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Supply Chain 4.0

Os desafios para ‘fazer acontecer’ a descarbonização da cadeia de abastecimento

Após cinco anos da assinatura do Acordo de Paris, o mundo continua em busca de soluções para descarbonizar-se. A cadeia de abastecimento continua a ser um dos focos em destaque, sobretudo porque é um dos eixos em que se torna mais premente fazer uma transição. Porém, tal como já detalhámos no passado, este segmento de mercado é um dos mais difíceis de pôr num eixo de transição, isto porque ainda são alguns os entraves para ‘fazer acontecer’.

Assim, a McKinsey detalha o que, no âmbito de um estudo feito pela consultora, serão, para os próximos anos, os desafios a enfrentar. Entre os obstáculos concretos identificados está, à cabeça, o facto de ser nesta altura difícil contabilizar as emissões de carbono, explicando a consultora que “o processamento (das emissões) é feito usando bancos de dados de emissão inconsistentes”, identificando-se a falta de “relatórios de apoio à decisão e painéis para gestão [das emissões]. As definições de termos importantes, como “compensação”, podem não ser universalmente aceitas”.

 

O segundo eixo que, na perspetiva da McKinsey, deve ser trabalhado está novamente relacionado com a contabilização das emissões, e está diretamente ligado à inconsistência dos dados. “Os cálculos de emissão são geralmente baseados em dados de atividade aproximados e fatores de emissão padrão (média). No mundo da contabilidade financeira, esse nível de aproximação seria o equivalente a empresas que usam custos e receitas médios da indústria para preparar as suas demonstrações financeiras anuais.”

Mas o problema não se fica por aqui. “(…) A maioria das estimativas de emissões hoje concentra-se nas emissões ao nível da organização ou institucional. Para serem relevantes e transferíveis entre os atores da cadeia de abastecimento, esses números precisam ser convertidos em dados ao nível do produto, levando em consideração as emissões granulares associadas não apenas ao processo de fabricação dentro da empresa, mas também as emissões associadas ao transporte de quantidades específicas de matérias-primas utilizadas na fabricação”, por exemplo.

 

Por fim, considerar o ‘custo ambiental’ das opções de transporte elétrico têm de ser ponto central. Em termos ambientais, a produção de um veículo elétrico tem custos concretos, sendo que, neste âmbito, cerca de 45% das emissões estão ligadas ao processo de fabrico de aço e alumínio e 35% às baterias dos meios de transporte. “A descarbonização desses elementos é possível, mas difícil. As fábricas siderúrgicas precisam converter altos-fornos a carvão em tecnologia de forno elétrico a arco, captura e armazenamento de carbono (CCS) ou rotas diretas de ferro reduzido usando hidrogénio. Da mesma forma, as fundições de alumínio precisariam ser eletrificadas usando eletricidade renovável, e matérias-primas com baixo teor de carbono e novas matérias-primas para baterias carecem de ser exploradas”, escreve a consultora, terminando depois: “A boa notícia é que existem caminhos para a descarbonização: estimamos que as abordagens avançadas de fabricação de baterias operem com cerca de metade da intensidade de carbono face às tradicionais.”