Congresso APLOG

Entrar no universo 4.0 com um sorriso

Congresso APLOG: Entrar no universo 4.0 com um sorriso

“O otimismo em relação à tecnologia é de longe a melhor abordagem. Isto está mesmo a acontecer, quer vocês queiram quer não”, garantiu João Vasconcelos, empresário e ex-Secretário de Estado da Indústria, que abriu a sessão plenária do segundo dia do Congresso da APLOG.

A atual revolução industrial, que deu origem à indústria 4.0, vai muito além da digitalização e da automatização de processos. “O que aqui é verdadeiramente diferenciador não é a tecnologia, mas os novos modelos de negócio gerados pela tecnologia. Hoje, o Booking.com ganha mais que muitos hotéis”, lembrou João Vasconcelos. O processo está no início, até porque “apenas 1% das coisas que nos rodeiam estão ligadas à Internet”, mas é preciso acelerar a assimilação, para não ficar para trás.

Portugal está muito bem posicionado em termos tecnológicos, graças a fatores vários como termos sido o primeiro país a ter fibra ótica nas escolas, aos tão criticados computadores Magalhães e ao nosso a-vontade com o inglês. Mas há problemas para resolver e, entre eles, o maior é a educação. “Na economia do conhecimento, o maior recurso de um país é cérebros, e nós não conseguimos reter os nossos, quanto mais atrair outros. É preciso alterar o mindset e requalificar os dirigentes”.

Acima de tudo é preciso não ter medo: em todas as revoluções muitas empresas desaparecem mas muitas outras, diferentes, aparecem. Há modelos de negócio que deixam de fazer sentido e outros que se tornam híbridos (a Amazon e o Alibaba são empresas de tecnologia ou de logística?). Acima de tudo, as empresas devem apostar na valorização dos artífices, daquilo que, dotado de emoção e sentimento, não pode ser feito por máquinas. A boa notícia para nós é que no mercado digital ser um país pequeno já não é desculpa. A Farfetch é um bom exemplo.