Preparar a Retoma, Repensar a Logística

Já decorreu o IV Seminário de Plataformas logísticas Ibéricas que contou com a participação de diversos oradores de diferentes empresas a operar neste sector. Conheça algumas das conclusões do seminário

O IV Seminário Plataformas Logísticas Ibéricas, sob o tema “Preparar a Retoma, Repensar a Logística”, iniciou-se com as palavras de boas vindas do Presidente da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, Carlos Gouveia Lopes que começou por dizer que a retoma, já se iniciou no porto de que é presidente, o que é mais uma razão para se repensar as cadeias logísticas. Gouveia Lopes recordou ainda que importa enfrentar o futuro da logística com confiança e que actualmente já se nota um ganho significativo de cargas em relação ao início do ano.

 

Os trabalhos do período da manhã prosseguiram com a intervenção de José Figueira, presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas. O autarca ressaltou dois instrumentos de enquadramento estratégico: um de carácter regional, o Plano de Ordenamento do Território do Alentejo, e outro mais local, Vendas Novas no contexto Nacional e do Alentejo tendo como horizonte 2020, que incidiu no papel que Vendas Novas tem desempenhado nas últimas décadas, na atractividade de pessoas, empresas e investimentos.

 

As ligações a Lisboa, Sines e Badajoz, o potencial do Alqueva, as relações transregionais, o papel de Beja nas relações com o Litoral Alentejano e o Algarve, com base no seu aeroporto, a organização do sistema urbano de fronteira com o reforço do pólo transfronteiriço Elvas/Campo Maior/Badajoz, cuja importância estratégica será fortemente ampliada pelo TGV e pela nova plataforma logística transfronteiriça de Elvas/Caia/Badajoz, são algumas das opções estratégicas territoriais.

 

Francisco Xavier Peinado, vice-presidente da Câmara de Comércio de Badajoz, assumiu o papel de advogado de defesa do caminho-de-ferro, que considerou o modo de transporte mais sustentável por permitir a poupança energética, a melhoria ambiental, a redução de tráfego rodoviário e de emissões de CO2. Estes são pontos fortes, que no entanto estão dependentes da existência de infra-estruturas adequadas. Não só para a Extremadura, os portos portugueses são os que mais perto se encontram de outras regiões espanholas, como por exemplo a Andaluzia, e isso tem de ser aproveitado. Como projectos prioritários, referiu o eixo Sines-Algeciras-Madrid-Paris e a interoperabilidade do sistema de alta velocidade na Península Ibérica, defendendo o desenvolvimento de instrumentos de coordenação dos projectos transfronteiriços.

 

Já Ricardo Félix, presidente da Logistema começou por abordar as oportunidades do Portugal Logístico, frisando as potencialidades da alteração profunda do sistema logístico mundial e lembrou que Espanha tem praticamente 9 vezes mais serviços marítimos regulares do que Portugal, apesar de não ser essa a relação de dimensão territorial ou mesmo industrial.

 

Rematou dizendo que o Portugal Logístico não pode ser visto como um programa de infra-estruturas de transportes. Tal como no projecto Tanger Med, é necessário criar capacidade de coordenação interministerial através de uma entidade de gestão com objectivos e responsabilidade.

 

África: um continente de oportunidades

Artur Alves, da Fordesi, desenvolveu a temática da ligação Setúbal-Paris através do projecto que a empresa está a desenvolver para a APSS, que «consiste no estudo e também no setup de um serviço intermodal porta-a-porta, de base marítima, ligando Setúbal e a sua região envolvente ao Norte e Noroeste de França, em particular a região de Paris». È um serviço que aspira à obtenção de financiamento da Comissão Europeia no âmbito do programa Marco Polo, que poderá aproximar-se ou até ultrapassar os 5 milhões de euros. Apresentou duas alternativas: um projecto rodo/ferroviário nos dois países, e eventualmente também fluvial em França, promovido por carregadores – ou um projecto auto-estradas do mar. Este projecto pretende captar um tráfego de 15 000 contentores/ano (menos de 10% do mercado potencial captável). O subsídio Marco Pólo pode chegar aos 119 euros por contentor e o diferencial do preço face ao rodoviário é de aproximadamente 10%.

 

João Silva, country manager da Maersk Portugal, salientou a importância económica do continente africano a nível global, que no entanto contém desafios que precisam de ser superados. Em termos logísticos, destaque para os problemas de congestionamento dos portos, tempos de espera dos navios, poucas infra-estruturas e procedimentos alfandegários e burocráticos, para além de fenómenos de corrupção. Destacou, no entanto, pontos positivos que podem ser aproveitados, como o aumento do comércio com a China e o incremento sustentado dos investimentos. «África é um continente com grandes restrições, mas há muitas oportunidades para aproveitar», concluiu.

 

O painel de intervenções foi encerrado por Gonçalo Vieira, da Portucel/Soporcel, que tratou da cadeia logística do papel, falando do perfil logístico da empresa, da nova fábrica de papel inaugurada na semana passada, um investimento superior a 600 milhões de euros e os novos desafios que se lhe colocam. A empresa é já hoje o maior produtor europeu de pasta branca, exportou 90% da produção e representa 3% da exportação do país, sendo o maior exportador de carga contentorizada, com 5,1%. Valor que, em termos de transporte marítimo, sobe para 8% se se considerar a pasta e o papel.

O orador não concluiu sem realçar a criação, por parte do porto de Setúbal, do Estatuto de Carregador Estratégico, uma instituição que facilita a tramitação e os procedimentos de quem ali opera de forma continuada.