Last Mile Delivery

Congestionamento e redução de emissões pressionam custos da operação logística

OCDE aponta para a necessidade de “uma melhor orientação” nos portos portugueses

Nos próximos anos, o setor da logística urbana irá sofrer grandes alterações para além do que é conhecido hoje. A articulação entre os vários players do ecossistema para endereçar o desafio específico do last mile delivery, no decorrer da transformação digital, é crítica.

As peças do puzzle do last mile delivery são conhecidas e as soluções futuras de mercado passam muito por que enquadramentos regulatórios serão definidos e pela incorporação com sucesso de tecnologia já existente que satisfaça as necessidades específicas de cada modelo de negócio.

No âmbito da 3.ª edição do “Beyond – Portugal Digital Transformation” – que juntou um conjunto alargado de players, a EY enumera os hot topics para a etapa last mile delivery no setor da logística urbana.

A nível global, espera-se que o impacto do congestionamento de tráfego e foco na redução de emissões poluentes continuem a criar pressão nos custos da operação logística, tendo as autoridades públicas um papel preponderante na definição do enquadramento regulatório apropriado. Simultaneamente, a crescente exigência dos consumidores relativamente à rapidez e flexibilidade de local e horário de entrega reforçam o desafio dos players de last mile delivery.

Experiência end-to-end
As principais frustrações dos clientes finais são, essencialmente, a receção de encomendas danificadas e a baixa rapidez e eficácia da comunicação com a distribuidora. A experiência do cliente é, cada vez mais, um fator crítico para o sucesso das empresas. No entanto, o desafio é crescente, dado o aumento das expectativas e exigências dos clientes finais.

Quanto ao futuro enquadramento regulatório, não existe uma incerteza geral relativamente ao futuro do last mile delivery, mas sim uma incerteza específica, que, naturalmente, terá impacto no last mile delivery, retraindo esta incerteza o potencial investimento nesta área.

Nos hot topics agora apresentados, a EY refere que o crescimento do e-commerce e as emissões zero são “as principais tendências a impactar o setor da logística urbana”. Por um lado, “o potencial do e-commerce em Portugal atingir níveis de volume similares a outros países europeus trará a necessidade de desenvolver soluções para uma gestão eficiente e eficaz das entregas de encomendas”, refere a consultora. Por outro lado, adianta a consultora, “a tendência das distribuidoras optarem por meios suaves de transporte e distribuição é já uma realidade, seja para atender às crescentes expetativas dos consumidores como pelo aumento da eficiência da gestão dos custos de logística”.

O impacto dos movimentos tecnológicos
Os movimentos tecnológicos como Internet of Things, robotização, veículos autónomos, plataformas/marketplaces, blockchain, warehouse managing systems e inteligência artificial foram identificados como “tendo maior impacto na necessidade de repensar os modelos de negócio atuais de last mile delivery”. Concretamente, o crescimento das plataformas de e-commerce, a tendência de robotização dos processos de suporte das empresas e a aplicação das tecnologias de inteligência artificial terão impacto significativo nos futuros modos de transporte e distribuição e no aumento da eficiência operacional ao longo da cadeia de valor.

Foi identificado, também, um elevado potencial para explorar oportunidades de coordenação entre players alavancadas na geração e captura de sinergias ao longo da cadeia de valor. “A cooperação entre os diversos players – operadores, autoridades municipais e regulatórias, distribuidoras, plataformas tecnológicas, retalhistas, entre outros – é crítica para que o ecossistema de mobilidade urbana seja mais eficiente”, admite a EY

Por fim, entre os modelos de entrega com mais potencial futuro para o desafio de last mile delivery, os hot topics da EY destacam “os micro centros de distribuição e os terminais de parcelamento seguro com cacifos inteligentes”. As conclusões desta análise concluem revelam que “a otimização das infraestruturas de suporte ao modelo futuro da logística urbana é crítica para possibilitar a implementação de modelos de negócio assentes em modos de transporte suave”.

Adicionalmente, a tecnologia de smart lockers vem endereçar uma necessidade específica do consumidor e, simultaneamente, contribuir para o aumento da eficiência de custo dos processos de last mile delivery.