Logística

STEF Portugal: “Estamos presentemente num trend de crescimento”

STEF Portugal: “Estamos presentemente num trend de crescimento”

Instalada em Algoz, no concelho de Silves, a nova plataforma logística da STEF reforça a cobertura da empresa a nível nacional na distribuição de alimentos sob temperatura controlada e aproxima os produtos regionais dos mercados europeus. Garantindo a otimização dos fluxos através da redução dos timings (da recolha à entrega passam apenas 24 horas), a unidade do Algarve insere-se num plano de investimentos alargado cujo próximo projeto, previsto para 2020, será uma plataforma de transporte na área da Grande Lisboa, como explica, em entrevista à LOGÍSTICA&TRANSPORTES HOJE, o diretor-geral da STEF Portugal, François Pinto.

A STEF Portugal inaugurou oficialmente, a 12 de fevereiro, a sua primeira plataforma própria no Algarve, localizada em Algoz, no concelho de Silves. Reforçando a estratégia de investimento que a empresa vem realizando a nível nacional, nos últimos três anos, a unidade do Algarve reforça a cobertura da STEF na distribuição de produtos da indústria agroalimentar.

Com uma área coberta de cerca de 1.200 metros quadrados, a nova plataforma bi-temperatura, na qual a empresa investiu perto de dois milhões de euros, é uma das maiores entre as dez que a STEF opera, atualmente, no nosso país, e vem responder às necessidades crescentes de distribuição de uma região em franco desenvolvimento, graças ao crescimento da atividade turística.

Como sublinha em entrevista à LOGÍSTICA&TRANSPORTES HOJE o diretor-geral da STEF Portugal, François Pinto, esta unidade cria um cross docking para fazer a distribuição “dos produtos recolhidos em todo o país” no Algarve, com a vantagem de potenciar a expedição dos produtos da região, “quer na distribuição em Portugal, quer na Europa”.

A sua “grande mais-valia” é permitir tratar os fluxos com maior velocidade – numa distribuição de A para B, isto é, até que os clientes da STEF recebam as mercadorias dos seus fornecedores, decorrem apenas 24 horas -, o que garante “uma cobertura total no país”.

“A STEF Portugal está inserida num cluster ibérico que, em 2018, ascendeu a 269 milhões de faturação, com um crescimento de 9,5%”

Desenvolvida no âmbito de uma estratégia de investimento que a STEF Portugal tem vindo a realizar para dar resposta a um crescimento que, em 2019, será previsivelmente consolidado, a plataforma do Algarve vem contribuir para a distribuição dos produtos nacionais “para além do ‘mercado da saudade’”, isto é, no mercado europeu, onde, graças à rede alargada que tem presente em sete países, a STEF oferece aos seus clientes “uma capacidade de entrega com um grau de capilaridade muito relevante”.

STEF Portugal: “Estamos presentemente num trend de crescimento”

Que perspetivas têm quanto às novas operações que a plataforma logística da STEF em Algoz permite, a Sul?
Numa primeira fase, a plataforma de Algoz dá suporte à distribuição dos produtos que recolhemos em todo o país na região do Algarve. Esta nova plataforma permite-nos ter um ponto (cross docking, como chamamos) para fazer a distribuição nesta zona.

O segundo objetivo é acompanhar os nossos clientes algarvios na expedição dos produtos, quer na distribuição no país, quer na Europa. É essa ambivalência que estamos à procura com esta plataforma.

 Em que medida reforça esta unidade a qualidade dos serviços prestados pela empresa, a nível global?
Com esta plataforma dotamos efetivamente o Algarve com umas condições que o mercado não tinha. Estamos a falar de mais de 1.200 metros quadrados – mil metros quadrados refrigerados, 250 metros quadrados de congelado -, ou seja, temos agora umas condições que permitem o desenvolvimento e o acompanhamento dos nossos produtos, e que antes não tínhamos nesta zona.

De que modo irá esta unidade permitir colocar os produtos regionais mais perto dos principais mercados europeus?
Essa é uma pergunta muito pertinente. O facto de termos uma plataforma que permite tratar os fluxos com maior velocidade permite-nos ter uma seleção dos mesmos (sair daqui, passar por Lisboa e ir direto ao Porto) que garante uma cobertura total no país. Temos também as nossas plataformas regionais, quer em Castelo Branco, quer em Coimbra, em Mangualde e em Vila Real, que nos permitem distribuir e ter justamente essa gestão de fluxos a nível nacional.

De referir ainda que, e obviamente, aproveitamos tanto Lisboa como o Porto para expedir os produtos no resto do país.

Na prática que vantagens traz esta proximidade dos produtos regionais aos vários mercados, tanto para os clientes da STEF como para toda a cadeia logística?
A vantagem que traz é a otimização dos fluxos, ou seja, a redução dos timings. A recolha é feita à tarde, expedimos à noite e no dia seguinte estamos a entregar em todo o país. Trata-se daquilo a que chamamos uma distribuição de A para B, isto é, até que o nosso cliente receba do seu fornecedor (do momento da recolha até ao momento da entrega) passam-se apenas 24 horas. E esta é a grande mais-valia desta plataforma.

 Lisboa em 2020

Que primeiro balanço faz da abertura das plataformas de Vila Real e Mangualde, da ampliação da unidade em Coimbra e do aumento da capacidade de armazenagem e transporte nas plataformas de Lisboa e do Porto?
Nos últimos três anos encerrámos uma primeira fase de investimentos muito importante, que abrangeu todas essas aberturas e remodelações. A plataforma de Mangualde está operacional desde janeiro de 2018 e a de Vila Real desde abril; o aumento da capacidade de Lisboa foi feito durante o verão e no Porto estamos neste momento a finalizar as obras da última ampliação. Diria, pois, que 2018 foi um ano muito desafiante a nível imobiliário para a STEF. Era uma necessidade ampliar quase todas as nossas unidades.

STEF Portugal: “Estamos presentemente num trend de crescimento”

Só para se ter alguma noção, temos hoje um dispositivo na área do congelado com 160 mil metros cúbicos disponíveis para o mercado, bem como uma área abrangida, incluindo já a abertura desta plataforma no Algarve, de 43 mil metros quadrados. A plataforma da STEF no Algarve dispõe atualmente de um volume de armazenagem de cerca de 1.500 metros cúbicos.

O ano de 2019 servirá para analisar e digerir o nível de crescimento que tivemos nestes últimos anos. É um ano que vamos dedicar a analisar essas situações e a determinar onde iremos precisar de novos investimentos. Mas parece claro que nos estamos a dirigir para um novo projeto no início de 2020: uma plataforma de transporte na área da Grande Lisboa.

Quais são os grandes objetivos e que operações estão previstas para esta plataforma de transportes? Que investimento está a realizar a STEF Portugal na mesma?
Todos os investimentos do grupo STEF são realizados com o objetivo de acompanhar o desenvolvimento dos nossos clientes e de responder de forma eficiente às suas necessidades. Oportunamente serão divulgados dados referentes à nova fase do plano de investimentos, que implementaremos nos próximos anos.

“Estamos a dirigir-nos para um novo projeto no início de 2020: uma plataforma de transporte na Grande Lisboa”

Quais são as expectativas de crescimento da STEF Portugal face a todos estes investimentos, a nível de volume de negócios?
Estamos presentemente num trend de crescimento. A STEF Portugal está inserida num cluster ibérico onde, no ano passado, ascendemos a 269 milhões de faturação, com um crescimento de 9,5% (tanto em Portugal como em Espanha). E esta é uma tendência que estamos a observar já há três anos e que, em 2019, à priori, vai ser a mesma.

Neste contexto, os investimentos que a STEF Portugal tem vindo a realizar são muito importantes para podermos dar resposta ao crescimento que estamos a observar. Sendo que, eu diria, 2019 será um ano de crescimento consolidado.

E quais são os setores que mais contribuem para esses resultados?
A STEF está presente em vários setores: todos os da indústria agroalimentar, quer de produtos congelados quer de refrigerados; na área do retalho nacional, na qual acompanhamos os nossos clientes no crescimento que estão a observar; e ainda numa terceira atividade onde registamos também um grande crescimento, que é a área da restauração (comercial e social).

A nível global, que expectativas de crescimento tem a empresa no que respeita ao reforço da sua posição de liderança na Europa em serviços de transporte e logística sob temperatura controlada?
No mercado europeu, e graças à rede alargada que tem presente em sete países, a STEF oferece obviamente aos seus clientes uma capacidade de entrega com um grau de capilaridade muito relevante em todo o território, nestes países. Na realidade, o crescimento na área internacional até é um pouco superior àquilo que é o anúncio dos 9,5%. Para este fator contribui o facto de o produto português estar a ser cada vez mais distribuído para além do ‘mercado da saudade’.

A STEF está a acompanhar esse crescimento em todos os países, prevendo um ano de crescimento também a nível europeu, em 2019.

Foi na presença de clientes, parceiros e autoridades locais, como a Câmara Municipal de Silves (representada ao mais alto nível pela sua presidente, Rosa Palma, e pelo vice-presidente, Mário Godinho) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), que a STEF Portugal inaugurou em Algoz a nova plataforma bi-temperatura, que se posiciona como ponto estratégico para a recolha e posterior distribuição de bens destinados ao mercado nacional e a vários mercados europeus.

Reforçando a sua liderança na Europa em serviços de logística e de transporte sob temperatura controlada, esta unidade localizada numa zona industrial no centro do Algarve permite alargar a distribuição de alimentos sob temperatura controlada, nomeadamente no que diz respeito à expedição de produtos regionais.

E apesar de atuar num mercado de nicho – o dos produtos alimentares perecíveis, um “dos mais complexos” e no qual o controlo da qualidade é fundamental, como sublinhou na apresentação da plataforma do Algarve o diretor-geral da STEF Iberia, Angel Lecanda -, a empresa, suportada numa rede europeia presente em sete países (Bélgica, Espanha, França, Itália, Holanda, Portugal e Suíça), distribui atualmente “14 milhões de toneladas de mercadorias/ano”.

Com mais de 70% do seu capital “nas mãos dos colaboradores e das equipas de gestão”, a STEF é um grupo “de dimensão europeia, mas em Portugal é, antes de mais, uma empresa portuguesa”. Presente no país há mais de 25 anos, a STEF procura dar resposta às necessidades dos clientes, desde que “a logística dava os primeiros passos em Portugal”, conclui Angel Lecanda. Orgulhoso da presença no ‘mercado da saudade’ e da rede de plataformas “que abrangem o país de norte a sul”, o diretor da STEF Iberia defende que a empresa é “construtora de relações duradouras”, abraçando o conceito ‘connect food, market & players’ com “entusiasmo, respeito, rigor e performance”.

E foi com entusiasmo que, nas palavras de François Pinto, a STEF “construiu de raiz” a plataforma de Algoz, uma das maiores, exigindo um investimento elevado por parte da empresa, e que aporta “valor acrescentado a sul, no seio de uma região com grande dinamismo”. A funcionar desde o início do verão na “maior zona turística de Portugal”, vem dar resposta às crescentes necessidades de uma região em desenvolvimento”, nomeadamente com o aumento do turismo.

Ora, se é incontornável que o crescimento significativo do mercado do Algarve tornou a operação logística nesta região cada vez mais exigente em termos dos volumes a distribuir e dos tempos de entrega, certo é também que este mercado está sujeito a uma grande sazonalidade, que aumenta o desafio de manter os níveis de qualidade durante os períodos de maior fluxo de mercadorias. Como explica o diretor da STEF Portugal, neste contexto a empresa pretende “contribuir para a promoção da indústria agroalimentar” a sul e, consequentemente, em todo o território nacional.

Como referido, o investimento nesta plataforma encerra a primeira fase de um “plano de investimento mais abrangente”, e que contempla novos projetos para os próximos anos. No total, a empresa já investiu cerca de 20 milhões de euros, dos quais 15 milhões em dispositivo imobiliário, adianta François Pinto.

A abertura desta unidade no Algarve permitiu “implementar os processos de receção e expedição standards do grupo STEF, nomeadamente com o controlo por rádio frequência, que permite maior velocidade e fiabilidade”. Como testemunharam, durante uma visita às instalações da plataforma, os convidados presentes no evento do seu lançamento, graças às nove portas de cais a STEF dispõe atualmente “de maior fluidez da operação, o que permite antecipar de forma significativa a distribuição nesta região”. Mas não só.

Do ‘mercado da saudade’ para a Europa

Uma vez que o novo centro de operações da empresa se posiciona como um ponto estratégico para a recolha e distribuição de produtos que se destinam ao mercado nacional e a outros mercados europeus, colocando os consumidores e produtores da região algarvia mais perto das principais rotas logísticas nacionais e internacionais, a plataforma de Algoz, em articulação com “a força da rede” da STEF, ambiciona acompanhar a expedição dos bens alimentares refrigerados, congelados e termosensiveis “não só em Espanha mas em toda a Europa”, garante François Pinto.

Resta acrescentar que este “projeto de empreendedores ao serviço de outros empreendedores” permitiu criar novos postos de trabalho diretos, estando em curso novos processos de recrutamento com o objetivo de dar resposta ao desenvolvimento da atividade desta plataforma, tanto no que se refere à procura crescente dos serviços da STEF como no que respeita à distribuição no Algarve e à expedição dos produtos de qualidade produzidos na região.

Atualmente a STEF emprega em Portugal um universo de 550 colaboradores, o que representa um crescimento de 25% nos últimos três anos (de 2016 a 2018). A nível europeu o grupo conta com 18 mil colaboradores e dispõe de 240 plataformas, tendo atingido, em 2018, um volume de negócios na ordem dos 3.255 milhões de euros.

 

Artigo publicado na edição de março/abril de 2019 da revista LOGÍSTICA & TRANSPORTES HOJE