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24 Horas na vida de….Rui Pinto, ECCO

A forma de trabalhar do diretor de Supply Chain da Ecco foi moldada pela sua experiência no basquetebol, onde foi jogador, treinador e dirigente. O basquete ensinou-lhe a trabalhar em equipa, ser treinador marcou a sua forma de liderar. “Trata-se de motivar pessoas, cada uma com as suas responsabilidades individuais e que fazem parte de uma equipa de trabalho com valores comuns. Isto é tão verdade numa equipa de desporto como numa empresa”, diz Rui Pinto.

Licenciado em matemática, Rui Pinto trabalhou na área das Tecnologias de Informação, em consultoria e gestão e foi professor na Porto Business School. Deu os primeiros passos na área da logística no Grupo Amorim e foi diretor de logística na Aerosoles durante dez anos, o que marcou a sua entrada no mundo do calçado. Em 2012 ingressa na Ecco, quando a marca dinamarquesa de calçado reabre a unidade de produção em Portugal.
Os dias de Rui Pinto começam cedo. Acorda pelas 6h30, em Ovar, onde mora, e antes das 8 horas está na fábrica da Ecco de São João de Ver, em Santa Maria da Feira, onde passa a maior parte dos seus dias. Começa por dar resposta aos muitos e-mails que chegam durante a noite, porque a Ecco mantém muitas relações com fornecedores asiáticos. Seguem-se curtas reuniões de ponto de situação com vários membros da equipa, que antecipam a reunião diária de supply chain que tem início às 10 horas. “Nesta reunião, que dura normalmente cinco a dez minutos, temos um quadro que é atualizado diariamente com indicadores do dia anterior, mas em que o foco está no planear das semanas que se seguem”, explica Rui Pinto.

Rui Pinto - ECCO - Logística e Transportes Hoje

A equipa de supply chain da Ecco é constituída por cerca de 50 pessoas,  e está organizada em três grandes áreas: compras; planeamento de produção; e operações logísticas, o que inclui importação/exportação, armazéns e distribuição.Depois da reunião das 10 horas, segue-se outra, um pouco mais alargada, com os três managers que lhe reportam diretamente. Pelas 11 horas nova reunião, também curta, onde estão presentes os restantes diretores da empresa, para fazer uma leitura mais alargada da performance do dia anterior e tomar algumas decisões. “Esta reunião, que tem o nome de MIC – Management Information Center, existe em todas as unidades do grupo. São 10 a 15 minutos, onde, todos em pé, analisamos alguns indicadores do dia anterior, de qualidade, eficiência, gestão de recursos humanos, etc”. Outras reuniões habituais são a reunião de Direção semanal e, sem data fixa, as reuniões com os colegas de outras áreas, sobre projetos que não têm necessariamente a ver com a supply chain.  Diariamente Rui Pinto e mais algum membro da sua equipa visitam o armazém de matérias-primas, “para percebermos como as coisas estão a correr”. São também regulares as reuniões de videoconferência com fornecedores e com a sede para a área de produção da Ecco, em Singapura. Três ou quatro vezes por ano viaja, normalmente a Singapura e à China.

Liderança “claramente participada”

Na Ecco, a área da supply chain tem duas linhas de ação. No dia-a-dia assegura as duas pontas do processo: garantir que a fábrica funciona sem paragens e que os sapatos são entregues a tempo e horas aos clientes. A outra linha de atuação tem a ver com o trabalho no desenvolvimento de novos materiais, soluções e, por vezes, novos fornecedores, para planear a próxima coleção e garantir que é possível lançar vários novos produtos ao longo do ano, para além das coleções de Outono / Inverno e Primavera / Verão. A forma de organização do trabalho na Ecco está diretamente relacionada com a cultura da empresa, a que Rui Pinto procura dar um cunho pessoal. “Temos uma forma de trabalhar interessante, há uma cultura de estímulo ao trabalho de equipa e da excelência, e de preocupação com o desenvolvimento das pessoas e objetividade na forma como organizamos o nosso tempo. Considero que o funcionamento da equipa é fundamental, tal como o respeito pelas pessoas. O trabalho resulta do esforço de todos e se as pessoas se sentem bem na empresa os resultados aparecem”.

Rui Pinto - Ecco - armazém - Logística e Transportes Hoje
Rui Pinto gosta da área de recursos humanos e tem um estilo de liderança “claramente participada”. “Para mim é importante que as pessoas se sintam à vontade para dizerem o que pensam e darem sugestões. Há um grande grau de delegação de responsabilidades nos managers, e em quem realiza as tarefas no dia-a-dia. O meu trabalho é sobretudo de planeamento, de comunicação com a equipa, de partilha das orientações estratégicas e de criação das condições para que o trabalho se execute com eficiência”.
A equipa de supply chain foi quase toda recrutada a partir de 2012 e está ainda em fase de crescimento. Rui Pinto valoriza o seu trabalho de desenvolvimento da equipa e de crescimento individual de cada um. “Há muitos anos que trabalho com pessoas e é uma área que me dá particular prazer”.

Basquete continua com os filhos

Os finais de dia são quase sempre ocupados na logística das atividades extracurriculares dos três filhos, dois rapazes de 17 e 13 anos e uma rapariga de 8 anos. A partir das 17h30 cabe-lhe ir buscá-los às escolas e levá-los às respetivas atividades desportivas. Os rapazes seguiram os passos do pai e jogam basquete, a rapariga anda na natação. Já em casa, Rui Pinto gosta de ver as notícias do dia, fazer algumas leituras e ver ou rever filmes clássicos.
Também ele joga basquete ao sábado, com um grupo de amigos, e acompanha os jogos dos filhos aos fins-de-semana. Ao domingo gosta de almoçar em família com os pais e a sogra. Quando o tempo está bom, dão uma volta na ria de Ovar ou vão ver o mar, que fica apenas a 5 km. Os fins-de-semana de verão, com a interrupção das atividades desportivas, são mais calmos e normalmente ocupados na praia, pelas manhãs, ou com amigos. Por vezes, nos fins-de-semana compridos, viajam pelo país. Rui Pinto não tem locais de eleição e a opção é visitar locais que não conhecem. “Em Portugal temos uma diversidade de paisagens tão grande e tão atraente que não me foco numa só, tanto gosto do Douro como de Évora”.
As férias fazem-se normalmente no Algarve, por um período de duas semanas que coincide com o fecho da fábrica. Este ano a família vai variar: “Vamos aos Açores, pois tenho lá família”, conclui Rui Pinto.

ECCO - molde sapato - Logística e Transportes Hoje