Portos

Governo quer saber quantos trabalhadores são necessários no porto de Setúbal

Não há acordo no Porto de Setúbal

O Executivo pediu esta segunda-feira (26 de novembro) à Administração do Porto de Setúbal a emissão de uma recomendação do número de trabalhadores necessários nos quadros permanentes. Esta é a principal conclusão de uma reunião que juntou o Governo, a administração da infraestrutura portuária e os sindicatos dos estivadores.

Em declarações à Lusa, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, sublinhou que existe abertura por parte do sindicato, dos operadores e da administração dos portos para resolver o problema da precariedade em Setúbal, embora existam ainda diferendos em relação aos moldes da negociação.

“Neste momento temos uma vontade e uma abertura para resolver o problema dos precários (…), embora exista uma discrepância entre sindicatos e empresas. Uma parte propõe que sejam 48 novos contratos, da outra parte 30. Julgo que será possível chegar a acordo”, revelou a ministra.

O documento esta segunda-feira apresentado conta com cinco propostas para a resolução do conflito laboral que está por detrás da greve de estivadores que decorre desde o passado dia 5 de novembro e propõe que as empresas de trabalho portuário iniciem “de imediato” o processo de eliminação da precariedade.

É ainda proposto que os trabalhadores temporários suspendam a paralisação, devendo ainda “abster-se de qualquer ação que bloqueie o bom funcionamento do porto”. “Estes pontos garantem as condições necessárias para uma negociação de boa-fé. Devem por isso as partes interessadas manifestar o seu assentimento às mesmas com vista à resolução de uma situação que prejudica dezenas de milhares de trabalhadores em toda a região”, diz o documento apresentado.

Numa nota enviada às redações, a Operestiva, empresa de trabalho portuário que opera em Setúbal e que tem neste momento cerca de 90 trabalhadores contratados ao turno, explica que alertou a direção do Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL) que “a sua intransigência, irá conduzir a que o Porto de Setúbal continue totalmente parado, que (já na próxima semana) 70% da carga contentorizada deixe definitivamente de utilizar o Porto de Setúbal, e que a Autoeropa não consiga escoar a sua produção, o que a poderá levar a rever a sua decisão de permanência em Setúbal.”

A empresa lembra ainda a fábrica da Opel na Azambuja, referindo que “pagava ordenados acima da média, e que fechou em 2006 devido a um conflito laboral. O resultado foi que aquela região perdeu o maior investidor internacional, aumentou o desemprego, e os trabalhadores, dez anos após o fecho da unidade fabril auferiam metade do que recebiam, nos seus novos empregos.”