Logística

O automatismo como mecanismo operativo

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A Luís Simões acaba de realizar um investimento na ordem dos 17 milhões de euros num novo modelo de Centro de Operações Logísticas, em Espanha. Em Portugal, o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e o compromisso com a automação nestes centros têm também permitido à empresa desenvolver uma maior velocidade e produtividade, bem como aumentar o rigor e flexibilidade das operações, sem incorrer num aumento de custos.

Ao longo da última década, a Luís Simões (LS) totalizou um investimento de 70 milhões de euros em inovação logística. Este valor destinou-se ao arranque dos Centros de Operações Logísticas (COL) do Carregado e de Cabanillas del Campo (Espanha) e da Plataforma Logística do Porto de Leixões, assim como à renovação da plataforma que a empresa possui em Vila Nova de Gaia, todas elas com um elemento comum diferenciador: o automatismo como mecanismo operativo.

Segundo o diretor de Inovação e Processos da Luís Simões, António Fernandes, este plano de investimento “foi um impulso definitivo na aposta em inovação da empresa”. Em entrevista à LOGÍSTICA & TRANSPORTES HOJE, o responsável explica que, em 2008, a LS colocou em funcionamento o Centro de Operações Logísticas do Futuro, no Carregado, “um armazém automático único no mundo”, uma vez que, ao contrário do que é usual neste tipo de armazém, o equipamento automatizado circula suspenso a 19 metros de altura, e não sobre carris. Com 20 mil metros quadrados de área, capacidade para 56 mil paletes e movimentação in/out de 600 paletes por hora, este Centro é um espaço onde tudo funciona de forma autónoma 24 horas por dia, 7 dias por semana. Como sublinha António Fernandes, “uma das vantagens deste equipamento inovador é a possibilidade de utilizar o solo para operações logísticas com pessoas, aliando a atividade convencional à automatizada”.

Destaca-se ainda o Centro de Operações Logísticas de Cabanillas del Campo, em Guadalajara, com 66 mil metros quadrados de área útil, capacidade para 88 mil paletes, e que conta “com as mais recentes ferramentas tecnológicas que permitem automatizar a expedição de paletes, e com uma solução especialmente adaptada aos requisitos da logística para o e-commerce”.

O novo modelo de gestão automatizado, em conjunto com as soluções pick & put to light, “permite melhorar o índice de produtividade em operações de alta rotação”, como é o caso do comércio eletrónico, “incrementando a eficiência em tarefas de picking e minimizando a probabilidade de erro”, conclui o diretor de Inovação e Processos da Luís Simões.

O impacto destas soluções inteligentes no negócio da empresa é expressivo: o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e o compromisso com a automação nos Centros de Operações Logísticas permitem à Luís Simões “desenvolver uma maior velocidade e produtividade, bem como aumentar o rigor e flexibilidade das operações, sem incorrer num aumento de custos”. Deste modo, “a LS ganha eficiência ao mesmo tempo que se adapta às novas tendências e aos requisitos de cada cliente, oferecendo um serviço abrangente aplicado a toda a cadeia de abastecimento”, afirma António Fernandes.

Inovação tecnológica potencia produtividade

A Luís Simões acaba de realizar um investimento na ordem dos 17 milhões de euros num novo modelo de Centro de Operações Logísticas, em Cabanillas del Campo (Guadalajara). O centro, operado inteiramente pela LS, iniciou a sua atividade em 2017 e está 100% operacional. De acordo com o diretor de Inovação e Processos da empresa, grandes marcas e empresas internacionais, como Bacardi, Diageo, Delonghi, Procter&Gamble ou Dolce Gusto, “confiam nesta operação para a gestão das suas operações em Espanha”, com operações de e-commerce, serviços de copacking, armazenamento ou preparação de pedidos por unidade, entre outros.

Neste centro, com capacidade para 95 mil paletes e onde se produzem 100 mil unidades diárias de picking, entram 60 camiões de descarga e saem 150 camiões de carga por dia. Destacando-se por apresentar “uma das mais recentes ferramentas tecnológicas que permitem automatizar a expedição de paletes”, o COL da Luís Simões em Cabanillas tem uma capacidade de saída de 200 paletes por hora.

Outra solução totalmente integrada nas operações diárias da Luís Simões é a logística para o e-commerce, que conta com mais de 5 mil metros quadrados dedicados a este tipo de serviços, e onde se realizam cerca de 4 mil expedições diárias. Entre as várias funcionalidades desta solução destaca-se o armazenamento, a preparação de pedidos por unidade, o packaging, a gestão administrativa e a distribuição, ajustados às necessidades de cada cliente. Como adianta à DISTRIBUIÇÃO HOJE António Fernandes, “são vários os clientes que confiam este serviço à Luís Simões”, incluindo a Dolce Gusto, Nespresso, O Boticário, Concentra, e CR7 Shoes, sendo que este último inclui envios para todo o mundo.

Também para esta tipologia de operações “a Luís Simões sentiu a necessidade de inovar”, implementando soluções tecnológicas que potenciam o aumento da produtividade na operação: o pick & put to light é um sistema que permite a redução dos tempos de preparação das encomendas, a eficiência nas tarefas de picking e a redução da probabilidade de erro, diz ainda o responsável.

Garantindo que “a segurança de pessoas e bens é um dos valores fundamentais nas operações” da Luís Simões, António Fernandes sublinha que, com base nesta premissa, a empresa realizou um investimento de cerca de um milhão de euros numa Control Tower localizada no centro de operações do Carregado, que acompanha a segurança (de pessoas e bens) no interior e no exterior de todas as instalações a nível ibérico, bem como a rastreabilidade da mercadoria transportada nos veículos.

Esta torre de controlo está operacional 24/7/365, o que permite obter uma redução de 30% nas incidências de segurança. Desde a sua implementação a empresa reduziu em 80% o tempo de resposta a incidências ocorridas nas operações, das 36 horas iniciais para as sete horas máximas atuais, avança também António Fernandes. Este investimento representa “mais uma aposta na inovação, que permitiu uma otimização dos custos ligados à segurança”, conclui.

Consolidação sustentada no mercado

Em 2017, o volume de vendas consolidado da Luís Simões foi de 239 milhões de euros. Este foi um ano de consolidação no mercado português, apresentando uma taxa de crescimento sustentada pelo lançamento de novas operações e pelo aumento do consumo generalizado. Também 2018 está a ser um ano de consolidação dos investimentos e da carteira de clientes da empresa, que quer continuar a ser inovadora, aumentando o seu investimento em investigação e desenvolvimento para dar continuidade à melhoria da sua eficiência operacional.

Assumindo-se como um operador logístico de referência, líder no mercado de fluxos rodoviários entre os dois países ibéricos, a Luís Simões gere uma frota de 2100 viaturas (próprias e subcontratadas) e conta com cerca de 2000 colaboradores. Presta serviços integrados de logística em toda a Península Ibérica, em 25 centros de operações que superam os 350 mil metros quadrados de capacidade instalada, em dez regiões diferentes da Península Ibérica.

Tendo iniciado atividade em Loures, em 1948, a empresa está no mercado espanhol há mais de 30 anos, com sua sede em San Fernando de Henares (Madrid), onde se encontram os serviços corporativos de apoio ao negócio, contando com mais de 20 sites, que se dividem em Centros de Operações Logísticas (COL) e Centros de Operações de Transporte (COT).

Distribuídos ao longo de todo o território, a LS conta com 9 Centros de Operações Logísticas em Portugal (Azambuja, Carregado, Castanheira do Ribatejo, Coimbra, Faro, Gaia, Leixões, Palmela e Póvoa de Santa Iria) e 8 em Espanha (Alovera, Zona Franca  de Barcelona, Cabanillas del Campo, Daganzo, Llicá de Vall, Maiorca, Sevilha e Valência).

No total, a LS conta atualmente com:

  • 9 Centros de Operações de Transporte (COT)
  • 25 Centros de Operações Logísticas (COL)
  • 27 Plataformas de Cross-Docking
  • 9 Centros de Copacking
  • 3 Centros de Assistência Técnica (Reta), apenas em Portugal.

Entre os indicadores de negócio da empresa são de destacar:

  • 4.417.232 de unidades de picking/mês
  • 840 rotas de distribuição/dia
  • 3.210.700 unidades de copacking/mês
  • 7 milhões de toneladas transportadas/ano
  • 200 milhões de quilómetros percorridos/ano.