Transportes

Transporte de mercadorias em queda, exceto por ar

Transporte-de-mercadorias

O transporte aéreo de mercadorias foi o único modo a manter a tendência de crescimento, apesar da desaceleração. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o transporte aéreo de mercadorias cresceu 4,2% face a período homólogo de 2019, longe da evolução de 16,2% registado no último trimestre de 2019 em comparação com o mesmo período de 2018. Os transportes marítimo, ferroviário e rodoviário de mercadorias, registaram todos decréscimos: -2,7% nos portos marítimos nacionais (-2,9% no 4.º trimestre de 2019), -7,3% por ferrovia (-12,3% no trimestre anterior) e -2,8% por rodovia (+0,6% no 4.º trimestre de 2019).

Por ar
O movimento de carga e correio nos aeroportos nacionais ascendeu a 49,2 mil toneladas, correspondendo a uma subida de 4,2%, face ao mesmo trimestre de 2019, tendo-se verificado acréscimos tanto no conjunto embarcado (+7,1%; +17,3% no 4.º trimestre de 2019) como no desembarcado (+1,1%; +14,9% no 4.º trimestre de 2019).

O impacto da pandemia COVID-19 nos transportes aéreos foi significativo no mês de março, com decréscimos transversais: -38,6% (aeronaves aterradas), -53,5% (movimento de passageiros), -16,6% (movimento de carga e correio).

Por mar
No 1.º trimestre de 2020, entraram nos portos nacionais 3.135 embarcações de comércio, o que corresponde a um decréscimo de 3,2% (+2,8% no 4.º trimestre de 2019). Quanto à dimensão das embarcações entradas, verificou-se um decréscimo de 7,6% em arqueação bruta (+0,6% no 4.º trimestre de 2019).

O movimento de mercadorias nos portos (21,5 milhões de toneladas) diminuiu 2,7% no 1.º trimestre do ano, mantendo a tendência de redução apresentada desde o 2.º trimestre de 2019 (-9,2%, -12,9% e -2,9% nos 2.º, 3.º e 4.º trimestre de 2019, respetivamente).

Em Sines registou-se o movimento de 10,1 milhões de toneladas de mercadorias no 1.º trimestre, correspondendo a uma diminuição de 6,8% (-9,6% no 4.º trimestre de 2019).

Leixões, com um aumento de 13,6% nas mercadorias movimentadas, manteve uma tendência positiva (+11,9% e +2,4% no 3.º e 4.º trimestres de 2019, respetivamente).

No porto de Lisboa verificou-se um decréscimo de 19,8%, invertendo a situação verificada no 4.º trimestre de 2019 (+17,5%), situação idêntica à registada no porto de Setúbal, embora com um decréscimo de dimensão inferior (-5% no 1.º trimestre de 2020; +19,6% no 4.º trimestre de 2019).

O porto de Aveiro cresceu 4,2% no 1.º trimestre de 2020, recuperando assim da diminuição no trimestre anterior (-21,4%) e o porto da Figueira da Foz voltou a registar um aumento no trimestre em análise (+22,8%; +14,6% no 4.º trimestre de 2019).

As mercadorias carregadas (8,2 milhões de toneladas) reduziram-se 2,3%, refletindo os decréscimos apresentados pelos portos de Lisboa (-31,4%) e Setúbal (-15,0%). Os portos de Aveiro, Leixões e Sines registaram aumentos de 9,1%, 7,8% e 1,1%, respetivamente.

As mercadorias descarregadas atingiram 13,2 milhões de toneladas (-3%), consequência dos decréscimos assinalados em Lisboa (-12%) e Sines (-11,3%), apesar dos aumentos nos portos da Figueira da Foz (+32,3%), Leixões (+17,3%), Setúbal (+4,4%) e Aveiro (+2,2%).

Foram movimentadas 18,6 milhões de toneladas de mercadorias em tráfego internacional (-2,1%; -4,5% no 4.º trimestre de 2019), correspondendo a 86,5% do total (84,6% no 4.º trimestre 2019). O tráfego nacional diminuiu 6,9% (após aumento de 7,1% no trimestre anterior), atingindo 2,9 milhões de toneladas.

Por terra
No 1.º trimestre de 2020, o transporte de mercadorias por modo ferroviário registou um decréscimo de 7,3% em termos de toneladas transportadas (-12,3% no trimestre anterior), tendo o respetivo volume de transporte (toneladas-km) diminuído 8,1% (-9,5% no 4.º trimestre de 2019).

Já via rodoviária, no 1.º trimestre de 2020, o transporte de mercadorias diminuiu 2,8% (+0,6% no 4.º trimestre de 2019) e atingiu 38,7 milhões de toneladas. O transporte nacional registou uma ligeira subida (+0,7%) para 33,7 milhões, enquanto o transporte internacional decresceu 21,1% para 5 milhões.

O volume de transporte, medido em toneladas-km (tkm), reduziu-se 14,6% para 7,3 mil milhões de tkm. O transporte nacional contraiu 3,9% (-8,2% no 4.º trimestre de 2019) para 2,6 mil milhões. No transporte internacional, a contração foi mais acentuada (-19,4%, +1,4% no 4.ºtrimestre de 2019) e atingiu 4,8 mil milhões.

Os “produtos não energéticos das indústrias extrativas …” mantiveram-se como o grupo de mercadorias com maior representatividade no transporte nacional de mercadorias com uma quota de 27% (+0,1 p.p.). Seguiram-se os “Outros produtos minerais não metálicos” com uma quota de 11,4% (-1,6 p.p.), os únicos, a par dos “produtos não energéticos das indústrias extrativas …”, a registar uma quota superior a 10%. A maior redução verificou-se nos “Produtos da agricultura, da produção animal, …” que atingiram 7,7% de quota (-2,6 p.p.).