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Veículos

Transporter, uma sexagenária com muito futuro

VW_Transporter

Fomos a Amesterdão conhecer (e experimentar) a nova geração da histórica gama de veículos comerciais da Volkswagen, que continua a manter-se à frente do seu tempo.

Com uma história que se confunde com a da própria indústria automóvel, a Transporter é um verdadeiro caso de estudo. Pela longevidade, mas especialmente por se ter tornado um verdadeiro ícone da cultura popular, através do célebre modelo clássico “pão de forma”, que o tempo tornou sinónimo de um certo estilo de vida, fazendo quase esquecer as suas funções originais de veículo de trabalho. Foi em 1950 que a primeira geração da Transporter começou a ser comercializada pela Volkswagen e desde então não mais deixou de ditar muitas das tendências do mercado ao longo das últimas seis (quase sete) décadas, como novamente a marca alemã espera que volte acontecer agora, com a versão 6.1 desta gama, entretanto e com o passar do tempo, multiplicada numa enorme panóplia de versões, baseadas nos modelos Transporter, Caravelle, Multivan e California, com uma renovada gama de motores, com potências de 90, 110, 150 e 199 cv.

6.1 a pensar no online
A apresentação oficial desta nova geração de veículos foi feita em grande estilo, na cidade holandesa de Amesterdão, que durante alguns dias recebeu jornalistas vindos de toda a Europa para literalmente experimentarem em primeira mão as Transporter 6.1, cujo nome remete para a linguagem informática, na qual, tal como neste caso, significa uma evolução e melhoria em relação aos modelos anteriores. Numa primeira avaliação meramente visual, sobressai de imediato um exterior mais arrojado, em especial nas versões Caravelle e Multivan, com cores mais atrativas para as gerações mais jovens e um design frontal, com uma grade maior para o radiador, que se funde com o próprio para-choques, contando também com novos faróis LED. Apresenta também novos designs de rodas de liga leve, bem como novas cores e acabamentos exteriores. Mas “a beleza também se estende ao interior”, como fez questão de salientar Kai Brikman, um dos diretores do departamento de marketing de produto da Volkswagen, durante a apresentação aos jornalistas. “Estas mudanças, tanto as exteriores como as interiores, são resultado direto do feedback que recebemos dos nossos clientes”, explicou este responsável.

Com base nesta premissa, as especificações standard da nova Transporter 6.1 foram significativamente melhoradas. Estas incluem janelas elétricas, fecho centralizado, espelhos retrovisores aquecidos e ajustáveis eletronicamente, novos faróis H7, rádio com a tecnologia Composition Audio com Bluetooth e função mãos-livres e ainda luzes LED interiores com eficiência energética. Neste último item e além das luzes do teto dianteiro e de duas luzes de leitura, estão também incluídas novas luzes na zona dos pés, tanto do lado do motorista como no do passageiro dianteiro. Outro dado diferenciador desta nova geração, segundo Kai Brikman, é “um vasto leque de novas soluções online”, com o objetivo de “conectar mais do que nunca os veículos ao mundo exterior”.

Muito digital
O novo painel de instrumentos, batizado de Cockpit Digital, é, como o nome indica, pela primeira vez totalmente digital. Junto ao mesmo eixo visual, estão também disponíveis os recentes sistemas de infotainment MIB2 e MIB3, ambos “com capacidade de update. Juntos, o Digital Cockpit e o respetivo sistema de infotainment produzem toda uma nova arquitetura digital. Todos os sistemas de informação e lazer são conectados com uma unidade de conectividade online, na qual está integrado um eSIM, que oferece um novo espectro de funções e serviços baseados na Internet – agrupados sob os nomes We Connect, We Connect Plus e We Connect Fleet, sendo este último disponível para empresas como um sistema de gerenciamento de frota. Esta inovadora conectividade online permite o uso geral de tecnologias completamente novas na Transporter 6.1, como o controle de voz natural, bastando, para isso, apenas chamar, com um simples “ei, Volkswagen”. É o suficiente para fazer o T6.1 responder, por exemplo, a uma qualquer dúvida de navegação: portanto, em vez de inserir um destino pelo teclado, só há que dizer para onde se deseja ir.

É também caso para dizer que, com estes novos modelos, até conduzir se torna mais fácil, pois todos eles podem vir equipados de série com 20 diferentes sistemas de assistência ao condutor. Um dos que a partir de agora vêm de série é o modo “ventos cruzados”, ativado automaticamente sempre que se atingir ou ultrapassar a velocidade de 80 km por hora, monitorizando, a partir daí e de forma contínua, o veículo e respetiva trajetória. Se e quando for detetado um vento cruzado repentino, o sistema usa o programa de Controle Eletrónico de Estabilidade e a travagem focalizada individual para um melhor controlo do veículo. “O objetivo é tornar o carro ainda mais seguro”, sustenta Kai Brikman.

Assistentes e …
Nada melhor, no entanto, que experimentar, na prática, tudo isto. E foi exatamente que fizemos, pelas ruas e autoestradas de Amesterdão, colocando assim o veículo em diversas situações reais. Optámos pela versão Panelvan (sem janelas laterais) da Transporter de três lugares, com motor 2.0 TDI de 110 cv, que será um dos modelos a ser colocados à venda em Portugal.

Aos participantes foi apenas dada uma lista, em jeito de roadbook, com alguns locais na cidade e nos arredores, que permitiriam comprovar todas as melhorias e novos sistemas de navegação e assistência. Com uma condução confortável e muito intuitiva, começámos por colocar o primeiro destino, uma praia na zona litoral de Amesterdão, que nos obrigou a sair da cidade, utilizando uma das muitas autoestradas que a circundam. Uma situação perfeita para comprovar, em ação, o Lane Assist, que corrige a direção se o veículo estiver prestes a sair da pista. Se a correção automática da direção não for suficiente, o volante começa entretanto a vibrar, de modo a alertar o condutor, tal como se veio a comprovar, quando nos aproximámos da linha de separação da berma. O sistema Lane Assist reconhece estas marcações através de uma câmara multifuncional, integrada na parte superior do para-brisas. O sistema ativa-se a partir dos 60 km por hora e funciona mesmo em situações de nevoeiro e escuridão, reduzindo significativamente o risco de sair da pista ou entrar em contramão.

De regresso à cidade, já não é só o veículo que é testado, mas também os nervos e a perícia dos condutores, numa urbe de ruas estreita, muito trânsito e com milhares de ciclistas a circularem um pouco por todo o lado, vindos de diversas direções. Um ambiente perfeito para entrar em ação a função de Proteção Lateral, proporcionada através de seis sensores na parte da frente e outros tantos na traseira, que registam todo o ambiente ao redor do furgão em 360 graus, fornecendo avisos visuais e sonoros quando se depara com postes, paredes, outros veículos, peões ou… ciclistas.

O modo de Proteção Lateral vem incluído no Park Assist 3.0, outra das novidades da Transporter 6.1, que tem como objetivo auxiliar ao estacionamento, tanto paralelo como perpendicular, através do recurso à direção automática. São para isso utilizados seis sensores de estacionamento à frente e outros tantos atrás, para reconhecer os diferentes cenários de estacionamento, ao mesmo tempo que o visor do painel de instrumentos fornece informações sobre possíveis lugares para estacionar. O motorista usa então o botão Park Assist para selecionar um cenário de estacionamento apropriado. Durante este processo, apenas tem de acelerar, travar e mudar de marcha e mesmo quando não está ativada, a função Park Assist continua a procurar possíveis lugares para estacionar, sempre que a velocidade não exceda os 37 km por hora.

… Alertas
Em Amesterdão, porém, os lugares para estacionar na rua são bastantes escassos, pelo que mais uma camada adicional de segurança é sempre bem-vinda, como aquela que é fornecida pelo Rear Traffic Alert, o novo sistema de assistência para sair de marcha atrás de um estacionamento. O que o torna realmente inovador é que, ao usar os sensores de radar da parte traseira, o sistema reconhece não apenas qualquer veículo parado ou em movimento atrás dele, mas também qualquer aproximação a 180 graus pelo lado e, portanto, quase impossível de detetar de outra forma. Em caso de risco de colisão, o sistema produz então um alerta visual e um aviso sonoro. Se mesmo assim o motorista não tomar medidas para evitar o perigo, o Alerta de Trânsito Traseiro ativa os travões de forma automática antes de uma possível colisão – tal não foi todavia necessário nesta experiência de condução pelas estradas e ruas da Holanda. Cada vez mais familiarizados, tanto com a condução como com os sistemas de navegação e de assistência ao condutor, decidimos improvisar, procurando um local não incluído no roteiro inicial, mais em concreto a Arena de Amesterdão, o mítico estádio do Ajax. O painel de navegação informa-nos que fica situado a pouco mais de dez quilómetros e não demoramos mais de 20 minutos a chegar lá.

 

A versão elétrica da “Bulli”

Com cerca de dez milhões de unidades vendidas em todo o mundo desde 1950, a Transporter é a carrinha de transporte de maior sucesso da história da indústria automóvel, mas a Volkswagen quer chegar ainda mais longe. “Se podemos fazer algo ainda mais perfeito? Sim, podemos”, interroga-se e responde Kai Brikman, desvendando em seguida que a marca já se encontra a ultimar, em parceria com a também empresa alemã ABT, uma versão elétrica da “Bulli”, como é popularmente conhecida a Transporter no seu país natal. Sem se querer comprometer com uma data específica, este responsável deu a entender no entanto que a e-Transporter poderá chegar a alguns mercados europeus já no próximo ano. Segundo algumas notícias entretanto publicadas, deverá contar uma versão de bateria única e outra de bateria dupla, com autonomia, respetivamente, de 200 e 400 km.

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