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Tecnologia desafia mercado de movimentação de cargas

Soluções automatizadas, robótica, novas opções de energia, telemetria… apenas alguns dos desafios, tecnológicos e não só, que afetam o sector.

O mercado de movimentação de cargas tem um nível de inovação muito elevado. A afirmação é de Mark Wender, managing director da Jungheinrich Portugal, que acrescenta que isso, em parte, se deve à necessidade “contínua de responder às exigências das empresas, no que diz respeito às suas operações logísticas que se querem mais rápidas e eficientes”.

Mas, em que é que isso se traduz em números? Qual o estado do mercado nacional? Paulo Pinto, diretor de negócio movimentação de cargas na Ascendum Máquinas, refere à LOGÍSTICA&TRANSPORTES HOJE que “segundo as informações que temos de encomendas das marcas às fábricas, o mercado português da movimentação de cargas cresceu nos últimos 3 anos cerca de 30%, com maior incidência em 2017 e batendo novo recorde em 2018”. Por outro lado, acrescenta, “mantém-se a tendência de crescimento nas unidades elétricas que já representam cerca de 85% do mercado”.

 “Devidamente coordenados, os mundos físico e digital criam um nível mais alto de inteligência o que permite otimizar os processos e aumentar consideravelmente a produtividade do armazém” – Mark Wender, Jungheinrich Portugal

O certo é que a tecnologia tem vindo a mudar o mundo. E o mercado da movimentação de cargas não escapa a essa mudança. Aumento das soluções automatizadas com equipamentos sem condutor, a par (ou em alternativa) com sistemas de navegação permitem não só o aumento da produtividade, mas também uma diminuição dos custos operacionais humanos. Mas há um senão. Isso acarreta (elevados) investimentos. Por outro lado, há que contar com a integração (cada vez maior) dos equipamentos com sistemas de gestão de armazenamento ou mesmo de logística. O objetivo final é claro. Que a movimentação de cargas deixe de ser simplesmente uma pessoa a conduzir um veículo de carga para passar a ser um passo numa gestão integrada.

A reboque da digitalização
Mas esse não é o único desafio. Paulo Pinto assinala o lançamento de novas soluções robóticas assim como de novas opções de energia, “incluindo sistema de íon de lítio e células de combustível de hidrogénio”. Por outro lado, convém não esquecer que, como refere o diretor da Ascedum, “principalmente para projetos de alguma dimensão, os nossos clientes exigem um moderno e fiável sistema de gestão de equipamentos por telemetria”. Algo em que a empresa já está a trabalhar. “O programa completo de gestão de frota Yale Vision já montado em algumas dezenas de máquinas Yale em Portugal, tem o equivalente na Hyster denominado Hyster Tracker.” Qual a vantagem? Permite que oferecer três níveis de serviço ao cliente, consoante as suas necessidades. “Poderá ser encomendado com a máquina ou ser montado à posteriori nos modelos mais recentes. Damos formação exaustiva aos operadores e chefias, para poderem tirar o máximo partido destas soluções”, explica Paulo Pinto.

Já Mark Wender aponta o aumento acentuado dos custos com o pessoal, assim como dois dos desafios do setor. No entanto ressalva que estes (os desafios) “permitem-nos reconhecer e responder às necessidades individuais dos clientes, tornando o cliente mais bem-sucedido”.

“Mantém-se a tendência de crescimento nas unidades elétricas que já representam cerca de 85% do mercado” – Paulo Pinto

Um exemplo? “Isso significa aproveitar as grandes oportunidades oferecidas pela digitalização para o setor de logística”. A explicação, segundo o diretor Jungheinrich Portugal é simples: “Porque armazéns digitais e em rede facilitam o trabalho e aumentam a produtividade”. Isto porque quando estão “devidamente coordenados, os mundos físico e digital criam um nível mais alto de inteligência o que permite otimizar os processos e aumentar consideravelmente a produtividade do armazém”. No caso concreto da Jungheinrich a empresa equipou, desde o início deste ano, a sua frota com uma caixa de telemática integrada, permitindo que a companhia, ligue a frota de equipamentos dos clientes. A principal vantagem assenta nos alertas atempados sobre erros, o que ajuda a minimizar o tempo de inatividade. “Os tempos de reação são acelerados e o pré-requisito para a manutenção previsível é estabelecido”, constata Mark Wender.

Futuro desafiante
O futuro mostra-se desafiante, é certo. Mas também é verdade que o mercado tem sabido acompanhar os desafios. A prova está nos resultados obtidos pelas empresas do setor. O negócio de Movimentação de Cargas da Ascendum Máquinas, por exemplo, faturou, no ano passado, cerca de mais 50% comparando com 2017. Parte da explicação está, como refere Paulo Pinto no facto de a empresa atualmente também representar a Hyster e a Utilev. Duas marcas que contribuíram para evolução, a par dos “investimentos que têm sido feitos em marketing, instalações e nas pessoas”. Já em relação à Jungheinrich Portugal, Mark Wender, afirma que o balanço de 2018 foi muito positivo, com o cumprimento de todas as expectativas. E destaca “o bom desenvolvimento de KPIs, o crescimento de volume de negócio e a entrada de encomendas, bem como o bom desempenho da nossa loja online Profishop”.

Para este ano o executivo prevê, tendo em conta os indicadores económicos atuais, manter o ritmo de crescimento. “Continuaremos a introduzir no mercado português equipamentos e soluções inovadoras desenvolvidas pelo grupo Jungheinrich, como é o caso dos equipamentos com baterias de lítio totalmente integradas”, afirma Mark Wender, acrescentando que “o Empilhador ERC216zi vai na frente e é uma das novidades. Graças à bateria fixa de iões de lítio, este equipamento é particularmente compacto e ágil. Outros destaques deste ano incluem outros equipamentos novos (como a nova geração dos nossos order pickers verticais EKS ou o novo empilhador elétrico – série 6 de alto desempenho com capacidade de elevação até 9 toneladas) que oferecem maior segurança para o colaborador, máquina e armazém.”

Já a Ascendum Máquinas, nas palavras de Paulo Pinto, tem como objetivo, depois da consolidação das equipas comerciais e do investimento feito no pós-venda e no marketing, preparar a empresa para “nos próximos anos sermos um parceiro de referência neste sector”. Os investimentos anunciados nos portos nacionais poderão ajudar a alcançar esse objetivo. Um desses projetos refere-se ao porto seco de Famalicão, nomeadamente o terminal intermodal terrestre, que como lembra Paulo Pinto, vai ser dotado com tecnologias de última geração e criar cerca de 100 postos de trabalho, direto e indireto. Algo que facilitará “a ligação entre as indústrias do Norte e os portos de Leixões e de Sines”. Tendo em conta que a Ascendum Máquinas representa, agora, a Hyster, é um projeto ao qual estarão atentos e que estudar “toda a envolvente”.

Este é o cenário atual do setor. No entanto, tendo em conta a velocidade em que a tecnologia evolui e às mudanças a que obriga as empresas a fazerem na sua infraestrutura e fluxos operacionais é também um cenário que facilmente poderá ser reformulado. Avizinham-se tempos desafiantes.