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SinesTech: ligar a América Latina ao centro da Europa

Através da EllaLink o hub digital do Porto de Sines, vai ligar o Brasil e Portugal, através de um cabo de fibra ótica submarino e terrestre. Uma operação, a ter início nos finais deste ano, que é o primeiro passa na ligação entre dois continentes e que possibilita novos negócios à cidade portuguesa.

Foi anunciado, no final do ano passado, com popa e circunstância. O SinesTech – Innovation & Data Center Hub, localizado na ZILS – Zona Industrial e Logística de Sines, pretende ser um hub criado especificamente para empresas dedicadas à inovação e a data centers. O primeiro cliente, a EllaLink, promete fornecer uma solução de ligação por cabo de fibra ótica submarino e terrestre integrada e ecológica. Como explica Gonçalo Eiras, diretor da Comunidade Portuária e Logística de Sines (CPLS), a infraestrutura da EllaLink está a ser construída com tecnologia de última geração, oferecendo inicialmente 72Tbps de capacidade em quatro pares de fibras diretas entre a Europa e o Brasil.

Simplificando, até ao final do ano, data em que a operação deve iniciar atividade, será constituído o cabo com maior velocidade a operar no Atlântico.

Um serviço pensado não só para o mundo atual, exigente em termos de tráfego de dados na internet, mas principalmente para o dia de amanhã. A localização é especialmente favorável, não só em termos de localização europeia, mas principalmente para a amarração de cabos submarinos e instalação de infraestruturas IT&T e Data Centres. “O SinesTech combina, em um único local, disponibilidade de terrenos de grande dimensão, redes de alta tensão de energia, que incluem fontes de energia verde, ligações redundantes para Madrid e Lisboa, bem como uma infraestrutura HDD (Horizontal Direction Drilling) para uma amarração segura e robusta de cabos submarinos”, constata Gonçalo Eiras.

“Este não é simplesmente um projeto de Sines, é um projeto europeu, sul-americano e global e terá grande alcance e impacto no desenvolvimento de área PLs tecnológicas” – Gonçalo Eiras

Mas este é apenas o primeiro passo. O objetivo é, no futuro, ter outros cabos de fibra ótica, dado que “a infraestrutura que está a ser construída disponibiliza 4 negativos de amarração de cabos submarinos”. Cenário que potencia não só o SinesTech e o Porto de Sines, mas toda a região. Para tal, como refere o diretor da CPLS, a AICEP Global Parques está a trabalhar com a Câmara Municipal de Sines com o objetivo de angariar investimentos tecnológicos e digitais para a região, o que contribuirá para a diversificação da economia local e a criação de um novo cluster no município. “Este não é simplesmente um projeto de Sines, é um projeto europeu, sul-americano e global e terá grande alcance e impacto no desenvolvimento de área PLs tecnológicas”, afirma.

A plataforma de fibra ótica avançada interligar-se-á com serviços já disponibilizados na ZILS e no Porto de Sines, possibilitando a transição digital das empresas instaladas e. do lado brasileiro, criará, pela primeira vez, uma infraestrutura direta de conexão com a Europa que poderá ser complementada com a instalação da rede 5G.

O que isto significa em ermos de negócio? A possibilidade de ter uma “conectividade segura de alta capacidade em uma rota transatlântica de baixa latência e exclusiva, atendendo às crescentes necessidades dos mercados da América Latina e da Europa”, responde Gonçalo Eiras. Uma ligação que “ligará diretamente o Brasil e a Europa, conectando São Paulo e Fortaleza a Sines, e posteriormente a Lisboa, Madrid e Marselha onde se encontra a maior concentração de amarração de cabos de fibra ótica da Europa”, acrescenta. Algo útil não só a curto prazo, mas principalmente a longo prazo, dado que “poderá atrair muitas empresas tecnológicas (IT&T) e de Data Centres que necessitam de uma infraestrutura eficiente de transmissão rápida de dados entre a América Latina e o centro da Europa”.

Vantagens competitivas do SinesTech
Posição estratégica global

Localizado no extremo sudoeste da Península Ibérica, Sines é considerada como sendo uma porta de entrada nos mercados europeu e sul-americano.

Ligação ibérica, europeia e intercontinental

O parque tem ligação direta e imediata à Europa através de diferentes operadores e oferece a rota mais curta de ligação à América Latina e ao Norte de África. Adicionalmente estão disponíveis várias e redundantes soluções de ligação em fibra a Lisboa e a Madrid.

Ligação segura do mar para o centro de dados

O acesso do cabo ao parque faz-se de forma direta e segura em infraestrutura HDD (Horizontal Direction Drilling).

Alta capacidade de transmissão para fins científicos

Integrado no consórcio Bella, o projeto EllaLink disponibiliza uma capacidade de 100 Gbps para fins científicos.

Disponibilidade de terrenos (espaço para crescer)

Na ZILS, junto à praia de receção (landing beach) do cabo EllaLink, estão disponíveis mais de 240 mil m2 de terrenos para construção. As empresas têm também ao dispor os terrenos da ZIL 2 – Zona de Indústria Ligeira e localizações na cidade de Sines.

Oferta energética de grande densidade e diversidade

Estão garantidas linhas de fornecimento de energia de 15kV a 400kV. Existem projetos instalados nas áreas dos biocombustíveis e da energia eólica e estão em desenvolvimento duas unidades de produção de energia solar, com 50MW de potência cada uma.

*Artigo publicado originalmente na edição de maio/junho da revista LOGÍSTICA&TRANSPORTES HOJE.

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