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Portos do Continente movimentam 77,8 milhões de toneladas de carga

Entre janeiro e outubro de 2018, os portos do Continente registaram uma quebra de 4,3% no volume de carga movimentada, face a igual período de 2017, segundo dados divulgados pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT).

Neste período, registou-se também um comportamento diferenciado no volume de carga contentorizada, onde Sines e Leixões registaram variações positivas, com o primeiro a bater recorde. Lisboa e Setúbal registaram ‘perdas’ acentuadas, fruto da instabilidade laboral que se tem vindo a verificar.

Nos primeiros dez meses do ano, os portos do Continente movimentaram 77,8 milhões de toneladas de carga. Este valor traduz uma variação homóloga de -4,3% tendo, no entanto, observado no volume de Contentores um crescimento de +0,4% em número de unidades.

Aveiro, Figueira da Foz e Faro são os únicos portos a registar um aumento do volume de carga movimentada em outubro, com um acréscimo de 335,5 mil toneladas no seu conjunto. Destaque para Aveiro que, com um acréscimo de 6%, alcança o valor mais elevado de sempre nos períodos homólogos. O comportamento de Faro, que regista uma variação positiva de 73%, poderá ser justificado pela retoma da sua atividade na sequência da recente aquisição da “CIMPOR” pelo grupo turco “OYAK” à brasileira “INTERCEMENT”.

O volume total de quebras registadas no volume de carga movimentada foi, até outubro, de -3,85 milhões de toneladas. Sines foi o maior responsável por este valor, uma vez que, devido à redução da importação de recursos energéticos, ‘perdeu’ 2,43 milhões de toneladas. Uma redução de 5,7% do seu volume máximo histórico nos períodos homólogos. Além de Sines, também Lisboa registou um volume de carga ‘perdida’ de -671 mt, recuando 6,5%, bem como Leixões e Setúbal.

Entre janeiro e outubro, mais de metade dos mercados existentes registaram quebras no seu volume, num total que excede 5,6 milhões de toneladas. Entre estes destacam-se o mercado do Carvão, Produtos Petrolíferos e Petróleo Bruto no Porto de Sines. Apenas 23 mercados (em 57) registaram acréscimos, que ultrapassam ligeiramente 2,1 milhões de toneladas. A Carga Contentorizada em Sines e em Leixões foi a principal responsável, com acréscimos de 600mt e 313,4mt, respetivamente.

No segmento dos Contentores, constata-se que o Sistema Portuário do Continente movimentou cerca de 1,57 milhões de unidades e 2,51 milhões de TEU, correspondentes, respetivamente, a +0,4% e -0,5%, quando comparadas com igual período de 2017.

No que diz respeito à Carga Contentorizada, o comportamento dos portos não foi homogéneo. No volume TEU apenas Sines e Leixões registaram variações positivas, respetivamente de 2,2% e 3,7%, face ao período homólogo de 2017 (+50,3 mil TEU no seu conjunto), tendo Sines atingido a marca mais elevada de sempre. Os restantes portos registaram variações negativas, com especial destaque para Lisboa que ‘perdeu’ 50,4 mil TEU, o equivalente a -12%, e para Setúbal que registou ‘perdas’ de 8 mil TEU, o equivalente a -6,3%.

“A este comportamento não é alheio o clima de instabilidade laboral verificada principalmente no porto de Lisboa, mas também em Setúbal e Figueira da Foz, que tem determinado a transferência de tráfego entre os dois referidos grupos de portos”, avança a AMT.

Ainda neste segmento, o porto de Sines mantém a liderança com uma quota de 58,1%, superior em +1,5 pp à máxima homóloga, registada em 2017. Na posição seguinte encontra-se Leixões, com 21,7%, que reflete um aumento homólogo de 0,9 pp.

Nos portos comerciais registou-se um total de 8732 escalas de navios de diversas tipologias entre janeiro e outubro de 2018, a que correspondeu um volume global de arqueação bruta (GT) de 166,7 milhões.

No tocante, quer ao número de escalas, quer ao volume de arqueação bruta, o comportamento dos diversos portos é bastante assimétrico. Regista-se um aumento no número de escalas na generalidade dos portos, como Aveiro (+1,8%), que atinge a marca mais elevada de sempre, e um acréscimo de GT noutros portos, como em Leixões (+2,2%). As variações negativas mais expressivas verificam-se no porto de Lisboa, com -15,6% no número de escalas e -18% no volume de arqueação bruta.

A quebra de 3,51 milhões de toneladas verificada no período janeiro a outubro de 2018 resulta de variações negativas quer na carga embarcada, quer na carga desembarcada, de -1,45 e -2,06 milhões de toneladas, corresponde a -4,4% e -4,3%, respetivamente.

O comportamento do fluxo de embarque, que inclui a carga de exportação, registou quebras com variações significativas protagonizadas pelo mercado de Produtos Petrolíferos em Sines que regista -784,4 mt, representando 31,5% do total da carga embarcada ‘perdida’. Em termos positivos, as operações de embarque registaram variações positivas na Carga Contentorizada em Sines, que regista +455,2 mt, correspondente a 43,9% dos acréscimos de carga embarcada.

No segmento das operações de desembarque, verificou-se uma repartição semelhante entre o número de mercados com comportamentos positivos e negativos, sendo respetivamente de 24 e de 26, registando variações mais expressivas o da Carga Contentorizada em Leixões, que movimenta +241,4 mt do que no período homólogo de 2017, representando 15,6% do total dos mercados com variações positivas, e o do Carvão em Sines que regista uma quebra de -1,26 milhões de toneladas, representando 35% do total dos mercados com carga ´perdida’.

Viana do Castelo, Figueira da Foz, Setúbal e Faro são os portos que apresentam um perfil de porto “exportador”, registando um volume de carga embarcada superior ao da carga desembarcada, com um quociente entre carga embarcada e o total movimentado, no período em análise, de 78,5%, 70,3%, 54,7% e 100%, respetivamente

Acresce sublinhar que, no seu conjunto, estes portos detêm uma quota de carga embarcada que se situa na casa dos 14,4%, descendo para 9,8% se considerarmos o total da carga movimentada.