Paletização

Um negócio sustentável

Paletes: Um negócio sustentável

Sustentabilidade, economia circular e modelos de negócio colaborativos marcam as tendências no negócio da paletização. Num mercado onde as euro-paletes ainda são, de longe, as mais utilizadas, a inovação tecnológica potencia o desenvolvimento de soluções cada vez mais adaptadas a clientes em constante mudança, e que alavancam os níveis de qualidade e serviço.

Sustentabilidade, economia circular e projetos de colaboração. Estas são algumas das principais tendências no mercado da paletização. Segundo a country general manager da CHEP, através do sistema de pooling e das soluções sustentáveis, a empresa torna as cadeias de abastecimento dos seus clientes “mais eficientes, tanto em termos de custos como quanto à utilização dos recursos naturais”. Paralelamente, “ajudamos os nossos clientes a integrarem a economia circular através dos nossos princípios de partilha e reutilização de produtos, patente no sistema de pooling aplicado”, diz Filipa Ferreira Mendes. As soluções de transporte da empresa “vêm dar reposta a uma necessidade do mercado”, sublinha.

Sendo um negócio “baseado nos princípios da economia circular”, o negócio de paletizaçãoé, por si mesmo, um negócio sustentável”. Este modelo “permite que toda a supply chain saia beneficiada, seja em negócios nacionais ou internacionais, graças à nossa dimensão e disponibilidade de stock. Os clientes apenas têm de se preocupar em encomendar e a CHEP encarrega-se da logística a nível global”, conclui a responsável.

Como pontos fortes do mercado português no negócio de paletização, a CHEP identifica “a inovação e o desenvolvimento de soluções logísticas para os clientes e os mercados em constante mudança”. Quanto às dificuldades, “a cadeia de abastecimento europeia enfrenta uma pressão maior do que nunca, pela falta de motoristas”, principalmente. “Há maior procura de quantidades mais pequenas e com maior frequência” e o objetivo de reduzir custos está “sempre presente”. Não obstante, “mais de 25% das viagens de camiões na EU ainda são viagens de descarga parcial ou em vazio”, recorda Filipa Ferreira Mendes.

“Através de pooling, quanto mais paletes forem utilizadas, mais eficientes e amigas do ambiente se tornam” – CHEP

Neste contexto, “a solução óbvia é a que parece mais difícil de implementar. Temos de partilhar mais. E é aqui que reside o maior potencial de desenvolvimento”, apela. As soluções de transporte colaborativo da CHEP já ajudaram 225 empresas líderes a reduzir as viagens em vazio em 6,4 milhões de quilómetros, poupando o planeta em mais de 6200 toneladas de CO2. O desenvolvimento de uma cultura de colaboração em toda a cadeia de abastecimento permite “reduzir significativamente o impacto dos transportes no ambiente, aumentar a eficiência da cadeia de abastecimento e ajudar as empresas a trabalharem melhor juntas”, acredita a responsável.

Pequenos formatos em crescimento
Quanto a tendências no mercado da paletização, “as paletes de aluguer são e continuarão a ser a modalidade mais utilizada no mercado nacional, não só pelos seus níveis de penetração atuais, como pelo valor acrescentado que geram em toda a supply chain”, perspetiva Flávio Guerreiro.

Segundo o diretor da LPR, a empresa tem crescido acima de 10% nos últimos anos, “evidenciando o forte crescimento deste sector, onde diariamente se assiste a uma inversão da palete de compra/branca para a palete de aluguer, não só em virtude da tendência seguida pela distribuição moderna, como pela perceção clara e direta das mais valias proporcionadas pelo sistema de aluguer de paletes, nomeadamente a qualidade, garantia de fornecimento, simplicidade dos processos e preços competitivos”.

“As paletes de aluguer continuarão a ser a modalidade mais utilizada no mercado nacional” – LPR

Dentro do sistema de aluguer de paletes, existe uma tendência para “um crescimento dos pequenos formatos, nomeadamente dos quartos e meias paletes, essencialmente para a distribuição moderna, nomeadamente ao nível dos hard-discounts e lojas de proximidade, devido à sua dimensão e crescentes níveis de penetração”. No entanto, as euro-paletes “ainda representam a esmagadora maioria das paletes utilizadas, com cerca de 80-85% do volume total”, e “apesar da potencial redução de relevância no futuro, continuará a manter-se como o principal formato utilizado em Portugal”, prevê Flávio Guerreiro.

Paletes: Um negócio sustentávelAs inovações nesta área passam não tanto pelos produtos, “que apesar da sua constante evolução, ainda mantêm a mesma génese dos últimos dez anos”, mas sim pelos equipamentos e tecnologias de informação, “que irão permitir alavancar os níveis de qualidade e serviço, assentes num serviço de proximidade e interação contínua”, conclui.

Já Covadonga Ajuria acredita que “cada vez são mais as empresas que procuram plástico, seja pelas suas necessidades internas, porque os seus clientes finais assim o exigem ou por normativas existentes”.

Neste sentido, a palete de plástico oferece vantagens sobre outros materiais usados tradicionalmente, defende: “não é portador de parasitas nem bactérias, cumpre com a NIMF-15, é mais leve, não tem pregos nem solta lascas [como a madeira], etc.”. Por exemplo, uma das últimas regiões a exigir o cumprimento da NIMF-15 nas exportações de paletes foram as Canárias, em Espanha (a partir de outubro, para todas as paletes que entrem).

“Grandes empresas em Portugal começam a valorizar a mudança da madeira para o plástico como uma vantagem e uma poupança de custos” – Nortpalet

Por estes motivos, “as empresas estão a substituir a palete tradicional por paletes de plástico”, conclui o sales manager iberia. Graças às características destas paletes as empresas obtém ainda “outras vantagens económicas”, diz: menores custos de armazenamento, de manutenção das linhas de produção, logísticos, ao mesmo tempo que se reduzem significativamente os custos por movimento.

Sendo o “principal fabricante europeu mais próximo de Portugal”, a Nortpalet oferece ao mercado nacional “uma vantagem competitiva sobre o resto dos nossos competidores”. Neste contexto, a empresa investiu “na melhoria das suas capacidades produtivas e em dispor de referências suficientes para atender à procura crescente e às distintas necessidades do mercado”, conclui Covadonga Ajuria.

Como muitos outros na Europa, o mercado português “é um mercado em crescimento”, no que se refere “à procura de paletes de plástico”. Este incremento deve-se, como referido por Covadonga Ajuria, a fatores como as exigências do cliente final/mercado, normativas e exportações que requerem tratamentos fitosanitários.

Grandes empresas com sede em Portugal estão a começar a valorizar a mudança da madeira para o plástico, encarada como “uma grande vantagem e uma poupança de custos”. A responsável da Nortpalet sublinha que, “no final da vida útil, este material tem um valor no mercado como fonte de matéria-prima, pelo que a empresa recupera parte do investimento inicial e não deve tratar a palete como um resíduo, poupando os correspondentes custos”. Acresce que o cliente adquire uma embalagem sustentável para o meio-ambiente, que é 100% reciclada e 100% reciclável no final da sua vida útil, conclui.

Outro dos fatores que determina este crescimento é a globalização, que requer “operar em outros mercados tendo presente que é necessário contar com paletes que cumpram com a NIMF-15, estandardizadas e homogéneas, para garantir as entregas aos clientes finais”.

Atualmente “as empresas continuam a procurar as paletes certificadas”, defende, por seu turno, Miguel Correia, adiantando: “seja na sua aquisição, seja no aluguer ou até pooling”. E isto quer se tratem de paletes novas e usadas em madeira – nomeadamente as homologadas pela EPAL 1200×800 (euro) e 1200×1000 (industrial, vulgo formato Americano) -, ou paletes em plástico – nomeadamente o modelo H1 e H3, modelos produzidos em plástico virgem, de uso higiénico e nos quais, “por razões de qualidade”, cada vez mais empresas nacionais investem, explica o responsável da Rotom.

Apesar “da pressão do preço”, o negócio das paletes em Portugal “começa a profissionalizar-se”, na opinião de Miguel Correia, para quem “a Rotom Portugal no mercado de paletes usadas é um exemplo claro disso mesmo”, com fortes investimentos em território nacional e a trabalhar no mercado “de forma transparente e profissional”. Na sua ótica, as maiores dificuldades do setor “ainda são a fragmentação do mercado e, por exemplo, a inexistência de uma associação que possa levar este mercado a um caminho de excelência”.

Soluções com valor acrescentado
As modalidades de comercialização de paletes – venda ou aluguer – mantêm-se dinâmicas e cada vez mais especializadas e, simultaneamente, sustentáveis. Na CHEP a comercialização de paletes é feita através do aluguer em sistema de pooling, que promove a reparação e a reutilização de paletes. O modelo de negócio partilhado e reutilizável baseia-se no conceito de economia circular, valorizando o desperdício enquanto recurso e uma produção de zero poluição.

A economia circular da empresa baseia-se num ciclo em que as paletes CHEP são entregues no fabricante ou produtor, que depois as envia para o supermercado; após a sua utilização as paletes regressam ao centro de serviço da CHEP, voltando a entrar no circuito. Como explica a country general manager, “quanto mais paletes forem utilizadas, mais eficientes e amigas do ambiente elas se tornam”.

“Assumimos um modelo intrinsecamente sustentável onde, face a uma palete não pertencente a  um sistema pool, o ciclo de vida das nossas paletes – que duram dez vezes mais – permite reduzir o desperdício de madeira, assim como a quantidade necessária desta matéria-prima para a sua produção”, sublinha Filipa Ferreira Mendes, defendendo que “é urgente reagir perante a situação em que vivemos, de modo a preservar o mundo” para as gerações vindouras.

A CHEP tem vindo a atuar segundo este conceito de partilha e reutilização através da maximização da utilização de paletes, caixas e contentores, com a sua partilha e reutilização numa rede extensa e colaborativa, onde ajuda na distribuição de bens essenciais no dia-a-dia. Segundo a responsável, este sistema de pooling de paletes “contribui para que consigamos oferecer soluções não só mais sustentáveis, mas também mais económicas, que tornam as cadeias de abastecimento dos nossos clientes cada vez mais eficientes”.

O core business da Nortpalet é a comercialização de paletes de plástico – a empresa não realiza a atividade de aluguer ou pooling. Não obstante, e como esclarece Covadonga Ajuria, alguns clientes da empresa adquirem a palete de plástico como um material auxiliar, ou seja, enquadrado dentro dos seus recipientes e das embalagens, e que vão usar para a paletização dos seus bens.

Outro grande segmento de clientes com que a empresa trabalha de forma habitual são as empresas de pooling ou aluguer de paletes. Neste caso a palete é o bem que a pool vai comercializar. Estes dois segmentos “marcam as necessidades e requerimentos da palete, como por exemplo personalizações ou elementos de controlo, como Etiquetas RFID ou com código de barras”, detalha o sales manager iberia da Nortpalet.

No que respeita a modalidades de comercialização, a Rotom propõe a venda e o aluguer, oferecendo ainda serviços, como “a reparação EPAL de europaletes, a recuperação de embalagens, logística inversa e pooling em toda a Europa”, sintetiza Miguel Correia, diretor geral da empresa. A empresa comercializa soluções como paletes de madeira novas e usadas, paletes em plástico novas e usadas, paletes em fibra de madeira, paletes em cartão. medidas standard e fora de medida.

“Apesar da pressão do preço, o negócio das paletes em Portugal começa a profissionalizar-se” – Rotom

Já a LPR proporciona aos clientes soluções de aluguer de paletes de carácter totalmente externo, “com paletes de alta qualidade e inteiramente compatíveis com sistemas automatizados de produção e recolha”. As paletes da LPR destinam-se sobretudo ao setor dos produtos de grande consumo (FMCG), com posterior envio para a distribuição moderna e retalho tradicional, a nível nacional e internacional, “em conformidade com todas as normas de higiene e qualidade em vigor”, como assinala Flávio Guerreiro. A qual, acrescenta, “foi a primeira do setor de pooling de paletes a obter a certificação PEFC” (que garante paletes provenientes de florestas geridas de forma sustentável).

A LPR Portugal encerrou o exercício de 2018 com um crescimento de 9,2% no volume de paletes transacionadas no mercado português. Em 2019, a empresa irá continuar a apostar “na captação de novos clientes”, na “excelência operacional, fruto da implementação de novos centros logísticos”, e ”no reforço da automatização de processos na reparação de paletes”. Estes são “fatores críticos de sucesso que, aliados a um clima económico favorável a nível nacional, permitiram à LPR Portugal atingir resultados históricos em 2018”, diz Flávio Guerreiro.

Cotada em Bolsa, a CHEP não comunica resultados nacionais, mas afirma-se “líder mundial em soluções pooling para cadeias de abastecimento”. Com uma oferta das soluções logísticas “abrangente, desde soluções de Primeira Milha e armazenamento, transporte, soluções end-to-end, soluções no ponto de venda (Última Milha) e soluções intercontinentais” a empresa realiza todas as operações “sob o pilar de responsabilidade social corporativa”. Na CHEP, “fazemos com que as cadeias de abastecimento sejam mais eficientes”, diz ainda Filipa Ferreira Mendes.

A Nortapalet obteve crescimentos neste mercado, em termos globais, superiores a 110%, comparativamente ao ano anterior, e “as previsões para este ano e sucessivos são muito positivas”, perspetiva Covadonga Ajuria. A empresa opera no mercado português há vários anos e os produtos estão a ter “grande aceitação por parte dos atuais clientes”. “Contamos com um canal de distribuição encarregado de comercializar os produtos de maneira direta às empresas, no qual “se registaram importantes crescimentos durante os últimos anos, diz ainda.

Portugal é, pois, “um mercado estratégico devido à proximidade e à semelhança de comportamentos de compra e uso de paletes”. Nas palavras da responsável, “o comprador português busca alternativas sustentáveis, que aportem um valor acrescentado à sua atividade”.

Por último, a Rotom em Portugal atingiu em 2018 4,3 milhões de euros no setor da paletização, e para 2019 prevê ultrapassar os cinco milhões de euros, adianta à Logística & Transportes HOJE Miguel Correia. Com os investimentos “em vista nesta altura, e a nossa nova base, iremos atingir dez milhões nos próximos cinco anos”, afirma o diretor geral. O grupo Rotom superou os 150 milhões em 2018.

Este artigo foi, originalmente, publicado na edição 141 da revista Logística&Transportes Hoje.

CHEP
A CHEP lançou a nova euro palete (B1208A), de madeira reutilizável, ideal para o carregamento, distribuição e exposição de artigos. Esta palete é utilizada em sistema de pooling e a sua manutenção é feita em todos os centros de serviço da CHEP.

Quanto a soluções Última Milha, as novidades são a Quarto palete Plástico, a Quarto palete Plástico com rodas. A quarto de palete de plástico da empresa é 100% reutilizável, produzida com material 100% reciclável, com zero impacto no ambiente (100% carbon neutral) e reduz em 30% a pegada de carbono, totalmente alinhada com os objetivos de sustentabilidade da empresa. A CHEP ocupa uma posição de relevo com as suas Soluções de Última Milha, onde se incluem a meia palete, a quarto palete e a dolly. Estas soluções permitem criar expositores de fácil instalação e personalização, possibilitando uma melhor disponibilidade de produto.

A dolly – quarto de palete com rodas é uma plataforma de exposição com rodas reutilizável e preparada para o retalho, ideal para utilização promocional, visibilidade melhorada do produto e reabastecimento fácil no ponto de venda. É utilizada em pooling, facilita o co-packing, a carga/descarga em diferentes instalações na cadeia de abastecimento e inclui um dispositivo de localização e acompanhamento por RFID para controlo eficaz dos produtos e dos ativos. Vem equipada com um travão para segurança melhorada desde a linha de produção até à colocação na loja.

LPR
Na LPR, os principais investimentos estão relacionados com a ampliação e modernização dos centros logísticos, devido não só ao forte e sólido crescimento do volume de negócios, como simultaneamente pelas crescentes exigências de qualidade, quer da área industrial quer do próprio retalho. A crescente utilização de armazéns automatizados por parte da indústria e 3PL´s alavancou os níveis de exigência a esta área de negócio, onde a utilização de maquinaria mais recente e mesmo robots se tornaram inevitáveis. Esta é e continuará a ser uma aposta clara da LPR.

Simultaneamente a empresa está a desenvolver soluções de aluguer de paletes em plástico e em vários formatos, estando alguns deles a ser difundidos, indo de encontro às necessidades e solicitações atuais do mercado, sobretudo na área alimentar.

NORTPALET
Ao longo de 2019 a NORTPALET está a realizar investimentos para dar o salto para a indústria 4.0, pondo em marcha sistemas de informação conectados entre si, que permitam unificar todos os fluxos de informação entre departamentos. O objetivo principal é facilitar a tomada de decisões, melhorar a produtividade e rendimento em unidade fabril, reduzindo perdas e/ou taxas de rejeição de produção ou antecipando-se à procura para determinar os níveis de stock ótimos.

Outra vertente estratégica em 2019 para a empresa é a manutenção do investimento em equipamentos e novos moldes para o lançamento de novos produtos.

ROTOM
Com a recente aquisição da Cargopak LTD no Reino Unido, atualmente a Rotom está presente em dez países na Europa, dispondo de 17 estruturas próprias. Em Portugal, para além da Delegação Norte na Maia (com 1600m2 cobertos, a empresa inaugurou em janeiro modernas instalações na ALE Valado dos Frades-Nazaré (com uma área total de 18000m2).

A Rotom investiu num novo ERP o Microsoft AX, e obteve a certificação EPAL (PT-300RE) para reparação de Europaletes madeira EPAL, afirmando-se a única empresa em Portugal com esta certificação.

Investiu ainda numa estufa de HT de elevada capacidade para secar e tratar paletes em madeira. A empresa gere os resíduos (N.36/2014/CCDRC), recolhendo paletes em madeira e plástico na ótica da reutilização, promovendo a sustentabilidade e a defesa do meio ambiente.

Atualmente está em curso o estudo da construção de uma nova nave para colocar maquinaria e arrancar com a produção de paletes novas.

Na área reservada para lavagem industrial certificada de paletes e caixas plásticas, a Rotom irá investir numa moderna unidade de lavagem.

Está ainda em processo até final do ano a ISO9001.

Continua a investir em força no e-commerce, estando neste momento a renovar a sua nova loja online rotomshop.pt, contando com uma estrutura especializada.

A empresa está à procura de uma nova base na região da grande Lisboa, para ter uma presença mais forte junto dos clientes do sul.