Indústria

Resultados operacionais da Galp caem e empresa ajusta plano de investimento

Resultados operacionais da Galp caem e empresa ajusta plano de investimento

Os resultados operacionais da Galp, no primeiro trimestre de 2020, caíram 5% face ao período homólogo devido à contração provocada pela pandemia do COVID-19 e às medidas de confinamento na Península Ibérica, que fizeram cair o preço do petróleo e provocaram quedas acentuadas na procura de energia por parte das empresas e dos consumidores.

Os resultados ajustados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) nos primeiros três meses do ano diminuíram para 469 milhões de euros. O maior contributo para a redução veio da área de negócio do Upstream que, apesar de ter aumentado a produção total de petróleo e gás natural em 17%, foi prejudicada pela forte queda nos preços do petróleo. O EBITDA da área caiu 24%, para 286 milhões de euros.

A produção de petróleo e gás natural totalizou 131,4 mil barris por dia, impulsionada pelo desenvolvimento continuado dos projetos Lula e Iracema e Berbigão/Sururu, e por uma maior contribuição do projeto Kaombo, em Angola.

O EBITDA do negócio de Refinação e Midstream melhorou para 90 milhões de euros em relação ao primeiro trimestre de 2019, o qual havia sido marcado por restrições operacionais no sistema refinador da Galp. Em resultado, as matérias-primas processadas aumentaram 18% e as vendas de produtos petrolíferos aumentaram 13%, beneficiando de um aumento das exportações. As margens de refinação caíram cerca de 19% em relação ao ano anterior, em parte devido aos trabalhos de manutenção programada no hidrocracker da refinaria de Sines.

As vendas de gás natural também caíram, com a atividade de trading a refletir a deterioração das condições do mercado, enquanto as vendas de eletricidade permaneceram estáveis.

O EBITDA da área Comercial, por sua vez, manteve-se nos 90 milhões de euros ainda que com volumes inferiores, devido à maior contribuição das atividades em Espanha. As vendas de produtos petrolíferos a clientes diretos diminuíram de 13%, refletindo os efeitos dos limites à circulação impostos no mercado ibérico a partir de março. As vendas de gás natural caíram 24%.

A recém-formada unidade de Energias Renováveis e Novos Negócios obteve um resultado marginalmente negativo, já que as suas atividades se centraram na criação das bases para um crescimento futuro.

O resultado líquido ajustado (RCA) do primeiro trimestre caiu 72% para 29 milhões de euros, refletindo a adversidade das condições de mercado. Estas condições levaram ao registo de um prejuízo de 257 milhões de euros segundo as normas contabilísticas internacionais (IFRS), em resultado do reconhecimento da desvalorização do inventário da Galp em 278 milhões de euros devido à queda das cotações dos produtos.

O capex do primeiro trimestre totalizou 144 milhões de euros, em linha com os valores do período homólogo, a foi alocado essencialmente à área de Upstream. O restante investimento destinou-se ao sistema refinador e infraestruturas logísticas em Moçambique. O cash flow operacional diminuiu para 244 milhões de euros, impactado pelo desempenho operacional mais fraco, enquanto o free cash flow caiu para os 63 milhões de euros.

No final de março, a dívida líquida situava-se em 1,496 mil milhões de euros, um aumento de 61 milhões de euros face ao final de 2019 que sinaliza a geração de caixa inferior durante este período.

Ajustar estratégia de investimento
Na sequência da forte queda global na procura de energia, a Galp está a desenvolver iniciativas que permitam a redução de mais de 500 milhões de euros por ano em 2020 e em 2021 no investimento e despesas operacionais face ao plano de investimento anteriormente anunciado. Nesse período, o investimento líquido irá situar-se entre 500 milhões e 700 milhões de euros, valores que poderão ser ajustados conforme a evolução das condições do mercado.

“A flexibilidade do portfólio de ativos e projetos da Galp permitiu que a empresa tenha respondido de forma ágil para salvaguardar a sua resiliência no ambiente de mercado atual essencialmente através da recalendarização de projetos de expansão”, refere a petrolífera, em comunicado.