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Correos Express Portugal: “O e-commerce em Portugal vai crescer mais que o previsto”

Correos Express Portugal: “O e-commerce em Portugal vai crescer mais que o previsto”

Com um investimento inicial de quatro milhões de euros, a Correos Express Portugal irá garantir um serviço integrado de entrega expresso de encomendas em 24 horas em toda a Península Ibérica, através de uma rede “de entrega única, ágil e eficiente”.

Juan Manuel Serrano, presidente da Correos

Com que estratégia comercial se lança a Correos em Portugal?
A estratégia da Correos em Portugal é imposta pelo mercado, são os nossos clientes que nos exigem que consideremos o mercado ibérico como um só mercado. Até ao momento a nossa rede não o permitia e com este passo pretendemos prestar o nosso serviço sem fazer distinções por uma fronteira. O que queremos é que todo o mercado seja considerado uma mesma zona geográfica. É uma exigência recorrente dos nossos clientes, tanto de multinacionais espanholas como de multinacionais estrangeiras, e o objetivo é dar resposta às suas exigências.

Porque escolheram para Portugal os serviços expresso, e não outros do setor postal?
Porque o nível de crescimento que a Correos está a registar em Espanha graças à eclosão do mercado eletrónico e das compras através da Internet é a dois dígitos. Estamos a crescer na ordem dos 20% no mercado das encomendas que se gera com a compra online, e acreditamos que em Portugal o mesmo vai suceder, nos próximos anos. O que queremos é que, quando tal aconteça, a Correos esteja já implementada em Portugal.

O mercado das encomendas em Portugal vai crescer previsivelmente uns 4% a 5% nos próximos anos, mas nós estamos convencidos que esse crescimento será maior, fruto do potencial desenvolvimento do comércio online.

O que surgiu primeiro, a oportunidade de mercado graças ao crescimento do e-commerce em Portugal, e por isso decidiram investir no mercado português, ou a intenção de entrar no país de algum modo e resolveram começar por apostar no comércio eletrónico?
Uniram-se os dois fatores. Por um lado, os nossos clientes já tinham um mercado em Portugal, e, portanto, queriam que considerássemos o mercado ibérico como um só, como referi. E por outro as perspetivas que temos sobre o crescimento do comércio eletrónico. Os dois fatores foram determinantes para eleger Portugal.

Porque escolheram a Rangel como parceiro em Portugal?

Porque é o primeiro operador independente dentro de Portugal, no mercado das encomendas, o primeiro que gere um negócio na ordem dos 6% do total do volume de negócios do mercado das encomendas, e porque acreditamos que há uma oportunidade para que as duas empresas cresçam juntas. Neste contexto, aproveitando a sua experiência no mercado português e na certeza de que é um parceiro de confiança e com prestígio dentro do mercado, o que fizemos foi unir esforços.

Nuno Rangel, CEO do Grupo Rangel

“É preciso que as empresas se digitalizem”

O que levou a Rangel a vender a participação da Rangel Expresso?
Hoje o mercado expresso está dominado por operadores de grande dimensão, boa parte deles multinacionais ligadas a grupos de correios. Cada vez mais competimos como uma empresa independente no mercado particular.

Sabendo que o mercado está a evoluir para o B2C no comércio eletrónico e que este está com uma presença ibérica que é essencial, quando a Correos nos abordou dizendo que queria ter uma parceria connosco, entrando no nosso capital mas mantendo-nos como sócios, perspetivámos o negócio com muito interesse, porque nos vai dar a capacidade de estar no mercado com outras ferramentas e outras tecnologias. Trata-se de uma forma diferente de competirmos, estando dentro de um grande grupo estatal, e é um privilégio sermos sócios da Correos.

Previsivelmente em que irá traduzir-se essa capacidade, ou seja, que perspetiva tem a nível do próprio crescimento da empresa e das operações que irão desenvolver com esta parceria?
Temos previsto faturar este ano cerca de 26 milhões de euros, e o objetivo é em cinco anos podermos alcançar cerca de 60 milhões de euros.

Vão ter novos serviços com esta fusão ou vão manter o mesmo tipo de soluções da Rangel Express?
Para já vamos manter o mesmo nível de serviços que já temos. Naturalmente, passaremos a ter um grande serviço de transporte expresso de Portugal para Espanha. Esse será um foco e uma grande aposta. E obviamente que vamos também apostar em fazer crescer o transporte em Portugal, mais assente no segmento do B2C.

Acredita que esta entrada da Correos em Portugal vai impulsionar o comércio eletrónico no país, uma vez que há ainda grande espaço para desenvolver esta área?
Portugal tem ainda muito espaço, mas é preciso, obviamente, que as empresas se digitalizem. A Correos Express Portugal vai dar soluções de transporte expresso eficientes a essas empresas que se digitalizem e comecem a vender online.

Como encara a evolução das empresas a nível digital no mercado nacional?
Acho que o mercado tem de evoluir e que os portugueses têm de ganhar um pouco mais de confiança para comprar online. Espanha está mais evoluída que nós nesta matéria, mas acredito que isso é uma questão de tempo, e que iremos progredir no mesmo sentido.