Porto de Setúbal discute plataformas logísticas ibéricas

Mais de 200 agentes económicos marcaram presença no II Seminário Plataformas Logísticas Ibéricas, organizado pelo Porto de Setúbal e Sesimbra.

Mais de 200 agentes económicos marcaram presença no II Seminário Plataformas Logísticas Ibéricas, cujas boas-vindas foram dadas por Carlos Gouveia Lopes, presidente da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra e por Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal, que salientou a importância, para a região, da reflexão sobre a temática em debate.

No primeiro painel da manhã, intitulado “Os Portos e a Globalização”, Crespo de Carvalho, da IN OUT GLOBAL, começou com a apresentação da ligação de Setúbal a Madrid, uma ambição desta administração portuária e onde o caminho, os hinterlands, o foreland e o mercado a trabalhar (características e distâncias) foram objecto de análise.

António Fonseca Ferreira, da CCDR de Lisboa e Vale do Tejo, analisou a importância do desenvolvimento da actividade logística da região. «No futuro vamos ouvir falar de logística como sector fundamental de actividade» disse, referindo no entanto o «atraso de Portugal» a este nível.

O coordenador da Plataforma do Poceirão, Carlos Dias, centrou-se na temática da globalização e defendeu a importância de fazermos «parte da rede logística ibérica e europeia». Denominada LogZ, está tudo desenhado para fazer do Poceirão uma plataforma logística de sucesso que terá as portas abertas à operação em 2009, segundo anunciou à audiência Carlos Dias.

O segundo painel arrancou com a intervenção de Xavier Peinado, da Câmara de Comércio de Badajoz, que apresentou a Plataforma Logística do Sudoeste Ibérico (ou plataforma Badajoz-Elvas) e que defendeu que, se ela é extrema em relação a Espanha, é central em relação à Península, dando saída aos portos portugueses de Leixões, Setúbal e Sines, e do sul de Espanha (Huelva, Cadiz e Algeciras). A área de influência é de 750 mil habitantes, sendo que se lhe juntar os habitantes do Alentejo passa a ser de 1,5 milhões.

A intervenção de João Lemos, do Gablogis, falou da plataforma de Elvas, englobada no Portugal logístico, através da qual Portugal se integrará nas cadeias logísticas e de transporte europeias, reforçando a ideia de que temos que apostar forçosamente na nossa fachada atlântica. Deixou ainda a ideia de que «a nossa logística é essencialmente virada para o consumo e não para a cadeia produtiva. Isso é algo que é necessário inverter». Pires da Fonseca, da Takargo, falou sobre a estratégia do primeiro (e único, até à data), operador privado ferroviário português, que deverá entrar em Madrid em 2009 e em Barcelona em 2010. Para tal irá recorrer a um «parque próprio de locomotivas movidas a diesel, em número de dezena e meia, bem como parque de vagões». Para este responsável, «mais importante que a alta velocidade na ferrovia das mercadorias é a fiabilidade e a economia de custos», o que tenderá a afastar as mercadorias da nova rede de TGV.

António Freitas, CP, referiu-se à nova ligação ferroviária Sines-Badajoz prevista para entrar em funcionamento em 2010, considerando-a «indispensável para tornar o tráfego ferroviário competitivo na estratégia de chegar a Madrid a partir de Setúbal». Aproveitou ainda a oportunidade para rebater algumas das críticas feitas por Pires da Fonseca, realçando as boas práticas da CP nos eixos Liscont-Elvas, Sines-Bobadela, Lisboa-Mérida, entre outras. Tudo isto apesar da operação ter lugar numa estrutura «desajustada a realidade, que muitas vezes perde competitividade por não poder prescindir do camião seja à carga seja à descarga do comboio».

A experiência do grupo Rangel em Angola foi o tema da intervenção de Nuno Fonseca, da Câmara de Comércio e Indústria de Angola-Portugal, realçando o facto de «apesar dos elevados custos logísticos, que equivalem hoje a 35% do custo dos produtos, temos que distribuir as mercadorias pelo resto do país. A distância entre Luanda e Lobito, por estrada, é de cerca de 550 km, que se fazem em cerca de seis horas». É, por isso que o meio que mais de destaca q