Automação

Bosch: “Portugal tem estado na linha da frente da condução autónoma”

Bosch: “Portugal tem estado na linha da frente da condução autónoma”

Armin Karle, responsável pelo Centro de Desenvolvimento da Bosch em Braga, fala à LOGÍSTICA & TRANSPORTES HOJE do desenvolvimento do sensor de posicionamento para veículos autónomos, VMPS, e do papel fundamental que a pesquisa em Portugal terá no futuro da autonomia nas estradas.

É de Braga que está a sair alguma da tecnologia de ponta que será utilizada nos veículos autónomos do futuro (camiões incluídos). O VMPS (Vehicle Motion and Position Sensor)será colocado nos carros em 2020”, admite Armin Karle, salientando ainda que um novo ciclo de investimento em inovação em Portugal, “ultrapassando os 50 milhões de euros até 2022 e focado no desenvolvimento de soluções nas áreas de mobilidade, cidades seguras e inteligentes e indústria conectada”.

Quantas pessoas tem a equipa que está a trabalhar no sensor de posicionamento VMPS?
A equipa começou com dois engenheiros do Centro de Tecnologia e Desenvolvimento em Braga, que foram responsáveis pelo desenvolvimento do hardware e dos primeiros protótipos funcionais para a prova de conceito. Tal como planeado originalmente, esta equipa cresceu para 35 elementos, que começaram a trabalhar no novo hardware e software do sensor. No entanto, em paralelo com estes elementos, há uma equipa internacional que faz parte deste grupo, e é com o contributo e expertise de todos que está a ser desenvolvido o sensor que será instalado nos carros em 2020.

“Para tornar esta realidade possível, é necessário equipar os veículos e infraestruturas com todas as tecnologias necessárias, para que a condução autónoma seja, acima de tudo, uma realidade segura para condutores, passageiros e também peões”

Onde serão instalados os sensores?
A condução totalmente autónoma depende de muitos fatores. Não seria sequer correto dizer que basta colocar carros autónomos na estrada para implementar a condução autónoma na totalidade. Para tornar esta realidade possível, é necessário equipar os veículos e infraestruturas com todas as tecnologias necessárias, para que a condução autónoma seja, acima de tudo, uma realidade segura para condutores, passageiros e também peões. Uma vez que a Bosch não é uma construtora automóvel, mas sim uma fornecedora de tecnologia, produtos e serviços à indústria automóvel, não faz sentido instalar o VMPS nas nossas unidades.

Este é um produto que estamos a desenvolver, mas que queremos partilhar com a indústria em geral. Queremos que o nosso contributo para condução sem acidentes e também mais eficiente e amiga do ambiente seja alargado a todas as estradas no mundo, e nesse sentido este é um dispositivo que queremos disponibilizar aos construtores que identifiquem potencial e queiram instalá-lo nos seus veículos.

Da mesma forma que ajudamos a tornar a condução mais segura através de ABS, ESP e outros sistemas, que se encontram em qualquer veículo do mundo, queremos que o VMPS tenha o mesmo papel de ser Bosch mas ao mesmo tempo esteja em todos os veículos do mundo.

Onde vão ser feitos os testes?
Os testes são uma parte fundamental do desenvolvimento de produto e aqui em Braga conseguimos fazer muitos dos testes necessários para validar o trabalho das equipas de hardware/software/mecânica. Os testes finais serão feitos no sítio final de produção.

Armin Karle, responsável pelo Centro de Desenvolvimento da Bosch em BragaSendo uma unidade móvel pequena e interconectável, é relativamente fácil instalá-la num dos nossos carros de teste e usar as estradas de Braga como um ambiente real para estudar e desenvolver tanto a tecnologia como o produto em si. Em paralelo aos testes que fazemos, trabalhamos de perto com os nossos parceiros/clientes para que o produto final se adapte às especificidades dos seus veículos.

Têm alguma construtora automóvel a testar convosco?
Nesta fase, o que podemos avançar é que já temos vários clientes que querem este sistema e que já está a ser testado por um deles, e será colocado nos carros em 2020.

Há em Braga expertise específico nesta área?
Sim, este expertise é uma realidade na Bosch Braga. É precisamente por causa de todo este conhecimento que afirmamos que Portugal, e neste caso específico Braga, tem estado na linha da frente da condução autónoma desde 2015. Parte da tecnologia que vai permitir a condução totalmente autónoma nasceu e está a ser desenvolvida em Braga, com uma equipa de investigação altamente qualificada e especializada. Parte do sucesso deste trabalho reside na parceria que temos há anos com a Universidade do Minho e que nos permitiu reter imenso talento, que é agora uma referência, não só a nível nacional, mas também internacional.

A criação de um centro de desenvolvimento e investigação em Braga dedicado às áreas de condução autónoma é um reflexo da nossa enorme capacidade de encontrar soluções que, além de responder aos requisitos para os quais fomos desafiados, são capazes de ir ao encontro de necessidades específicas do mercado automóvel.

“A criação de um centro de desenvolvimento e investigação em Braga dedicado às áreas de condução autónoma é um reflexo da nossa enorme capacidade de encontrar soluções que, além de responder aos requisitos para os quais fomos desafiados, são capazes de ir ao encontro de necessidades específicas do mercado automóvel”

Estamos a desenvolver produtos e tecnologia que sabemos que terão um grande impacto no futuro na indústria automóvel, mas a o mesmo tempo temos consciência de que estamos a antecipar necessidades que irão surgir com a evolução deste mercado, que mais que a crescer se está a transformar.

Estão a trabalhar noutros projetos?
Felizmente não nos faltam projetos na Bosch em Portugal, tanto na unidade de Braga como na de Ovar. Duas novas parcerias de inovação com as Universidades do Minho e do Porto foram apresentadas recentemente, indicando um novo ciclo de investimento em inovação em Portugal, ultrapassando os 50 milhões de euros até 2022 e focado no desenvolvimento de soluções nas áreas de mobilidade, cidades seguras e inteligentes e indústria conectada.

Em 2022, as equipas da Bosch e da Universidade do Minho estarão focadas no desenvolvimento de tecnologia essencial para que o veículo possa sentir o ambiente que o rodeia e tomar decisões com base em inteligência artificial e sensores. No caso de Ovar, um dos focos da parceria é o projeto Cidades Seguras, que procura responder e antecipar os desafios que as sociedades urbanas modernas enfrentam com o desenvolvimento de um ecossistema IoT (Internet das Coisas) para cidades seguras.

Esta entrevista foi publicada originalmente na edição 140 da revista LOGÍSTICA & TRANSPORTES HOJE