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Supply Chain

“Embalagens para alimentos que são produzidas pela Tetra Pak já vão ao encontro de uma eficiente operação logística”

Na edição de Maio e Junho da Logística&Transportes Hoje, em distribuição muito em breve, pode ler um artigo sobre a forma como as embalagens podem otimizar o seu transporte e armazenamento. Em complemento a essa peça, disponibilizamos hoje a entrevista a Ingrid Falcão, responsável pela área de sustentabilidade da Tetra Pak Iberia que partilha os esforços que têm sido feitos pela empresa a este nível.

Com uma transição para o consumo verde, mas também com necessidades de transporte de mercadorias diferentes de anos anteriores, que modificações estão a ser introduzidas para tornar mais eficientes as embalagens?

A maior parte das matérias-primas utilizadas no fabrico das embalagens da Tetra Pak são renováveis. Caso sejam bem geridas, tais matérias-primas não se esgotam na natureza, como é o caso das embalagens da Tetra Pak que são compostas por cerca de 70% de cartão, que provêm das árvores e estas regeneram-se absorvendo o CO2 durante o seu crescimento.

As embalagens da Tetra Pak detêm o selo FSC® que certifica que o cartão utilizado provém de florestas geridas de forma responsável e de outras fontes controladas. As florestas certificadas cumprem com os princípios ambientais, sociais e económicos estabelecidos pelo FSC® (Forest Stewardship Council). Além disso, a Tetra Pak foi a primeira empresa de embalagens a utilizar polímeros de origem vegetal, provenientes da cana-de-açúcar, com certificação Bonsucro.

Já existe em Portugal, em marcas relevantes na indústria alimentar, a Tetra Brik® Aseptic Edge 1L, em estreia ibérica. É uma embalagem que conta com polietileno de origem vegetal, proveniente de um recurso renovável, a cana-de-açúcar. Esta permitiu reduzir em 21% as emissões de CO2 em comparação à embalagem anterior, para além dos cerca de 700 mil quilos de plástico de origem fóssil que são evitados anualmente. Traz ainda incorporado um código QR, a partir do qual o consumidor pode rapidamente aceder a toda a informação útil acerca da embalagem, de forma simples e interativa, o que consideramos ser um passo importante para que o consumidor tenha a possibilidade de saber mais sobre a origem dos materiais usados e a consciência das modificações que estão a ser introduzidas para diminuir a sua pegada ambiental.

Na sua opinião, qual a real importância das embalagens nas operações logísticas e para um transporte seguro e sustentável?

A maior parte das embalagens da Tetra Pak é entregue aos clientes em grandes bobines, o que consequentemente irá facilitar o transporte uma vez que será possível tirar o melhor partido do espaço existente e reduzir o número de viagens. Chega a ser possível transportar entre 6 e 10 vezes mais embalagens para alimentos, por exemplo, as Tetra Recart® num só camião, quando comparada às substituídas latas. Também no caso dos produtos embalados, uma vez que se encontram em embalagens retangulares ou quadradas, o espaço que irá ser necessário para o seu transporte e armazenamento será mais reduzido estimando-se que se podem transportar cerca de 10 a 20% mais unidades por camião do que aquando do transporte e armazenamento das latas.

Estas embalagens da Tetra Pak, também têm a possibilidade de ser armazenadas durante vários meses, sem necessidade de conservantes ou refrigeração, até à abertura das embalagens, o que permite economizar uma enorme quantidade de energia.

Ingrid Falcão

Ingrid Falcão, responsável pela área de sustentabilidade da Tetra Pak Ibéria

Considera que uma embalagem pensada de raiz do ponto de vista da sustentabilidade pode ser mais fácil de transportar e trazer ganhos ao nível do transporte e da logística?

A Tetra Pak tem reunido esforços no desenvolvimento de cadeias de valor de reciclagem, através da colaboração com clientes, empresas de gestão de resíduos, empresas de reciclagem, municípios, associações industriais e fornecedores de equipamento.

Com vista a alcançar o objetivo de fabricar embalagens completamente renováveis, a Tetra Pak tem trabalhado no sentido de garantir a utilização exclusiva de plástico renovável, de origem vegetal, proveniente da cana-de-açúcar. Em 2019, a Tetra Pak tornou-se, em conjunto com o seu fornecedor Braskem, na primeira empresa da indústria alimentar e de bebidas a disponibilizar embalagens fabricadas a partir de polímeros totalmente rastreáveis, desde a sua origem vegetal, e certificados de acordo com as normas da Bonsucro relativas à obtenção de cana-de-açúcar.

Estamos conscientes que, apenas trabalhando em conjunto com os nossos clientes, fornecedores e outras partes interessadas, poderemos liderar a transformação da sustentabilidade e impulsionar mudanças significativas.

Que novidades e soluções têm sido mais atractivas para os clientes do ponto de vista das preocupações com a sustentabilidade? E que desafios têm vindo a enfrentar?

Nos últimos anos, para além da forma, também os materiais utilizados no fabrico das embalagens têm vindo a alterar-se, sendo atualmente utilizados polímeros fabricados a partir da cana-de-açúcar. A utilização destes polímeros permite aumentar a percentagem de materiais renováveis nas embalagens da Tetra Pak, contribuindo para reduzir a pegada de carbono ao longo do ciclo de vida do produto.

Apostamos também na produção de palhinhas de papel e nas embalagens com tampa integrada, como medida para melhorar a reciclagem e a sustentabilidade dos seus produtos. E quanto às fábricas, reduzimos o consumo de água e energia, além de um apertado controlo dos desperdícios e pretendemos usar 100% de eletricidade renovável nas nossas operações até 2030.

As mudanças acarretam sempre momentos de incerteza e ajustes, mas verificamos que todos os envolvidos têm feito um esforço e que ao fim do tempo considerado de adaptação, as vantagens e melhorias são claramente superiores.

Há a necessidade de discutir novas soluções de embalagens com operadores logísticos de maneira a encontrar um consenso que permita ganhos a todos?

A Tetra Pak associa-se a fornecedores e outros intervenientes interessados ao longo da cadeia de valor, com o intuito de reduzir significativamente a pegada de carbono, o que passa também pelo transporte e, consequentemente, na forma como as embalagens devem ser desenhadas para que o mesmo seja mais eficaz.

Os operadores logísticos são uma importante parte neste processo, uma vez que têm um papel de destaque, no transporte e logística das operações, estando estes incluídos na cadeia de valor que a Tetra Pak pretende, que até 2050 alcance a meta de 0% de emissões de gases com efeito de estufa. Desta forma, aquando da mudança do formato das embalagens, vários interessados foram ouvidos e, consequentemente, tidas em conta as suas preocupações de forma que as alterações fossem um ganho para todas as partes. A relação existente entre os vários intervenientes da cadeia de valor é confirmada como uma das áreas-chave do comprometimento da Tetra Pak, existindo colaboração ativa com os fornecedores no que diz respeito à redução das emissões de carbono e na inclusão de estabelecimento de objetivos ambiciosos de energia renovável e o aumento da utilização de materiais renováveis e reciclados, fatores críticos na criação de uma economia circular, baixa em emissões de carbono