Portos

Porto de Setúbal só crescerá com melhores acessibilidades

Janela Única Logística entra em atividade no Porto de Setúbal em março

A melhoria das acessibilidades ao Porto de Setúbal é um imperativo para permitir dar o salto de crescimento que o porto, a cidade e a região merecem. Esta foi a visão da presidente da APSS – Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, Lídia Sequeira, expressa durante a conferência “De Setúbal para o Mundo”, no âmbito das iniciativas dedicadas à Semana do Mar 2019.

Com uma operação portuária de vocação eminentemente exportadora, é fundamental dotar o porto de capacidade para receber os modernos navios pós-Panamax, no sentido de permitir ir além dos 150 mil TEU de volume de carga anual, nível em que o Porto de Setúbal está há vários anos.

“Mas um porto não se esgota na carga”, acrescentou a presidente da APSS ao defender que “é preciso devolver o porto de pesca aos pescadores, tanto em Setúbal como em Sesimbra e que é exatamente isso que esta administração vai fazer”.

De resto, a grande aposta para melhorar a competitividade do Porto de Setúbal passa pela melhoria das acessibilidades. “Já concluímos a melhoria das acessibilidades ferroviárias dentro dos terminais, retomámos o transporte de veículos da Autoeuropa para o porto por via ferroviária e já estamos a desenvolver, em conjunto com as Infraestruturas de Portugal, o projeto de ligação do Porto de Setúbal à rede transeuropeia de transportes” referiu Lídia Sequeira.

“Depois é igualmente decisivo melhorar as acessibilidades marítimas para podermos receber os maiores navios, crescer em volume de carga e não ficarmos condenados a receber apenas os navios antigos, mais pequenos”, sublinhou, ainda a presidente da APSS durante a mesa redonda intitulada “Internacionalização do Porto de Setúbal”, onde também participaram  Jorge d’Almeida, da SACONSULT, Rui d’Orey, da Orey Shipping e Augusto Rosário, da WEC Lines (IBEROLINHAS).

De resto, Rui d’Orey, da Orey Shipping lembrou mesmo que os portos nacionais têm vindo a crescer em volume de carga, mas não em número de escalas de navios, ou seja, o crescimento na carga faz-se através da utilização de navios cada vez maiores. Sem capacidade para receber esses navios qualquer porto tem maiores dificuldades para crescer.

Já Augusto do Rosário, da WEC Lines (IBEROLINHAS) defendeu que a modernização de procedimentos e da operação portuária também é importante para crescer e que, hoje em dia, uma das mais valias para os operadores portuários é poder ter à disposição um porto a trabalhar 24 sobre 24 horas.

Jorge d’Almeida, da SACONSULT sublinhou, por sua vez, que entrámos já numa nova ordem mundial da logística de contentores, ordem essa que foi redefinida pela Amazon, que entrou no setor para operar como uma “Uber do transporte marítimo”, o que o obriga a uma redefinição da visão estratégica das comunidades e administrações portuárias.