, para 3.050 milhões de euros, enquanto em Espanha o volume de negócios atingiu os 15.800 milhões de euros (+4,5%).

Em Portugal, os serviços de transporte internacional detêm a maior fatia da faturação, representando um pouco mais de metade do volume de negócios total. Em Espanha, é maior o peso do transporte nacional, com uma percentagem do total próxima dos 80%.

 

As diferenças entre os dois mercados são bem visíveis (ver quadro referente a 2019), demonstrando-se que em Espanha existem 102.985 empresas, enquanto, em Portugal, esse número não vai além das 7.803 empresas.

Informa_DB_transportes_ibericos_mercadoriasNo que diz respeito à estrutura do mercado, a oferta setorial caracteriza-se pela elevada fragmentação, predominando as empresas de pequena dimensão. De assinalar também o grande número de trabalhadores independentes que exploram um único veículo.

 

Os dados da Informa D&B revelam, igualmente, que ambos os países apresentam uma dimensão média das frotas reduzida que ronda os 2,5 veículos por empresa.

Por fim, o excesso de capacidade transportadora provocou um processo de ajustamento da oferta na última década que se traduziu numa tendência de concentração gradual do negócio nos grupos de maior dimensão. Contudo, a fragmentação da oferta continua a caracterizar a estrutura do tecido empresarial, detendo os cinco grupos principais do mercado ibérico apenas 13,2% do volume de negócios total em 2019.

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